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08/06/2011

Análises clínicas mais baratas

Um laboratório portátil. Esta é a proposta de um novo método de análises clínicas, fruto de uma pesquisa orientada pelo professor Emanuel Carrilho, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos, que utiliza um pequeno pedaço de papel do tamanho de um selo postal para colher amostras de sangue, urina, lágrima ou saliva e possibilita o diagnóstico de doenças como diabetes, disfunções renais, malária, Mal de Chagas e até Aids.

Este selo, que mede apenas dois centímetros quadrados de área, é um papel poroso no qual a imagens de pequenos canais é impressa através de uma impressora que usa jato de cera. Após impresso, o papel é aquecido, permitindo que a cera derreta e forme pequenos canais, caminhos que os fluidos corpóreos a serem analisados vão percorrer. Nas pontas desses canais, são colocados os reagentes que mudarão de cor de acordo com o líquido e com alguma anomalia detectada. O procedimento é similar ao teste de gravidez vendido em farmácia.

Outra grande vantagem desse tipo de análise é seu baixo custo. Enquanto outras análises tendem a ser mais caras, devido ao uso dos reagentes que dão cor aos testes, ter um custo elevado, nesse tipo de exame a quantidade de reagente a ser usada é mínima. “Usamos microlitros (um litro dividido por um milhão) para a impressão. Além disso, com uma única folha de papel é possível fazer 120 dispositivos, com custo de impressão de 5 centavos de dólar”, afirma o professor Carrilho. O custo de cada selo de análise clínica está estimado em R$ 0,10.

Parceria com Harvard

A pesquisa orientada pelo professor Emanuel Carrilho contou com a parceria do pesquisador George Whitesides, da Universidade de Harvard (EUA). Carrilho se demonstrou interessado pela inovação internacional, porém o processo de fabricação original usava elementos – polímeros e solventes – cuja combinação necessitava ser analisada por um laboratório especializado, tornando a produção, ao menos num primeiro momento, inviável financeiramente.

Fácil acesso

Um dos principais objetivos desta pesquisa é facilitar o diagnóstico de doenças a comunidades que não tem acesso a vastos recursos na área de saúde, justamente pela portabilidade e facilidade de diagnóstico do mecanismo. “Queremos desenvolver um diagnóstico para usar em locais carentes”, relata o pesquisador. Para isso, até telefones celulares poderão ser utilizados, para tirar a foto do resultado do exame e enviar a um laboratório que saberá precisar o que determinada reação significa.

Santa Luzia do Itanhy, município com pouco mais de 10 mil habitantes no Sergipe, está prestes a testemunhar a pesquisa. Os pesquisadores preveem que ainda esse ano sejam aplicados testes na cidade para avaliar a condição básica da saúde das crianças e dos adolescentes. Se tudo correr bem, a experiência será replicada em outras cidades ainda em 2011.

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