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17/09/2009

Como será a prescrição médica do futuro?

A farmacogenética, produto do sequenciamento do genoma humano, está se preocupando em transformar a prática clínica, através de análises para conhecer a variabilidade individual na resposta aos medicamentos. Dra. Rosane Johnsson, oncologista clínica do IOP – Instituto de Oncologia do Paraná, explica como a farmacogenética conseguirá transformar a pratica médica. “A análise através da farmacogenética visa contornar o desafio diário de um problema sério no dia a dia do profissional médico que é a variação que cada ser humano tem na resposta aos tratamentos com remédios / tratamentos /medicamentos. Evitar a sucessão de tentativas de erros com diferentes medicamentos e diferentes protocolos terapêuticos em que se usam diferentes doses, que podem resultar não só em falha terapêutica, mas também, e o que é bem pior, em efeitos colaterais graves”.

O objetivo é encurtar o tempo entre o início do tratamento e o desfecho clínico desejado, evitando a sucessão de tentativas e erros com diferentes medicamentos, em diferentes doses, que podem resultar não só em falha terapêutica, mas também, e o que é bem pior, em efeitos adversos graves; dra. Rosane detalha como isso será possível, “Farmacogenética é definida como a variabilidade de resposta às drogas devido a características individuais herdadas, ou seja, estuda as variabilidades nas respostas das drogas, atribuídas a fatores hereditários nas diferentes populações. Assim, o objetivo da farmacogenética é identificar um perfil genético que caracteriza pacientes que são mais prováveis a sofrer efeitos colaterais, comparado com outros pacientes que são prováveis de responder seguramente à droga”.

Outro aspecto importante é a economia de recursos que hoje são desperdiçados em drogas que não são eficazes em determinados pacientes ou em internações e procedimentos necessários para remediar as complicações que resultam de seu uso. Estima-se que de 6% a 8% das admissões hospitalares em países desenvolvidos sejam consequência de reações adversas a medicamentos. Em 2007, o Reino Unido gastou cerca de dois milhões de libras para tratar esses pacientes, segundo o relatório divulgado em abril de 2009 pelo seu Serviço Nacional de Saúde.

Nos últimos anos, os esforços dos pesquisadores estão concentrados na identificação de poliformismos que determinam uma biotransformação mais lenta ou mais rápida de determinados fármacos. O principal exemplo é a varfarina, anticoagulante amplamente usado após cirurgias cardíacas e na prevenção de complicações trombovenosas.

Além da varfarina, que é uma espécie de modelo nas pesquisas nesta área, diversas outras drogas, entre elas as estatinas e os betabloqueadores, estão sendo pesquisadas.

Um grande desafio para a implantação da farmacogenética na prática médica ainda é a elaboração de protocolos clínicos que orientem os médicos a tirar o máximo proveito da informação sobre o perfil metabólico do paciente.

Entretanto, essa abordagem já é uma realidade em muitos estudos clínicos, até porque ela melhora a eficiência do desenho experimental, pois identifica previamente o perfil genético associado à intolerância ou a baixa eficácia do novo fármaco.

Curiosidade sobre a farmacogenética

A primeira referência à variabilidade individual da resposta aos medicamentos é atribuída a Pitágoras. Em 510 A.C., o matemático grego descreveu uma intoxicação causada por um tipo de fava (planta da família das leguminosas) que acometia apenas algumas pessoas que a ingeriam. Mas a farmacogenética só apareceu como ciência moderna em meados no século XX, com a demonstração de que o efeito de certas drogas estava associado a alterações genéticas. Depois do sequenciamento completo do genoma humano, essa área de pesquisas passou a ser chamada também de farmacogenômica.

Mais informações: Revista Pesquisa Médica

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