O American Diabetes Association recomenda aos médicos o A1C (Exame da Hemoglobina Glicada) no diagnóstico do diabetes mellitus e na identificação dos casos de pré-diabetes. Valores de A1C entre 5,7 e 6,4% indicam que os níveis glicêmicos estão no estado pré-diabetes. Isto significa que estão acima do normal, mas ainda não tão altos para fazer o diagnóstico de diabetes mellitus. A doença só é identificada quando os níveis são iguais ou superiores a 6,5%.
De acordo com a endocrinologista Luciana Muniz Pechmann o teste, até pouco tempo, era recomendado para acompanhar o tratamento da doença. Ela considera o exame A1C muito bom para avaliar o grau de exposição do organismo à hiperglicemia, já que é possível saber como estava a média de glicemia nos últimos três meses.
Porém, no Brasil, a sua utilização deste exame apresenta alguns problemas. “O primeiro é que o exame precisa ser feito no padrão HPLC, que ainda não é utilizado por alguns laboratórios, e o segundo, que ainda é muito caro se comparado a outros testes como glicemia de jejum ou glicemia pós sobrecarga com 75 gramas de glicose via oral”, diz.
Diagnóstico do diabetes mellitus
Para um diagnóstico completo desta patologia a Dra. Luciana recomenda a combinação de três exames: o A1C no valor acima ou igual a 6,5%; glicemia de jejum com 2 valores acima ou igual a 126mg/dl e glicemia de jejum de tolerância à glicose (TOTG). Estes dois últimos exigem horas de jejum para a coleta do sangue a ser examinado, enquanto o A1C não necessita de jejum prévio, aumentando a disposição para a realização do exame.
Segundo a Dra. Lucina, caso seja identificada a presença de diabetes mellitus, o paciente deve manter sempre o seu controle com a A1C nos valores entre 6,5 e 7,0%, sendo possível atingir uma meta de até 6,0% se houver condição clínica para isso. “O ideal também é que as metas de glicemia fiquem até 110-120 mg/dl em jejum e até 140-160 mg/dl após 2 horas de alimentação”, diz.
As pesquisas da Amerian Diabetes Association mostram que o controle da glicemia ajuda a prevenir danos à saúde relacionados ao diabetes, como doenças renais, danos aos nervos, doenças da retina (retinopatia diabética) e cardíacas. Acredita-se que a precocidade do diagnóstico pode contribuir para a qualidade de vida dos portadores do diabetes.