Os subtipos do HIV-1, utilizados na pesquisa realizada na Tailândia, não são os mais frequentes no mundo. Portanto, versões modificadas da vacina teriam que ser testadas em outras partes do planeta, sugere Edécio Cunha Neto, chefe do Laboratório de Imunologia Clínica e Alergia da Faculdade de Medicina da USP.
O médico afirma que a proteção dessa vacina contra o HIV, verificada nos voluntários tailandeses, pode não ser a mesma em outros grupos vulneráveis que têm importante participação na transmissão da doença em países ocidentais – como os homossexuais do sexo masculino, por exemplo. Isso se deve ao fato de o vírus HIV ter uma grande capacidade de mutação. Numa única pessoa infectada, é possível encontrar vários vírus que vão se modificando com o tempo.
Mesmo assim, Cunha Neto se mostra otimista. “Foi a primeira vacina com resultados positivos. O estudo dos mecanismos imunológicos desencadeados por ela poderá gerar vacinas mais eficazes”, relata.
Brasil testa vacina contra HIV
Desde 2002 o Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor) da Faculdade de Medicina da USP vem realizando pesquisas que visam ao desenvolvimento de uma vacina contra o HIV, utilizando alguns conceitos inovadores. “Em 2005 ela foi patenteada no Brasil e hoje é patenteada nos Estados Unidos e também na comunidade europeia”, ressalta dr. Cunha Neto.
Ele explica que em testes com camundongos – inclusive com sistema imune parcialmente humano –, a vacina mostrou-se capaz de desencadear uma potente resposta imune do tipo celular. Em breve, a vacina deverá ser testada em primatas em colaboração com pesquisadores dos Estados Unidos, o que permitirá avaliar a sua eficácia em um modelo animal. E complementa: “Caso os resultados sejam positivos, teremos a possibilidade de fazer testes em voluntários”.
