Em artigo publicado no jornal científico Diabetes, pesquisadores da Universidade de Oklahoma, nos EUA, descobriram um composto químico natural para estancar a retinopatia associada ao diabetes (cegueira causada em adultos).
A partir dessa descoberta, cientistas poderão desenvolver novas terapias e novos colírios para estagnar a doença que afeta pacientes portadores de diabetes dos tipos 1 e 2. A descoberta da função do composto nas inflamações e na formação dos vasos sanguíneos é um grande passo para a ciência já que ainda não existe um tratamento eficaz para o problema.
A retinopatia diabética é uma complicação tardia do diabetes, causando inflamações e hemorragias. “Além da hiperglicemia crônica (excesso de açúcar no sangue cronicamente), fatores genéticos e adquiridos como: fumo, gravidez e hipertensão arterial, podem determinar o tempo de aparecimento da doença e do seu grau. Em termos práticos o tempo de diabetes é o determinante no aparecimento da retinopatia”, explica a endocrinologista, Dra. Luciana Muniz Pechmann.
A pesquisa revelou que a inflamação e a hemorragia são causadas por um desbalanceamento de dois sistemas no olho. Para restaurar o equilíbrio, eles injetaram dois novos compostos para as células, utilizando nanopartículas. O tratamento em animais parou a hemorragia, bloqueou a inflamação e evitou o crescimento dos vasos sanguíneos anormais.
Cerca de 50 % dos pacientes com diabetes de 5 a 10 anos apresentam algum grau de retinopatia. Esse número aumenta para 80 % nos casos de pacientes com mais de 10 anos de diabetes. A primeira manifestação clínica da retinopatia é diagnosticada no exame de “fundo de olho”.
“Os tratamentos mais inovadores para a retinopatia são os medicamentos que atuam na prevenção da neovascularização na retina. O grande problema desta neovascularização são os fluidos que permanecem no local causando inchaço e mais inflamação. Neste caso já existem as drogas antiangiogênicas”, explica Muniz.
A introdução de várias modalidades de tratamento pode mudar o curso da retinopatia diabética como controle da glicemia, da hipertensão, do fumo, da nefropatia e dislipidemia. Para isso, deve haver uma comunicação entre o oftalmologista e o endocrinologista para que o paciente seja tratado como um todo. No caso de edema macular, existem terapias inovadoras e com bastante resultado, como a injeção de drogas antiedema na cavidade vítrea (corticóides ou outros angiogênicos específicos). “A laserterapia tradicional também mantém seu papel importante principalmente no tratamento de microaneurismas e capilares dilatados”, conclui Dra Luciana.
Agora os pesquisadores estão testando o uso do composto para o tratamento do câncer e da degeneração macular relacionada à idade.