No Brasil, 16% da população acima dos 15 anos fuma. O cigarro, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), é responsável por cerca de 200 mil mortes por ano; ocasionando mais de 27 mil casos de câncer de pulmão e mais de 14 mil casos de câncer na cavidade oral todos os anos.
Existem hoje, no Brasil, cerca de 800 unidades de atendimento gratuito com programas para quem pretende parar de fumar, distribuídas em 500 municípios. Em 2010, estima-se que serão 3,3 mil postos de atendimento, distribuídos em 1,2 mil cidades, segundo informações do Ministério da Saúde.
Para muitos fumantes parece impossível parar de fumar, pois acreditam que isso é possível somente por força de vontade. Esses fumantes tentam parar inúmeras vezes sem ajuda terapêutica, sofrem demasiadamente e não conseguem, ou conseguem por um determinado tempo, mas acabam voltando. “A grande maioria dos fumantes, bem como não fumantes e também muitos profissionais da saúde, infelizmente não encaram o tabagismo como dependência química. No entanto, para parar de fumar é preciso mais do que força de vontade, ou simples decisão, é preciso tratamento especializado. Somente com tratamento adequado é possível parar de fumar definitivamente, sem sofrimento e com tranquilidade”, explica Dra. Ana Luiza Oliveira Prado Souza, uma das coordenadoras do Programa de Abandono do Tabagismo com Acompanhamento Científico “Viva Livre”.
O tabagismo é uma doença?
O tabagismo é um importante fator de adoecimento, sendo um dos principais motivos da aposentadoria precoce e uma das principais causas evitáveis de mortes prematuras no mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).
“O tabagismo é uma doença porque a nicotina, uma das substâncias presentes no cigarro, é uma droga que causa dependência química e psíquica”, esclarece a coordenadora do programa “Viva Livre”. O fumante fuma com regularidade em busca da dose diária de nicotina. Na ausência da substância (nicotina) no organismo do fumante, iniciam-se sinais e sintomas da síndrome de abstinência química e psíquica, extremamente desconfortáveis como falta de concentração, irritabilidade, alteração na pressão arterial, ansiedade, que leva o fumante a necessariamente ter que acender um novo cigarro para entregar mais nicotina ao organismo e amenizar os sintomas da abstinência. Torna-se um ciclo, e a intensidade e frequência varia de acordo com o grau de dependência de cada fumante.
Tratamento para parar de fumar
Existem inúmeras propostas de tratamento para tabagismo, porém, hoje, a mais indicada e recomendada pelos centros de referência de saúde nacional, como Instituto Nacional de Câncer (Inca), e internacional, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a associação de terapia cognitivo comportamental (que tem como objetivo identificar e corrigir padrões de pensamento conscientes e inconscientes) associada à terapia medicamentosa.
Média de gastos para o tratamento
Para um tratamento particular, o fumante gastará em torno de R$ 2.500 a R$ 2.900 reais, estando incluso o valor da consulta com o profissional que conduzirá o tratamento, consulta com Pneumologista, exames e todo o conteúdo do protocolo de acompanhamento profissional semanal, quinzenal e mensal num período total de 06 meses. O valor da medicação se encontra entre R$ 300,00 e R$ 900,00 reais. Entretanto, se você tiver plano de saúde deve entrar em contato com a prestadora de serviço e verificar o que seu plano cobre; pois alguns planos cobrem consultas e exames. Se achar o investimento caro, uma opção é procurar unidades de saúde das prefeituras que oferecem tratamentos gratuitos.
Média de tempo para uma pessoa parar de fumar
A média de tempo vai depender de qual tratamento será feito. No programa de tratamento do tabagismo Viva Livre o fumante para de fumar antes do término do primeiro mês de tratamento. O tratamento completo acontece em seis meses, sendo os dois primeiros a fase de tratamento e os quatro últimos como manutenção.
Lei Antifumo
Entrou em vigor em 2009 a lei antifumo, a qual já funciona em pelo menos quatro estados do país. A lei antifumo incentivou parte da população a procurar tratamentos para deixar o vício. A proibição do fumo em locais públicos, segundo especialistas, levou muita gente a acreditar na capacidade de deixar o cigarro.
“Com relação à lei que restringe o fumo em locais fechados, públicos e privados, a mídia tem procurando ouvir a população sobre o que ela pensa a respeito. Parece que uma grande parcela de pessoas não fumantes, profissionais da saúde e os próprios políticos do poder legislativo, acredita que com o vigor da lei, além da melhoria da qualidade do ar em locais fechados, os fumantes de certa forma serão favorecidos, pois devido à dificuldade para fumar e até o constrangimento por terem que fumar em calçadas ou em lugares pouco confortáveis, vão enfim se decidir pelo abandono do vício”, conta. Segundo pesquisas, mais de 80% dos fumantes atualmente desejam parar de fumar, porém menos de 3% conseguem sem tratamento.
Para a maioria da população e inclusive para muitos profissionais da área da saúde, o ato de parar de fumar ainda é uma simples questão de escolha, força de vontade ou de decisão de quem fuma. “Como profissional da saúde, coordenando em Curitiba o Programa de Tratamento do Tabagismo “Viva Livre”, considero que a colocação em vigor dessa lei, como todas as outras que restringem o fumar, podem sim, contribuir para que o fumante evolua num processo de tomada de decisão pelo parar de fumar. Porém, considero que efetivamente o que fará com que o fumante se decida pelo parar de fumar é, primeiro, ter conhecimento, reconhecer o tabagismo como nicotinodependência, como uma doença, e entender que o parar de fumar é muito mais do que uma simples questão de força de vontade, é uma questão de tratamento especializado”, enfatiza doutora Ana Luiza.
Locais que oferecem tratamentopara parar de fumar
No Instituto do Coração (Incor), do Hospital das Clínicas em São Paulo, o tratamento oferecido desde 1996 é um pouco diferente do proposto pelo “Viva Livre”. Como parte do tratamento do Incor são realizados encontros em grupo e acompanhamento psicológico.
O Programa Antitabágico do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP) existe desde 2004 e é aberto a qualquer pessoa.
Em Curitiba há 22 unidades de saúde habilitadas para o tratamento gratuito ao cidadão, entre elas Bairro Novo, Osternack, Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) Boa Vista, Cajuru, entre outros. Os endereços podem ser encontrados no site da prefeitura ou pelo telefone 0800 644 0041.
O Serviço de Check-up do Hospital Santa Cruz, em Curitiba, oferece o Programa de Abandono do Tabagismo com Acompanhamento Científico “Viva Livre”, que através de Metodologias Preconizadas e Recomendadas pela Organização Mundial da Saúde, tem por objetivo tratar quem deseja parar de fumar.
Mais informações:
Viva Livre – Tratamento do Tabagismo
Dra. Ana Luiza Oliveira Prado Souza
Dra. Andréa Carraro de Oliveira Badin
(Coordenadoras do Viva Livre)
41 33123999 Curitiba
43 33451921 Londrina
08004001921 São Paulo
