De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima-se que cerca de 130 a 170 milhões de pessoas estejam infectadas com o vírus da hepatite C (VHC) em todo o mundo. No Brasil, a maioria dos casos de hepatite C está ligada a doações de sangue.
Segundo a médica assistente do Hospital das Clínicas da FMUSP, Maria Cássia Mendes Correia e o diretor da unidade de doenças infecciosas e preveníveis da Faculdade de Medicina do ABC, David Uip, o principal meio de transmissão do vírus da hepatite C é pelo mecanismo parenteral, que são transfusões de sangue e o uso de drogas endovenosas ilícitas. Há também a transmissão perinatal, na qual há a exposição do recém-nascido a sangue e secreções contaminadas em clínicas e hospitais, e por meio do contato com familiares ou contato sexual com pessoas infectadas.
Ainda de acordo com os especialistas, essa epidemia causada pelo vírus da hepatite C assume diferentes características no decorrer dos anos. Os fatores que possivelmente interferem nessas modificações estão relacionados à precariedade dos serviços de saúde, aos movimentos migratórios e imigratórios das populações, à contínua expansão da utilização de drogas injetáveis e também ao aumento do contágio pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV).
Com a implementação de procedimentos de inativação de partículas virais no sangue e seus derivados e também o uso de testes sorológicos para detecção da hepatite C, diminuiu o risco de transmissão do vírus em várias regiões do mundo. Nos hospitais também aconteceu o aprimoramento das técnicas de desinfectação e a realização de programas de precaução universal.
Pacientes com o vírus da hepatite C precisam de acompanhamento aprofundado, pois deve ser analisada a existência hepática crônica e a necessidade de tratamento antivirótico ou de outras terapêuticas especializadas, como o transplante hepático.