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Diferenças e semelhanças entre os vírus HIV-1 e HIV-2

Uma das principais dificuldades de se combater o vírus HIV, agente causador da Aids, é a sua grande capacidade de mutação. Isso se deve a uma enzima presente no vírus chamada transcriptase reversa. “Esta enzima é responsável pela conversão para uma fita dupla de DNA do material genético viral originalmente na forma de fita simples de RNA. Este passo é necessário para que o vírus possa ser integrado ao DNA da célula, o que permite que o vírus se multiplique utilizando-se de mecanismos celulares”, explica Fábio Eudes Leal, infectologista da Universidade de São Paulo (USP) e do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids Santa Cruz, também de São Paulo.

Tipos de vírus HIV

São dois tipos de vírus HIV reconhecidos pela literatura, o HIV-1 e o HIV-2. Embora o tipo 1 seja o de maior incidência em todo o mundo, já existem ocorrências do vírus tipo 2, que é igualmente letal, embora tenha uma taxa de replicação menor, ou seja, produz menos células de si mesmo. Produzindo menos partículas virais no organismo, diminuem as chances de transmissão desse tipo de vírus para outra pessoa.

Os vírus HIV-1 e HIV-2 são variações do mesmo vírus. Isso implica em que haja várias semelhanças entre eles, como:

  • o modo de transmissão é o mesmo (relação sexual, agulhas infectadas, transmissão de sangue etc); e
  • as pessoas contaminadas com um ou outro vírus estão sujeitas às mesmas infecções.

Porém há também algumas diferenças entre os dois, como:

  • a incidência de HIV-2 e HIV-1 varia nas diferentes regiões do mundo;
  • pessoas infectadas com HIV-2 têm menos capacidade de transmitir a doença na sua fase inicial que as pessoas infectadas com o HIV-1; e
  • a frequência de pacientes assintomáticos contaminados com HIV-2 por maiores períodos de tempo é maior se comparada com pacientes de HIV-1.

No entanto, uma das grandes preocupações sobre o vírus HIV-2 é a sua resistência aos aintirretrovirais existentes. “O HIV-2 é intrinsecamente resistente a duas classes de medicações usadas no tratamento do HIV-1. Os não-análogos da transcriptase reversa e os inibidores de fusão/entrada.  Portanto, estas drogas não devem ser usadas no tratamento de pacientes portadores de HIV-2”, alerta o especialista.

Infecção conjunta

Ainda que o índice de transmissão do HIV-2 seja menor que o do HIV-1, é de suma importância não descuidar com os cuidados com a prevenção, mesmo entre pessoas portadoras de um ou outro vírus, para evitar o que se chama de infecção conjunta ou superinfecção. Os especialistas são unânimes em afirmar que mesmo em relações entre pessoas soropositivas, a camisinha deve ser usada.

Diagnóstico tardio da Aids aumenta o índice de mortalidade do paciente

Embora os números relacionados à Aids no Brasil tenham, num panorama geral, se estabilizado nos últimos anos, um dado publicado em janeiro de 2011 pela Universidade de São Paulo (USP) ainda é preocupante. Segundo pesquisa conduzida pelo especialista, Alexandre Grangeiro, 40% da mortalidade de Aids está relacionada ao diagnóstico tardio da doença.

Ainda que os dados do Ministério da Saúde (MS) mostrem que a sobrevida de pacientes com Aids tenha dobrado nos últimos anos – saltou de quatro anos e nove meses em 1995 para nove anos em 2008, e que a epidemia siga estável no país, com uma média de 20 casos a cada 100 mil habitantes, com uma especial redução de casos entre crianças menores de cinco anos – a detecção tardia da enfermidade ainda é um fator que precisa ser combatido.

Diagnóstico de risco

De acordo com a pesquisa da USP, o perfil dos pacientes que recebem o diagnóstico tardio da doença é em sua maioria homens, com faixa etária acima de 40 anos, residente nas regiões Norte e Nordeste.

Contribuem para o diagnóstico tardio tanto a dificuldade em acesso a alguns serviços de saúde por parte da população, em especial pelo perfil traçado no estudo, e a consequente demora no retorno do exame e a resistência que a sociedade ainda tem em procurar ajuda médica pelo estigma que a doença ainda envolve, conforme afirma o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Dirceu Greco.

Tarde demais

Traduzindo em números, uma pessoa que inicia tardiamente o tratamento tem 49 vezes mais chances de morrer do que alguém que inicia no tempo adequado. De acordo com a mecânica usada na pesquisa, é considerado tardio o diagnóstico do paciente que já apresenta um comprometimento do sistema imunológico, uma contagem das células CD4 inferior a 200 células/mm³ ou uma doença associada à Aids.

Por outro lado, o fim do diagnóstico tardio traria uma grande redução na mortalidade por Aids, equivalente à obtida com o início do uso dos remédios antiaids, como avalia o pesquisador responsável pelo estudo da USP, Alexandre Grangeiro. Com os antirretrovirais, a taxa de mortalidade pela doença foi reduzida em 43%. Se o diagnóstico tardio fosse superado, essa queda poderia chegar a 62,5%. “A identificação de pacientes poderia ter poupado a vida de 17 mil pessoas em quatro anos”.

Hemofilia: causa e consequência

A hemofilia é uma doença de ordem genética e hereditária que causa um problema de coagulação no sangue. Esse distúrbio é causado pela falta de uma substância normalmente presente no sangue, chamada de fator de coagulação. De acordo com a deficiência desse fator, se classifica o tipo de hemofilia em A, por deficiência do fator VIII; ou B, por deficiência do fator IX.

Segundo dados do Ministério da Saúde, existem cerca de 8 mil pessoas que sofrem de hemofilia no Brasil, em sua grande maioria do sexo masculino. Isso porque a doença é transmitida pelo cromossomo X – homens têm o cromossomo XY enquanto mulheres têm XX.

Existem dois tipos de hemofilia de acordo com o fator que falta no sangue e que faz com que ele coagule: a hemofilia do tipo A e a hemofilia do tipo B.

Sintomas da doença

Um dos principais sintomas é o sangramento, mas, ao contrário do que muitos pensam, nem sempre são espontâneos. De acordo com a médica, Sandra Vallin Antunes, coordenadora do serviço de hemofilia da Universidade de São Paulo (UNIFESP), os sintomas variam conforme a gravidade da doença. O paciente grave tem apenas 1% do fator circulante e pode ter sangramentos espontâneos. “Já o paciente moderado, com 1% a 5% de fator circulante, sangra um pouco menos; e o paciente leve, com 5%, precisa de um trauma para sangrar”, afirma a especialista.

O sintoma mais comum da hemofilia é o sangramento intra-articular, ou hemartrose, típica nos pacientes com doença grave e moderada. Esse sangramento afeta mais comumente as articulações de cotovelo, joelho, tornozelo e ombro.

Perspectivas para hemofilia

Atualmente, as previsões para o paciente com hemofilia são bem mais positivas do que há 40 anos. Segundo a especialista, já se pode acreditar que uma pessoa com hemofilia tenha a mesma expectativa de vida que a população em geral. O paciente leva uma vida normal, com poucas restrições: “Pode praticar atividades físicas sim, mas recomendamos que evite aquelas mais radicais, que gerem muito contato físico”.

No Brasil, o tratamento da doença é feito com hemoderivado do plasma e recombinantes concentrados de fator plasma em demanda, aplicados via endovenosa. “Isso significa que o paciente aplica quando sabe que necessitará do fator coagulante. Por exemplo, se vai ao dentista, ela previamente administra a medicação”, explica Sandra.

Nanocarregador pode potencializar medicamento para combater câncer de pele

Assim como desenvolver medicamentos cada vez mais eficazes é igualmente importante estudar métodos para potencializar seu uso. Nesse sentido, a nanotecnologia tem sido cada vez mais utilizada e as pesquisas brasileiras têm se destacado no uso desses processos. Agora, um novo projeto, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), busca desenvolver um sistema nanocarregador capaz de transportar fármacos utilizados no tratamento de câncer de pele até o local de ação, para melhorar sua eficácia. A possibilidade dessa tecnologia patenteada permite desenvolver carregadores para outras doenças, além de atuar em outras áreas, como em alimentos, cosméticos e produtos de higiene pessoal.

De acordo com Natália Cerize, pesquisadora do Laboratório de Processos Químicos e Tecnologia de Partículas (LPP) e uma das responsáveis pelo desenvolvimento do trabalho no IPT, “o nanocarregador desenvolvido confere proteção do princípio ativo incorporado contra a degradação, aumento da estabilidade, melhoria da biodisponibilidade e facilita a permeação na pele”.

Os dispositivos foram testados in vitro em células para verificar sua toxicidade, e, em testes animais, realizadas com o auxílio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), demonstraram que, em uma primeira fase, o agente incorporado ao nanocarregador consegue ser transportado até a lesão sem toxidade renal ou hepática. Isso contribui para a continuação dos testes e uma posterior fase clínica com cobaias humanas.

A tecnologia empregada nos nanocarregadores tem potencial de ser desenvolvido em escala industrial, o que viabilizaria em um futuro próximo o desenvolvimento de produtos em escala nanométrica.

Alecrim-pimenta pode impedir propagação da bactéria da listeriose

A planta Lippia sidoides, denominada popularmente por alecrim-pimenta, alecrim-grande ou estrepa-cavalo, é um vegetal em forma de arbusto, originário da região nordeste do Brasil. Ela é conhecida por algumas propriedades antissépticas e antimicrobianas, além de combater terapeuticamente doenças como acne, piolhos, caspa, aftas e inflamações na boca e garganta.

Agora, uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), pode acrescentar à lista de benefícios mais uma utilização do alecrim-pimenta. Estudos com o extrato vegetal da planta em tipos diferentes de pescado apresentaram uma atividade inibitória da bactéria Listeria monocytogenes, responsável pela listeriose, um tipo de infecção alimentar.

Segundo Fernanda Barbosa dos Reis, pesquisadora responsável pelo estudo, foram analisados três tipos de pescado: caldo de peptona de peixe, um meio de cultura que mimetiza o ambiente encontrado em pescados, caldo do peixe surubim, feito a partir de filés, e homogeneizado de surubim, que são amostras de filés do peixe defumado e embalado a vácuo.

Ela explica que, devido à resistência da bactéria aos mais diversos estados, foram testadas 14 condições diferentes. “Dentre as formas testadas, as amostras em que foi adicionado o extrato de alecrim-pimenta sozinho apresentaram um efeito inibitório maior no crescimento de Listeria monocytogenes, mostrando que o extrato dessa planta apresenta potencial para ser utilizado na garantia da inocuidade de alimentos prontos para o consumo, como pescados”, esclarece.

A pesquisadora explica que a Listeria monocytogenes é uma bactéria que atinge o trato intestinal e a mucosa, se ingerida oralmente, mas que também pode afetar o cérebro e fetos, passando através da placenta: “as manifestações da listeriose podem incluir septicemia, meningite, infecção intrauterina em gestantes. Podem ocorrer sintomas semelhantes a um resfriado, como febre, e também sintomas gastrointestinais, como náusea, vômito e diarreia”.

Ainda segundo ela, o tratamento para a literiose é feito basicamente com antibióticos como a penicilina e a ampicilina. “a maioria dos casos de listeriose são esporádicos, no entanto, a infecção por Listeria monocytogenes pode causar alta taxa de mortalidade. Quando ocorre meningite, a taxa de mortalidade pode chegar acima de 70%, em infecções neonatais acima de 80% e em casos de septicemia até 50% de mortalidade. Já em infecções durante a gravidez pode ocorrer aborto”, informa Fernanda.

Pesquisadores brasileiros estudam tipos de câncer cerebral

Glioma é todo o tipo de câncer originário na glia, células não-neuronais do sistema nervoso central, responsáveis pela nutrição e suporte dos neurônios. São tumores raros e classificam-se quanto ao seu aspecto e gravidade. A medicina atual conhece muito pouco a respeito do mecanismo de desenvolvimento dessa doença, assim como de outros tipos de câncer cerebral. O que se sabe é que são raros e, quase sempre, fatais.

Entretanto, recentes estudos com tecidos e pequenos animais vivos, realizados nos últimos anos por pesquisadores brasileiros, constataram que certos tipos de ácidos graxos poli-insaturados (AGPI) não só induzem a morte celular do tumor, como também inibem o crescimento do câncer e tornam a quimioterapia e a radioterapia mais eficazes.

De acordo com informações da agência Fapesp, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a partir do entendimento do metabolismo desse tipo de neoplasia, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) pretendem desenvolver medicamentos antitumorais com base em AGPIs como os eicosanóides e os ácidos gama-linoléicos. A pesquisadora Alison Colquhoun apresentou, durante o 15º Congresso da Sociedade Brasileira de Biologia Celular, um resumo dos avanços nas pesquisas de sua equipe acerca deste tema, que será discutido em um artigo publicado na edição da revista especializada Molecular Neurobiology.

A pesquisadora desenvolve estudos a respeito do metabolismo das células tumorais durante toda a sua carreira, mas, nos últimos cinco anos, o foco das pesquisas foi redirecionado aos gliomas e outros tumores cerebrais. Alison mencionou que seu interesse por essa área de pesquisa vem da dificuldade de se obter material para estudar o assunto e de tratar esse tipo de doença, o que exemplifica o avanço do Brasil nas pesquisas relacionadas ao câncer cerebral.

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