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08/07/2009

Câncer pode induzir depressão

Pesquisas realizadas pela Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) revelaram que a depressão em pacientes com câncer está diretamente relacionada com os tumores. O que os cientistas querem descobrir agora, é como isso funciona. Pesquisas realizadas com ratos de laboratório com câncer de mama induzido constataram que essas cobaias apresentaram comportamento depressivo mesmo quando o tumor não manifestou sintomas.

Para Iolanda de Assis Galvão, psicóloga clínica da pediatria e cuidados paliativos do Hospital Erasto Gaertner em Curitiba, “Todo paciente acometido pelo câncer sente tristeza, pois de alguma forma, em função do tratamento, há uma ruptura no curso normal da sua vida. A sua imagem corporal fica alterada e o medo da morte está muito presente dado o estigma ainda existente em torno da doença do câncer”.  No entanto, a psicóloga, que trabalha há 14 anos com pacientes oncológicos, diz que somente uma porcentagem destes pacientes (aproximadamente 25%) vai desenvolver um quadro depressivo, pois esta doença depende das características individuais e se há a ocorrência de outros distúrbios concomitantes.

Os cientistas identificaram uma alta concentração de citocinas pró-inflamatórias nas cobaias, assim como já se sabia a alta concentração de citocinas em pacientes humanos com câncer e depressão, sendo razoável que a fisiologia de cobaias e humanos com tumor seja semelhante, o que é um grande avanço para a pesquisa do câncer. Alguns quimioterápicos influem na produção de citocinas e, portanto, podem impactar quadros de depressão.

“Vários estudos vêm investigando a relação das citocinas com quadros depressivos, no entanto não há como desconsiderar a singularidade do sujeito e o seu repertório psíquico para lidar com situações adversas. Cada indivíduo é único e a instalação de qualquer patologia, seja de ordem física ou psíquica, deve ser avaliada e tratada de forma individualizada”, esclarece Iolanda de Assis Galvão.

Mas como ajudar o paciente depressivo?
Em primeiro lugar é preciso compreendê-lo. O que não significa o “fazer pelo” paciente, mas o “fazer com” o paciente. Entender que a melhora não é mágica e não vêm de fatores externos. Muitas vezes o paciente é incentivado a sair, passear no parque, ir ao cinema. No entanto, há que se considerar que na maioria das vezes, isso não depende do paciente. No momento, a sua tristeza atingiu um marco que ele não consegue melhorar só com o incentivo ou conselhos de familiares e amigos. Desta forma surge a necessidade de acompanhamento psicoterápico.

Não confunda depressão com tristeza

È importante diferenciar “tristeza” da “depressão”. Estar triste ou estar melancólico não significa estar deprimido. Depressão é doença. No entanto, assim como outras doenças, a depressão pode ser tratada com sucesso, em geral com psicoterapia e muitas vezes com acompanhamento de um psiquiatra para avaliação de suporte medicamentoso.

Alguns sintomas podem indicar a instalação de um quadro depressivo, tais como: transtornos do sono e do apetite, cansaço ao menor esforço, sentimento de menos valia, auto-estima rebaixada, labilidade (oscilações da pressão arterial) e, num estágio mais avançado, estes sintomas podem vir acompanhados de idéia suicida.

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