A equipe de oncologia de um hospital lida diariamente com a morte. Porém, por mais experiente que seja o grupo, a hora de contar a um paciente que todos os esforços já foram feitos, e que não há nada mais a fazer, é sempre difícil. “Nessa hora, a sensibilidade do profissional é fundamental. Ele deve estar preparado para entender o que o paciente deseja saber e identificar o quanto ele já sabe sobre seu estado de saúde”, diz a psicóloga Iolanda de Assis Galvão, da Clínica de Pediatria e Cuidados Paliativos do Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba (PR). Segundo ela, afinar o ouvido para atender às necessidades que o paciente diz nas entrelinhas é requisito fundamental ao profissional de cuidados paliativos.
A também psicóloga Christina Haas Tarabay, do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo, concorda com a visão de Iolanda e complementa: “a equipe médica precisa garantir ao paciente e também aos seus familiares uma assistência humana e integral”.
Por outro lado, é preciso levar em conta a condição emocional do paciente. A Dra. Iolanda pondera que se o paciente não tem estabilidade emocional suficiente para assimilar sua nova condição, é preciso que o médico faça uma reflexão em conjunto com a equipe de psicólogos que o auxiliam no caso, mesmo que o paciente em questão deseje saber a verdade.
O acompanhamento interdisciplinar é outro fator fundamental para o bom atendimento ao paciente. Médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, todos devem trabalhar em consonância para que o tratamento não negligencie nenhum aspecto de sua condição, seja ele físico ou psicológico. Para as psicólogas, as crenças pessoais do paciente também devem ser respeitadas.
Como lidar com as crianças
Quando o paciente for uma criança, os cuidados em todas as áreas devem ser redobrados. “A comunicação com a verdade nem sempre é fácil”, afirma a Dra. Christina. Segundo ela, os pais podem iniciar um processo de negação e eles, também, precisam de todo o apoio da equipe de profissionais de cuidados paliativos. Para a doutora, a criança tem uma percepção das mudanças que estão acontecendo e seu isolamento da escola e dos amigos tem um impacto doloroso em sua vida.
A Dra. Iolanda, que é psicóloga da clínica de pediatria, diz que é essencial ficar atento aos sinais não-verbais da criança. “Ela pode manifestar sua vontade através do lúdico ou compartilhar o que já sabe. Daí a importância de um profissional habilitado para fazer esta leitura e oferecer uma resposta à necessidade da criança”, explica.
Tanto para Christina como para Iolanda, é de fundamental importância nunca esquecer que o paciente é um sujeito único e singular, que apesar de ser portador de uma doença possivelmente sem cura, ainda tem desejos, sonhos, medos e ansiedades. E que, por isso, a maneira como ela recebe essa notícia pode determinar a capacidade de adesão do paciente a qualquer tratamento ou cuidado paliativo.