O mieloma múltiplo é um tipo de câncer que se desenvolve na medula óssea. Caracteriza-se por uma alteração na quantidade de plasmócitos, células hematopoiéticas responsáveis pela produção de anticorpos que protegem o tecido conjuntivo e provocam anemia e outras alterações hematológicas. É o que explica Ana Lúcia Beltrati, onco-hematologista do Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (Itaci) e coordenadora do Comitê Médico Científico da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE).
Ela afirma que a doença provoca, entre outras complicações, lesões ósseas denominadas lesões líticas, que causam um desgaste nos ossos, fazendo com que a concentração de cálcio no sangue aumente consideravelmente, a chamada hipercalcemia. Essa deterioração pode provocar fraturas, principalmente no colo do fêmur, coluna ou qualquer osso longo. Ela adverte sobre os sintomas: “também são comuns alterações laboratoriais, como função renal e alterações de proteínas no sangue e na urina”.
Ana Lúcia esclarece que o diagnóstico é feito por meio de exames de sangue e urina, que revelam a alteração da quantidade de proteínas Bence-Jones, secretadas pelas células plasmáticas e na quantidade de anticorpos. Ela cita outras formas de identificar o mieloma múltiplo: “o diagnóstico também pode ser feito por meio de uma biópsia da medula óssea, — chamada de mielograma — ressonância magnética ou raio X de todo o esqueleto, para que sejam verificadas lesões nos ossos”.
O tratamento do mieloma múltiplo varia de acordo com o caso e depende, entre outros fatores, da idade do paciente e do estágio da doença. “Se houver sintomas, o tratamento provavelmente envolverá quimioterapia”, afirma a onco-hematologista. Ele acrescenta que, para pacientes abaixo de 65 anos, o transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas, no qual o material transplantado é retirado do próprio paciente, também pode ser considerado.
Existem outros tratamentos: “a radioterapia também é indicada em alguns casos. Além disso, pode ser feito o uso de medicamentos como Talidomida, Dexametasona, Ciclosporina, Lenalidomida e Bortezomibe. Lembrando que é o médico quem saberá indicar qual é o tipo de tratamento indicado para cada caso”, completa. Ana Lúcia adverte que não há formas de prevenir o mieloma múltiplo e que a doença é mais comum em pacientes com mais de 50 anos.