Há exatos dez anos, vinha a público a descoberta da quebra de genoma. De lá para cá, muitas expectativas foram criadas. Tanto pesquisadores como a sociedade passaram a enxergar na novidade a possibilidade da medicina conseguir resolver todos os defeitos genéticos que provocam centenas de doenças.
O tempo passou e, ainda, que a quebra do genoma não tenha trazido as soluções esperadas, não se pode negar a importância desse emaranhado de DNA. O sequenciamento genético se tornou o principal instrumento para pesquisadores que, em laboratório, estudam a causa, o tratamento e a cura de doenças que desafiam diariamente a medicina, como o câncer.
Catástrofe única causa mutações agressivas
Nesse sentido, um dos resultados mais positivos foi alcançado por pesquisadores do Instituto Wellcome Trust Sanger, na Inglaterra. A pesquisa, publicada em janeiro de 2011, derruba a visão convencional de que o câncer se desenvolve sempre em progressão, de maneira constante e gradual. Os estudiosos perceberam que, em alguns tipos câncer, o genoma pode ser quebrado em centenas de fragmentos de uma catástrofe única celular, causando mutações surpreendentes.
Foi observado que no câncer ósseo é bastante comum encontrar grandes mudanças estruturais que danificam regiões localizadas em um punhado de cromossomos. Essas mudanças, segundo os pesquisadores, não poderiam ser explicadas através do modelo padrão.
Segundo doutor Peter Campbell, do Projeto Genoma do Câncer no Instituto Sanger, é possível que em uma única célula em um único evento, um ou mais cromossomos explodam e se transformem em centenas de fragmentos. Nos casos de alguns cânceres, a máquina do DNA tenta reagrupar os cromossomos, mas nem sempre há sucesso provocando mutações. Não raro, delas resultam o desenvolvimento do câncer.
Na maioria das vezes, o câncer é percebido como uma evolução gradual, demorando anos para acumular as múltiplas mutações necessárias para provocar o crescimento agressivo da doença. Como a pesquisa é adiciona uma nova informação na medicina: uma crise cromossômica pode provocar múltiplas mutações que causam câncer em um único evento.