A recente declaração do ministro da saúde, José Gomes Temporão, de que sem vacina teremos dengue todo ano, repercutiu em pacientes, médicos e outros setores da área da saúde. No entanto, uma descoberta feita por um grupo de investigadores do Instituto de Biomedicina de Bellinzona (IRB), na Suíça, parece ser uma esperança enquanto a vacina não chega.
A principal dificuldade para a criação de uma vacina é a multiplicidade das formas do vírus Aedes aegypti, causador da dengue. Segundo Martina Beltramello, cientista do IRB, “a presença de quatro formas diferentes de vírus torna especialmente difícil a busca de uma vacina”, explica.
Anticorpos contra o vírus
No estudo realizado pelo instituto suíço, os investigadores estudaram os anticorpos produzidos por pessoas já infectadas e curadas pela dengue. Baseando-se no princípio de que quem teve um primeiro contágio com a doença automaticamente desenvolve anticorpos para proteger-se no caso de uma nova infecção com o mesmo tipo de vírus, os cientistas isolaram três tipos de anticorpos. Em seguida, através de modificações genéticas, isolaram seus efeitos negativos.
Como resultado, os pesquisadores obtiveram uma mistura de anticorpos a que se pode chamar de coquetel, que já foi testado com sucesso em animais para frear a infecção. “Os testes efetuados em ratos, na Universidade de Berkeley (EUA), demonstraram que os anticorpos podem frear a infecção, mesmo quando aplicados 48 horas depois do contágio”, afirmaram os cientistas.
Estatísticas da dengue
Segundo dados do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectem anualmente, causando aproximadamente 20 mil mortes em todos os continentes, com exceção da Europa.
Este ano, porém, foi registrado o primeiro caso autóctone de dengue na França, em Nice. As autoridades estão preocupadas com a disseminação da dengue, já que com o aumento da temperatura global, o vírus já não se limita somente às zonas tropicais.