Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, conseguiram, através da modificação genética, que uma bactéria sintetizasse uma substância utilizada no tratamento do câncer. A produção por meio do microrganismo pode reduzir o custo atual do remédio Taxol, cuja uma única dose pode valer mais que R$ 16 mil.
O alto custo do paclitaxel, ou Taxol, como é comercializado, justifica-se pela dificuldade de obtenção do seu principal componente, derivado da casca do teixo-do-pacífico. Essa árvore cresce muito lentamente e o tratamento de apenas um único paciente de câncer exige o corte e processamento de duas a quatro árvores, que levam dezenas de anos para atingir o tamanho ideal de corte. Esse processo encarece o preço do medicamento que é empregado em quimioterapia de tumores de ovário, mama e pulmão.
Bactéria modificada
O estudo utilizou a bactéria Escherichia coli, uma das mais comuns conhecidas pelo homem e que já vinha sendo investigada para a produção de paclitaxel. Mas, a pesquisa conseguiu resultados em escala inédita. Segundo publicado na revista Science, a bactéria E.Coli não produz naturalmente o taxadieno, que é um precursor do paclitaxel, mas pode sintetizar um composto chamado IPP, que está muito próximo de se transformar em taxadieno. Para que essa transformação ocorra, são necessários outros componentes que a bactéria não possui, encontrados somente em plantas.
O pesquisador Gregory Stephanopoulos e outros cientistas modificaram geneticamente a E. Coli, adicionando genes de plantas na bactéria para que as reações que faltavam ocorressem e ela produzisse o composto desejado. O resultado foi surpreendente: além de alcançar o objetivo do estudo, os cientistas conseguiram variar o número de cópias dos genes, de modo a se aproximar de um paclitaxel que não derive necessariamente do teixo-do-pacífico – a planta que encarece o custo do remédio – com a conversão do taxadieno em taxadieno 5-alfa-ol. Segundo a agência de notícias da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), é a primeira vez que esse segundo composto é produzido em microrganismos.
Medicamento sintético
Os cientistas alertam que não se trata, ainda, de um medicamento sintético, mas já é o primeiro passo nesse sentido. “Trata-se de um desenvolvimento muito promissor e que apoia a abordagem adotada”, disse Blaine Pfeifer, professor em Tufts e um dos autores do estudo.
“Se pudermos fazer um Taxol mais barato, será ótimo. Mas, o que realmente nos empolgou é a perspectiva de usar essa plataforma para descobrir outros compostos terapêuticos, isso em um momento de declínio do surgimento de novos produtos farmacológicos e de grande elevação nos custos para o desenvolvimento de medicamentos”, disse Stephanopoulos.