Estudo publicado pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, afirma poder prever com maior precisão quais embriões fertilizados in vitro têm mais chances de sobreviver no útero da mãe. Observando a velocidade da divisão celular do óvulo fecundado, os cientistas notaram que os que se desenvolviam num ritmo determinado tinham maiores chances de sobrevivência no endométrio, sob a forma de blastocistos.
Como funciona a fertilização
Na fertilização in vitro, em que o óvulo é fecundado fora do corpo da mulher, espera-se que o embrião desenvolva de quatro a oito células para que seja transferido para o útero. Como não há certeza de que aquele embrião vai se desenvolver, são implantados mais de um embrião no endométrio feminino. Os blastocistos, por sua vez, são embriões com maior divisão celular – cerca de 100 células –, o que acontece no quinto dia após a fecundação.
Gilberto Freitas, especialista em medicina reprodutiva pela King’s College, de Londres, acredita que a pesquisa auxilará a prever qual embrião se tornará um blastocisto: “na maioria das vezes, a transferência para o útero se dá no terceiro dia após a fertilização, antes, portanto do embrião se tornar um blastocisto. O estudo feito nos Estados Unidos abre caminho para a biopsia do embrião, o que ajuda a prever qual embrião se tornará um blastocisto ainda no segundo dia após fertilização”, afirma o médico que é membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), e da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE, na sigla em inglês).
Indicações
É importante salientar que a biopsia do embrião é um método invasivo, conforme lembra Freitas, e deve ser aplicado em casos específicos. “Existem alguns casos específicos em que o método é indicado, como pacientes em idade materna avançada, acima de 40 anos ou doença genética na família, como a Distrofia Muscular de Duchenne, em que é possível diagnosticar o gene no embrião antes de implantá-lo na futura mãe”, alerta o especialista.
