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Câncer de tireóide: o câncer curável


Uma das principais glândulas do organismo, a tireóide é responsável por regular funções essenciais do nosso corpo, como o crescimento, digestão e especialmente o metabolismo. Mas assim como as demais partes do organismo, as células da tireóide também estão sujeitas a mutações, que quando se transformam em células malignas, podem dar origem a um tumor, o chamado câncer da tireóide.

O câncer da tireóide é uma neoplasia um tanto quanto rara e com baixo índice de mortalidade. Segundo o cirurgião de cabeça e pescoço Sergio Samir Arap, gerente médico do Centro Cirúrgico do Hospital Sírio Libanês, a chance de cura deste tipo de câncer é de quase 98%: “não existe nenhum outro tipo de câncer tão bem tratável”, afirma.

Diagnóstico do câncer

 

O avanço da medicina tem possibilitado diagnósticos mais precisos para casos de tumor de tireóide.  Em geral o paciente percebe um nódulo na região da tireóide, que se encontra na altura da garganta. “Mas é preciso estar atento. Nem sempre um nódulo significa um câncer na tireóide. Um nódulo pode inclusive ser sinal de bócio”, atenta o cirurgião Arap.

O diagnóstico desse tumor deve ser feito por um especialista, de preferência um endocrinologista ou um especialista em cabeça e pescoço, que submeterão o paciente a um ultrassom com estudo Doppler para analisar se o nódulo em questão é ou não maligno.

Tratamento

 

Ao contrário dos demais tipos de câncer, que usam a quimioterapia como principal tratamento, no caso do câncer de tireóide o mais indicado é a remoção da glândula. “A principal função da tireóide é controlar o metabolismo do corpo. Quando ela é retirada, quem faz o seu papel é o hormônio de caixinha, ou seja, o hormônio sintético. É muito mais fácil e prático retirar a glândula do que submeter o paciente ao tratamento agressivo da quimioterapia”, afirma Arap.

E para evitar a recorrência do câncer, alguns procedimentos precisam ser tomados logo após a cirurgia, como a pesquisa do corpo inteiro. “Essa pesquisa faz uma espécie de imagem do paciente, através de iodo radioativo, como uma radioterapia de dentro para fora. É usada para os casos em que o câncer tenha saído da tireóide e espalhado pela região do pescoço. Com esse método, minamos qualquer resquício de câncer”.

 

 

Novas tecnologias

Hoje são propostos outros procedimentos para a retirada da tireóide, como por endoscopia ou através de uma pequena incisão atrás da orelha. O médico Sergio Arap pondera: “o corte feito para a retirada da glândula é pequeno, cerca de 3 cm, e essas  novas técnicas ainda não se mostraram tão seguras quanto a tradicional”.

Novo medicamento para combater câncer de próstata

Um medicamento comumente usado para infecções fúngicas das unhas e outros órgãos pode ser utilizado para o tratamento de câncer de próstata avançado. Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, estão avaliando a possibilidade de usar a droga itraconazol como alternativa para o tratamento com quimioterápicos.

Atualmente, o tratamento de câncer de próstata em estágio avançado é feito com terapia hormonal e, quando não há uma resposta positiva para ela, inicia-se a quimioterapia, que é um método mais agressivo.

Porém, os pesquisadores da universidade americana, ao vasculharem um banco de dados com informações referentes a mais de três mil medicamentos, observaram que o itraconazol tinha a característica de bloquear o crescimento dos vasos sanguíneos que alimentavam o tumor, mostrando-se como alternativa à quimio.

Metodologia de estudo

Os estudiosos analisaram os efeitos do antifúngico em um grupo de pacientes portadores de câncer de próstata metástico – aquele que já se espalhou em outros órgãos. Foi aplicada uma dose diária de itraconazol, em quantidades distintas, no grupo de pacientes, e observou-se que apenas dois dos 17 pacientes (11,8% da amostra) que receberam baixas doses da droga apresentaram um PSA (antígeno que específico da próstata) estável ou em declínio.

Já entre os 24 que receberam altas doses da substância, 11 tiverem níveis de PSA estáveis ou reduzidos em 30% ou mais. Pacientes que não receberam itraconazol tiveram uma piora em seus níveis de PSA.

Alguns efeitos colaterais também foram observados, como aumento na taxa de potássio no sangue, hipertensão e retenção de líquidos. Mas esses efeitos foram minimizados com o uso de medicamentos para atenuar esses sintomas.

Outra importante descoberta feita pelo grupo de cientistas da Universidade Johns Hopkins foi a capacidade do medicamento de reduzir o nível de células tumorais circulantes presentes no sangue. Do grupo avaliado, 12 dos 14 homens que receberam altas doses de itraconazol apresentaram essa estatística. O próximo passo é realizar estudos em um grupo maior de homens para comprovar a eficácia da substância antes de tentar comercializá-la.

Nanotecnologia usada para combater o câncer

A nanotecnologia é mais uma vez usada em pesquisas de combate ao câncer. Cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, utilizaram a técnica para construir uma pequena cápsula e nele inserir uma proteína a qual eles descobriram que tem um poderoso efeito sobre o sistema imunológico humano.

A proteína é a quimiocina CCL21 e, uma vez depositada através desse nanorecipiente sobre o tumor, atua em conjunto com as defesas naturais do organismo para combater o crescimento do câncer, reconhecendo e atacando as células cancerosas.

Os estudos foram realizados com câncer de pulmão, que segundo Leonard Rome, coautor da pesquisa, têm o funcionamento do sistema imunológico deprimido. “O que queríamos era despertá-lo, encontrar uma maneira de fazê-lo perceber o câncer e atacá-lo”, afirma. Os pesquisadores também demonstraram entusiasmo para utilizar o procedimento em outros tipos de câncer.

Histórico

A pesquisa começou com estudos alternativos ao tradicional tratamento do câncer, a quimioterapia, baseado em remédios. Ao invés de atacar o tumor, os cientistas pensaram em formas de o organismo se defender do câncer, um tratamento chamado de imunoterapia.

As grandes vantagens desse tratamento são a ausência dos efeitos colaterais causados pelos quimioterápicos e o fortalecimento do sistema imunológico, que poderá por si só, combater a propagação de células do tumor pelo corpo.

Saiba mais sobre a radioterapia

Entre os tratamentos mais comuns para se combater o câncer está a radioterapia. Especialidade médica que envolve o uso de radiações ionizantes para atingir células específicas, a radioterapia é aplicada para tratar especialmente tumores malignos, podendo, em alguns casos, ser usada para o tratamento de doenças benignas como quelóides e pterígios.

O tratamento pode ser usado em todos os tipos de câncer, sem distinção, porém com diferentes finalidades: curativa ou paliativa, para aliviar os sintomas da doença, conforme explica o médico Carlos Manoel Mendonça de Araújo, chefe do Serviço de Radioterapia do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Pode ser usada, também, de maneira isolada ou em conjunto com a quimioterapia.

Como funciona

Os raios de alta energia usados no tratamento radioterápico combatem o câncer de duas maneiras: “A primeira é atingindo as células doentes e provocando um dano letal com  o consequente desaparecimento do tumor. A segunda é impedindo o crescimento do tumor e, portanto, controlando o avanço da doença”, explica o médico.

Os raios atingem todas as células da região, saudáveis ou não. A diferença é que as células saudáveis se recuperam facilmente, enquanto as células doentes são destruídas ou lesadas, afetando assim a sua capacidade de se reproduzir. “A aplicação do tratamento é simples indolor e rápida, normalmente demora de um a três minutos. O paciente fica durante esse tempo de aplicação em uma sala, monitorado por câmeras de vídeo e imediatamente quando termina o tratamento ele pode retornar a suas atividades normais, ir as compras, ao trabalho ou seja o que for. Não há necessidade de isolamento para a maioria dos tratamentos com radiação nem restrição de contato com adultos ou crianças”, comenta o chefe do serviço de radiologia do Inca.

Efeitos colaterais

Como todo tratamento médico, a radioterapia também está sujeita a causar alguns efeitos colaterais, que variam conforme o local que está sendo tratado – diferentemente da quimioterapia, por exemplo. “Quando tratamos o intestino, por exemplo, o paciente pode ter diarréia. Se o local tratado é a cabeça, o cabelo pode cair. Se o tratamento é na boca pode-se esperar redução temporária do paladar ou redução da salivação”, exemplifica Araújo.

Panorama brasileiro

O tratamento radioterápico é oferecido pela maioria das empresas de seguro privado e também pelo Sistema Único de Saúde (SUS), porém nem todos hospitais estão cobertos com equipamentos de radioterapia oferecidos pelo governo. “O custo de instalação de um serviço de radioterapia é muito alto porque não existem equipamentos nacionais. Desta forma, um tratamento feito sem o suporte do SUS ou de uma empresa de convênio é caro para a maioria das pessoas. Este ano são esperados no Brasil perto de 500 mil novos casos de câncer e perto de 300 mil dessas pessoas vão precisar de radioterapia. O número de serviços existentes, apesar dos esforços do governo, ainda não é suficiente para atender a toda a população que precisa desse tratamento”, afirma Carlos Manoel Mendonça de Araújo.

Pesquisadores brasileiros estudam tipos de câncer cerebral

Glioma é todo o tipo de câncer originário na glia, células não-neuronais do sistema nervoso central, responsáveis pela nutrição e suporte dos neurônios. São tumores raros e classificam-se quanto ao seu aspecto e gravidade. A medicina atual conhece muito pouco a respeito do mecanismo de desenvolvimento dessa doença, assim como de outros tipos de câncer cerebral. O que se sabe é que são raros e, quase sempre, fatais.

Entretanto, recentes estudos com tecidos e pequenos animais vivos, realizados nos últimos anos por pesquisadores brasileiros, constataram que certos tipos de ácidos graxos poli-insaturados (AGPI) não só induzem a morte celular do tumor, como também inibem o crescimento do câncer e tornam a quimioterapia e a radioterapia mais eficazes.

De acordo com informações da agência Fapesp, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a partir do entendimento do metabolismo desse tipo de neoplasia, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) pretendem desenvolver medicamentos antitumorais com base em AGPIs como os eicosanóides e os ácidos gama-linoléicos. A pesquisadora Alison Colquhoun apresentou, durante o 15º Congresso da Sociedade Brasileira de Biologia Celular, um resumo dos avanços nas pesquisas de sua equipe acerca deste tema, que será discutido em um artigo publicado na edição da revista especializada Molecular Neurobiology.

A pesquisadora desenvolve estudos a respeito do metabolismo das células tumorais durante toda a sua carreira, mas, nos últimos cinco anos, o foco das pesquisas foi redirecionado aos gliomas e outros tumores cerebrais. Alison mencionou que seu interesse por essa área de pesquisa vem da dificuldade de se obter material para estudar o assunto e de tratar esse tipo de doença, o que exemplifica o avanço do Brasil nas pesquisas relacionadas ao câncer cerebral.

Jevtana® combate o câncer de próstata hormônio-refratário

Já está disponível no portal Medicsupply o medicamento Jevtana® (cabazitaxel) usado no tratamento de câncer de próstata hormônio-refratário (mHRPC, sigla em inglês) e recentemente aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão fiscalizador dos Estados Unidos.

“A comunidade médica especializada em câncer de próstata está eufórica por ter uma nova opção de tratamento para pacientes que sofrem com essa doença, tão difícil de se tratar”, afirmou Oliver Sartor, professor pesquisador da Tulane Medical School, em Nova Orleans. “Jevtana® vai preencher uma lacuna no tratamento crítico à doença, já que é o primeiro tratamento aprovado para pacientes com esse estágio de câncer de próstata hormônio-refratário”, acrescentou. Antes do medicamento, não havia uma segunda linha de tratamento disponível à hormonioterapia e à quimioterapia, primeiras opções para combater o progresso da doença.

De acordo com o laboratório Sanofi-Aventis, que produz o medicamento, Jevtana® é um inibidor de microtúbulos, estruturas protéicas que fazem parte do citoesqueleto das células e é utilizado em combinação com a prednisona para tratar pacientes com mHRPC, previamente tratados com regime baseado em docetaxel, agente antineoplásico usado no combate a diversos tipos de câncer. O medicamento é usado na forma de injeções.

Consulte seu médico sobre o uso de Jevtana® e confira a página do medicamento no portal da Medicsupply.

Doe Palavras: Um recado de apoio a pacientes com câncer

Cada vez mais se buscam maneiras de humanizar o tratamento hospitalar. Uma prática que se popularizou com o médico norteamericano Patch Adams (cuja vida virou filme protagonizado pelo ator Robin Williams). Independente da metodologia, oferecer algum tipo de alento a pacientes, principalmente com câncer, tem sido a preocupação de médicos inovadores. Pensando nisso, o Instituto Mario Penna, em Belo Horizonte (MG), especializado no combate ao câncer, criou uma campanha que busca solidariedade no universo virtual da internet: o projeto Doe Palavras. Trata-se de um perfil da rede social de microblogs twitter que arrecada mensagens de apoio dos internautas para os pacientes que estão passando por tratamentos oncológicos.

Começa com um médico responsável que conta no twitter quem está na sala de quimioterapia. A partir daí, os seguidores do perfil do projeto mandam mensagens positivas para eles, que são veiculadas em televisores instalados dentro dos hospitais Mario Penna, Luxemburgo e Casa de Apoio Beatriz Ferraz, que compõem o instituto. Segundo o superintendente geral da instituição, Cássio Eduardo Rosa Resende, a reação tem sido positiva. “As mensagens, de uma forma geral têm caráter mais impessoal, ou seja, valem para todos que estão se tratando no instituto, mas, em alguns momentos, conseguimos mensagens bem diretas a partir da divulgação dos nomes de pacientes que estão lendo os textos naquele momento. Isso toca muito os pacientes”, relata. Ele completa dizendo que, embora não tenha sido feito uma pesquisa sobre o efeito dos recados, as conversas com médicos, enfermeiras e familiares dos pacientes mostram que estão todos animados. “Eles notaram, sim, uma melhora no processo”, afirma.

A campanha está ganhando visibilidade. Embora a maioria das mensagens seja de pessoas comuns, alguns notórios do meio artístico e corporativo contribuem com seus recados. Nomes como o do empresário Abílio Diniz, da rede Pão de Açúcar, da atriz Priscila Fantin, do apresentador Pedro Bial, e até mesmo o vice-presidente da república, José Alencar, dão suas contribuições regularmente.

Os realizadores consideram a empreitada um sucesso. “O projeto nem completou dois meses e já temos 235 mil mensagens. Então podemos dizer que foram mais de 100 mil mensagens por mês”, explica Resende. O próximo passo, segundo ele, é compilar algumas das melhores mensagens para a publicação de um livro que será entregue a outras instituições e hospitais que também se dedicam a combater o câncer.

Mais informações sobre o projeto Doe Palavras podem ser encontradas no site http://www.doepalavras.com.br/ e no twitter http://twitter.com/doepalavras.

Tratamento com acupuntura ganha adesão no Icesp

O Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) está utilizando a acupuntura como terapia auxiliar a pacientes com câncer que estão em fase de tratamento. A medida é parte da abordagem multidisciplinar que o instituto oferece aos pacientes em seu setor de reabilitação e tem como objetivo principal tratar os efeitos colaterais da quimioterapia. De acordo com dados da assessoria de imprensa do Icesp, os sintomas mais combatidos com a nova terapia são náuseas, vômitos, insônia e boca seca provocada pela redução na produção de saliva.

A acupuntura está sendo bem recebida pela comunidade médica e pelos pacientes do instituto, segundo a Dra. Christina May Moran de Brito, coordenadora médica do serviço de reabilitação. Ela conta que esse tipo de tratamento tem ganhado muito espaço nos meios acadêmicos ocidentais nos últimos vinte anos. “Há uma série de estudos e revisões científicas publicados nos últimos anos que dão suporte para sua utilização como tratamento adjuvante de sintomas que frequentemente acometem os nossos pacientes, não apenas relacionados à quimioterapia, mas, também, ao câncer em si e outros tratamentos que se façam necessários”, diz. Ainda segundo ela, a nova terapia tem cobertura pelo SUS (Sistema Único de Saúde). E completa: “A grande vantagem da acupuntura é a baixa incidência de efeitos colaterais, sendo considerado um tratamento seguro”. O método é utilizado em pacientes que não respondem aos métodos medicamentosos para reduzir os efeitos colaterais e são indicados ao setor após avaliação de um fisiatra e um clínico geral.

O tratamento com acupuntura é recente no Icesp e atualmente tem capacidade para atender cerca de duzentos pacientes por mês.

Câncer de mama e gravidez

Uma das partes do corpo que as mulheres mais se preocupam durante a gestação são as mamas: elas serão responsáveis pela alimentação do bebê após o parto, e representam a relação mãe e filho. Como proceder quando a grávida apresenta câncer de mama? Apesar de não ser muito comum – apenas 1% dos casos de câncer de mama antes dos 50 anos surgem durante a gravidez – é um quadro que deve ser analisado.

O ginecologista e mastologista, Sérgio Bonatto Hatschbach, do Hospital Erasto Gaertner, de Curitiba (PR), explica que a incidência deste tipo de câncer é muito baixa. “A média é de um caso de câncer de mama a cada cinco mil gestações”. Mesmo assim, é um dos tipos de câncer que mais acomete mulheres grávidas. “Depois do câncer no colo do útero, o de mamas é o que mais vemos numa situação de gravidez”, afirma o médico. Uma situação que pode levar ao aumento desses casos é a gestação tardia. “A decisão da mulher de engravidar cada vez mais tarde contribui para esse quadro, pois quanto mais velha, mais a mulher se aproxima da faixa etária de risco de câncer de mama”, explica Hatschbach.

Diagnóstico e tratamento

Quando o tumor surge durante a gravidez, o diagnóstico se torna um pouco mais complicado. “Durante a gravidez o volume das mamas aumenta e o tecido mamário se torna mais consistente. Isso dificulta o diagnóstico clínico e a mamografia é contra indicada na gravidez por se tratar de um exame radiológico”, analisa o médico. Por isso, a atenção no autoexame deve ser redobrada durante a gravidez.

Identificado o câncer, é chegada a hora de tratar. “O tratamento deve ser encarado da mesma forma que ocorre com pacientes que não estão grávidas”, explica. O que dificulta é o estágio da gravidez. “No primeiro e no segundo trimestres devemos tomar cuidado com químio e radioterapia, pois o feto ainda está em formação”. Se a gravidez estiver no último trimestre, às vezes, é possível adiar o tratamento até que o feto esteja maduro e o parto possa ser induzido. “Após o nascimento do bebê tratamos o câncer normalmente, apenas a amamentação não é recomendada para evitar a passagem de medicamentos para o recém-nascido”.

Quando uma intervenção é necessária nos primeiros semestres, a indicação é a cirurgia. “Quando é escolhido não retirar a mama, a radioterapia é a opção. Porém, esse tipo de tratamento é contra indicado durante a gravidez, principalmente durante os três primeiros meses”. Sobre os riscos da cirurgia, ela não é feita com anestesia geral – apenas com sedação e, portanto, não oferece risco ao bebê.

Riscos

O doutor Hatschbach complementa que, com o diagnóstico precoce do câncer, os riscos para o feto são mínimos. “É muito raro que você indique o aborto para tratar o câncer de mama, mas, eventualmente, pode ocorrer a interrupção da gravidez – quando a gestação está muito precoce e o quadro do câncer já está avançado, com metástase”, revela. A interrupção só é indicada quando há riscos para a mãe aguardar o término da gravidez. “Mesmo assim essa decisão só é tomada quando há consenso entre médico e paciente”, avalia o médico.

Radioterapia tardia contribui para reicidência do câncer de mama

Um estudo realizado pelo Instituto do Câncer Dana-Faber, em Boston (EUA) revela que mulheres idosas que já tiveram câncer de mama correm risco 19% maior de voltar a ter a doença se demorarem mais do que seis semanas para iniciar a radioterapia após a cirurgia de retirada do tumor.

A pesquisa, publicada no British Medical Journal, pretendia avaliar qual era o intervalo ideal entre a cirurgia de extração do câncer de mama e o início da radioterapia. A pesquisa envolveu mais de 18 mil mulheres, com 65 anos ou mais. Todas foram diagnosticadas com câncer de mama entre 1991 e 2002, submetidas a cirurgia de lumpectomia (sem retirada da mama) e receberam quimioterapia. Destas, 30 % iniciaram o tratamento com a radiação seis semanas após a cirurgia.

As análises levaram os médicos a constatarem que as mulheres que seguiram este último exemplo estiveram mais suscetíveis a ter um novo câncer na região do que aquelas que receberam radiação antes deste prazo. Do conjunto universo de mulheres pesquisadas, 4% tiveram reincidência da doença. Mas esse índice chegou a 19% entre as pacientes que fizeram radioterapia em um intervalo maior que seis semanas.

A radioterapia é realizada após a cirurgia para destruir as células cancerígenas remanescentes que ficam próximas ao local onde foi retirado o tumor. Para a autora do estudo, Rinaa Punglia, um intervalo seguro entre a cirurgia e a radioterapia é de quatro a seis semanas depois da cirurgia. Geralmente esta parte do tratamento é administrada cinco dias por semana por seis semanas. Punglia afirma ainda que embora o estudo esteja focado em mulheres idosas, as descobertas têm implicações para mulheres mais jovens, cujos tumores são biologicamente diferentes e tendem a ser mais agressivos.

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