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Comer frutas e legumes na proteção contra o câncer pode não ter o efeito esperado

Ingerir legumes e frutas protege contra o câncer menos do que se esperava. Essa é a conclusão de um grupo de peritos da Fundação Mundial de Pesquisa do Câncer e do Instituto Americano para Pesquisa do Câncer, nos Estados Unidos, a partir de uma revisão de estudos já existentes.

As pesquisas, divulgadas no último dia 7 de fevereiro, foram realizadas com 478 mil europeus e sugerem também que a ingestão de duas porções extra de vegetais por dia tinham apenas um pequeno efeito na prevenção do câncer, porém, isso não significa que esses alimentos devam ser excluídos da dieta diária.

De acordo com os pesquisadores, os estudos mostraram que os vegetais não-amiláceos (alimentos sem amido) protegem contra o câncer de boca, laringe, esôfago e estômago, mas não contra outros tipos de câncer.

Segundo eles, se estudarmos os vegetais ricos em amido e vegetais não-amiláceos como um grupo, o efeito benéfico pode não ser detectado, isso porque os benefícios e os danos podem anular-se mutuamente. Além disso, os vegetais podem prevenir câncer de locais específicos, ao invés de todos os cânceres.

Para Fábio Gomes, nutricionista do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o importante é que as pessoas consumam mais alimentos saudáveis e menos aqueles industrializados, que prejudicam a saúde do ser humano e contribuem para o desenvolvimento de alguns tipos de câncer. “Temos células cancerígenas em nosso intestino e comer alimentos saudáveis, além de garantir o bom funcionamento do órgão, também contribui para a eliminação dessas substâncias e a diminuição do risco de desenvolver câncer nessa região”, explica.

Segundo ele, se a população alia-se tanto a alimentação saudável quanto exercícios físicos e ingerir bastante água, o número de casos de câncer poderia diminuir. “Estudos nos mostram que se a população mantivesse esses três passos, de cada cinco casos de câncer, um poderia ser evitado”, conta.

Consumir alimentos como cereais integrais, hortaliças, frutas e beber bastante água são fatores que podem diminuir a possibilidade de incidência da doença. O ideal é que seja consumido pelo menos 400 gramas de frutas, legumes e verduras todos os dias. “Quanto mais consumir, melhor. Mas é importante salientar também que as pessoas devem procurar variar o máximo possível esses alimentos, de forma que não busquem em apenas um a quantidade de nutrientes desejada”, aconselha.

Além disso, uma boa alimentação pode evitar a obesidade tanto na adolescência quanto na vida adulta. Ter uma vida saudável é outro fator que pode ajudar na prevenção de doenças como o câncer.

Outro alimento protetor é o leite materno que beneficia contra o câncer de mama além da mãe, a própria criança. “Por isso, é importante a amamentação até os seis meses de idade. O câncer também deve ser prevenido no início da vida e a amamentação pode ajudar nessa tarefa”.

Segundo dados do Inca, a expectativa é de que este ano cerca de 500 mil novos casos de câncer acometam a população brasileira. Por isso, é importante o consumo diário de legumes e frutas e a prática constante de exercícios físicos para se manter saudável e assim evitar não apenas o câncer, mas outras doenças também.

Cartilha do Inca divulga ações para combater o câncer de mama

O mês de outubro é conhecido como o mês da luta contra o câncer de mama – o Outubro Rosa. Aproveitando o engajamento da população, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) distribuiu uma cartilha com sete recomendações para reduzir a mortalidade por câncer de mama no Brasil, doença que mais mata mulheres no país: são cerca de 11 mil óbitos por ano.

De acordo com Ronaldo Correa, médico da Divisão de Atenção Oncológica do Inca, as recomendações são voltadas para mobilizar os gestores da saúde pública brasileira, a sociedade civil organizada, a mídia, os profissionais de saúde e a população em geral. “São recomendações que salientam a importância da qualidade da informação, das ações de detecção precoce e prevenção, além da qualidade das mamografias. É importante enfatizar que o controle do câncer de mama é um desafio que deve ser enfrentado não somente pelo governo, mas, também, pela sociedade como um todo”, afirma.

Correa explica que as três estratégias fomentadas pelo Inca são importantes para reduzir a mortalidade por câncer de mama em aspectos diferentes. A prevenção do câncer atua nos fatores de risco da doença e ajuda a diminuir o número de novos casos e, consequentemente, de mortes. A detecção precoce do câncer, por meio de rastreamento e do diagnóstico, reduz a mortalidade em até 30% em mulheres entre 50 e 69 anos. Por fim, o tratamento adequado do câncer também auxilia na melhora da sobrevida das mulheres diagnosticadas com a doença. “Todas as recomendações são importantes: as de prevenção levam mais tempo para impactar na mortalidade se comparadas às de detecção, mas o trabalho deve existir em todas as frentes”, finaliza o médico.

Conheça as recomendações do Inca para reduzir a mortalidade por câncer de mama

O Inca recomenda que:

1. Toda mulher tenha amplo acesso à informação com base científica e de fácil compreensão sobre o câncer de mama.

2. Toda mulher fique alerta para os primeiros sinais e sintomas do câncer de mama e procure avaliação médica.

3. Toda mulher com nódulo palpável na mama e outras alterações suspeitas tenha direito a receber diagnóstico no prazo máximo de 60 dias.

4. Toda mulher de 50 a 69 anos faça mamografia a cada dois anos.

5. Todo serviço de mamografia participe de programa de qualidade em mamografia. A qualificação, quando obtida, deve ser exibida em local visível às usuárias.

6. Toda mulher saiba que o controle do peso corporal e da ingestão de álcool, além da amamentação e da prática de atividades físicas, são formas de prevenir o câncer de mama.

7. A terapia de reposição hormonal, quando indicada na pós-menopausa, seja feita sob rigoroso acompanhamento médico, pois aumenta o risco de câncer de mama.

    Cientistas listam oito sintomas mais comuns do câncer

    Quando o assunto é prevenção do câncer, o principal foco das atenções são os comportamentos de risco, que devem ser evitados ou reduzidos sempre que possível. Porém, muito pouco se fala efetivamente nos sintomas. Mas, agora, uma pesquisa britânica, publicada na revista especializada British Journal of General Practice listou oito sintomas mais comumente relacionados à doença. A ideia, segundo a publicação, é gerar uma atenção especial para esses sinais a partir dos 55 anos, para que a prevenção do câncer possa ser mais precoce e, por conseguinte, possa ter um tratamento mais eficaz. Por isso, avaliou-se a possibilidade dos sintomas estarem relacionados ao câncer em pelo menos um a cada 20 casos.

    Os sintomas listados são: hemorragia ou sangue no reto, tosse acompanhada de sangue, anemia, sangue na urina, dificuldade para engolir, sangramento vaginal pós-menopausa, nódulo nos seios e nódulo na próstata. Para chegar a esta lista, os pesquisadores cruzaram os resultados de 25 estudos anteriores. Isso permitiu que eles concluíssem que apenas dois dos sintomas — nódulo nas mamas e nódulo na próstata — eram indicadores de um risco de 5% de se desenvolver câncer, também em pessoas com menos de 55 anos. Já a dificuldade de engolir seria um indicativo de câncer de esôfago em homens com mais de 55 anos e o sangue na urina é especialmente preocupante para ambos os sexos a partir dos 60 anos.

    Entretanto, um porta-voz da organização Cancer Research UK, responsável por realizar as pesquisas da área no Reino Unido, afirmou que esses não são os únicos sintomas relacionados ao câncer e aconselhou procurar um especialista diante de qualquer alteração no corpo que seja persistente e fora do comum. “Os sintomas que aqui se destacam já eram considerados sinais potenciais de um tumor, mas existem pelo menos duzentos tipos de câncer diferentes, por isso, a sintomatologia é muito ampla”, esclareceu o porta-voz da instituição.

    Alimentação influencia diretamente no desenvolvimento do câncer

    Ter hábitos alimentares corretos é requisito primordial para ser uma pessoa saudável, mas muitos brasileiros se esquecem desses detalhes no seu dia a dia. É o que revela uma pesquisa do Ministério da Saúde, feita entre os meses de janeiro e dezembro de 2009. O estudo revelou o crescimento do consumo de refrigerantes, produtos gordurosos e o aumento do sedentarismo – apenas 14,7% dos adultos praticam exercícios físicos regularmente.

    O quadro é preocupante, principalmente, se levarmos em conta que algumas substâncias presentes nos alimentos, principalmente naqueles industrializados, prejudicam a saúde do ser humano, inclusive contribuindo para o desenvolvimento de alguns tipos de câncer.

    “Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) revelam que os tipos de câncer relacionados aos hábitos alimentares estão entre as seis primeiras causas de mortalidade por essa patologia”, revela a nutricionista Ariana Ferrari, residente em Nutrição Oncológica no Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba (Paraná). “E o consumo de produtos que atuam como proteção está muito abaixo do recomendado na maior parte do Brasil”, afirma Ariana.

    Cuidado com a composição

    Entre as substâncias que podem contribuir com o desenvolvimento do câncer estão as nitrosaminas (substâncias encontradas em cervejas, peixes e seus derivados e nos derivados da carne e do queijo preservados com conservantes de sal de nitrito), altas doses de sacarose e ciclamato (adoçantes – as altas doses equivalem a centenas de latas de bebidas light), aflotoxina (fungo encontrado no milho, amendoim e seus derivados) e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (substância resultante de alguns processos de preparo, como a defumação).

    “Essas substâncias podem ser consideradas cancerígenas, entretanto os estudos ainda são escassos e necessitamos de mais pesquisas para esclarecer quais são as quantidades toleráveis pelo organismo humano”, afirma a nutricionista.

    O que é validado por pesquisadores são os alimentos que ajudam na prevenção do câncer. Cereais integrais, hortaliças, frutas, alho e cebola, chá verde e consumo constante de água diminuem o risco de desenvolvimento da doença. “O consumo de hortaliças e frutas, por exemplo, reduz em 40% o risco de câncer do trato gastrointestinal”, comenta Ariana. Ela ainda reforça: “uma alimentação balanceada, rica em frutas e verduras, pobre em gordura de origem animal e sal, além de diminuir o risco do desenvolvimento do câncer, contribui para uma vida mais saudável em todos os aspectos”.

    Confira as dicas da nutricionista do Erasto Gaertner para prevenir o câncer.

    - Ter uma alimentação variada, rica em alimentos de origem vegetal, minimamente processados e ricos em fibras

    - Manter um peso equilibrado

    - Realizar atividade física todos os dias

    - Consumir cinco ou mais porções por dia de hortaliças e frutos variados, todos os dias.

    - Ingerir sete ou mais porções por dia de cereais variados, leguminosas, raízes e tubérculos. Preferir alimentos minimamente processados e evitar o consumo de açúcar refinado

    - Reduzir o consumo de bebida alcoólica a menos de duas bebidas por dia para os homens, 20g de etanol, e uma para as mulheres, 10g de etanol

    - Limitar o consumo de carne vermelha a 80g por dia. Preferir peixe ou aves

    - Reduzir a ingestão de gordura de origem animal. Preferir os óleos vegetais

    - Evitar o consumo de alimentos salgados ou em salmoura e o sal de cozinha

    - Evitar o consumo de alimentos grelhados, churrasco, fritos, fumados e curados, preferindo os cozidos, estufados, guisados e escalfados

    Carne vermelha pode provocar câncer

    Segundo artigo publicado no Archives of Internal Medicine o consumo de carne vermelha está associado ao risco elevado para câncer de mama.

    Estudos mostram que mudanças no hábito alimentar, incluindo aumento na ingestão de gorduras e calorias, e o crescimento da obesidade sejam as causas do aumento dos casos de câncer de mama, bem como da reincidência da doença.

    Pesquisadores afirmam que o excesso de gordura dietética (carne vermelha) aumenta a produção de hormônios especialmente do estrogênio, responsável pelas alterações das células cancerígenas.

    Os resultados foram retirados do Nurse’s Health Study II , de origem norte-americana, que reúne 116.671 enfermeiras, cujos hábitos de vida e o histórico médico vêm sendo acompanhados desde 1989. A análise sobre o consumo de carne vermelha e o risco de câncer incluiu apenas mulheres na pré-menopausa, abrangendo um total de 90.659 enfermeiras.

    As enfermeiras foram observadas durante 12 anos. Nesse período, 1021 desenvolveram câncer invasivo de mama. A associação entre o maior consumo de carne vermelha e a incidência de cânceres de mama foi observada em tumores positivos para receptores de estrógeno e progesterona (ER+/PR+) e não em tumores negativos para esses receptores. Os cânceres de mama são classificados atualmente segundo a expressão ou ausência da expressão de receptores hormonais.

    Segundo a Dra. Vanessa Dreher, Nutricionista do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), somente retirar a carne vermelha da dieta não vai evitar o aparecimento de células cancerígenas. Uma alimentação equilibrada, rica em fibras, isenta de frituras e gorduras e com aumento da ingestão de líquidos, associada à prática de atividade física, auxilia na prevenção do câncer de mama. Porém, “não se podem descartar fatores emocionais e genéticos”, conclui.

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