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Hepatites virais

A maior pesquisa sobre hepatites virais já realizada na América Latina revela mudanças no padrão de ocorrência dessas doenças no Brasil. Foi percebido redução das infecções dos tipos A, B e C, entre os anos de 1999 e 2010. Os dados do Inquérito Nacional de Hepatites Virais, elaborado pelo Ministério da Saúde (MS), mostram que, nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, o percentual da população que tem ou já teve hepatite (prevalência) foi de 39,5% para o tipo A, de 0,37% para o vírus B e de 1,38% para o tipo C.

De acordo com critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), a frequência de casos encontrados das hepatites B e C é considerada baixa no Brasil. No caso da hepatite A, varia entre intermediária e baixa. Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os números encontrados no novo estudo são reflexos claros da melhoria das condições sanitárias, no caso da hepatite A, e do impacto da vacinação contra hepatite B.

A pesquisa

Mais de 26 mil pessoas participaram da pesquisa sendo que 6.468 fizeram teste para hepatite A e 19.634 realizaram exames para detectar os vírus B e C. A população habitante no conjunto das capitais representa 23,8% da população total do país, ou seja, mais de 45 milhões de habitantes. O estudo é um retrato por aproximação dos números de casos das hepatites virais no Brasil.

Se o padrão observado nas capitais e no DF for considerado para todo o Brasil, a estimativa de prevalência para a população geral é de 20,5 milhões de pessoas que já tiveram, em algum momento de sua vida, infecção pelo vírus da hepatite A, 800 mil pelo tipo B e 1,5 milhão pelo vírus da hepatite C. Para o vírus tipo A, participaram do inquérito pessoas de 5 a 19 anos, faixa etária em que a prevalência permite realizar inferências sobre o padrão de ocorrência da doença. No caso dos vírus B e C, participaram indivíduos de 10 a 69 anos.

Serviço eletrônico avisa aos jovens quando devem se vacinar

Desde o início do mês, está disponível um serviço eletrônico que avisa os jovens de todo o país sobre o momento correto para se vacinarem contra a hepatite B. De acordo com o Ministério da Saúde, basta os interessados se cadastrarem no endereço eletrônico  www.hepatitesvirais.com.br para receber e-mails informando as datas de cada dose. Os testes para a detecção da doença estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), e podem prevenir complicações como cirrose ou câncer de fígado.

A quem se destina a vacina?

O SUS disponibiliza gratuitamente vacina contra a hepatite B em qualquer posto de saúde para quem tiver até 24 anos, 11 meses e 29 dias. Há previsão dessa faixa será ampliada para até 29 anos em 2012. E, ainda, para quem pertencer ao grupo de maior vulnerabilidade como gestantes, trabalhadores da saúde, bombeiros, policiais, manicures, populações indígenas, doadores de sangue, gays, lésbicas, travestis e transexuais, profissionais do sexo, usuários de drogas e portadores de DST.

A imunização é realizada em três doses, com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda dose e de seis meses entre a primeira e a terceira dose.

Fiocruz lança exame que permite identificar HIV em 20 minutos

Quando há desconfiança de contágio pelo HIV, é importantíssimo realizar o quanto antes o teste. O diagnóstico precoce aumenta a expectativa de vida do soropositivo. Além disso, respeitar as recomendações médicas aumenta a qualidade de vida do paciente. A análise da infecção é realizada através de coleta de sangue.

O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos, Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), irá agilizar o tempo de espera do resultado. A partir de uma parceria de transferência tecnológica, produzirá um exame que comprova o diagnóstico do HIV em aproximadamente 20 minutos.

Hoje, a espera pela confirmação pode chegar a um mês. O teste confirmatório imunoblot rápido DPP® HIV 1/2 será distribuído pelo Ministério da Saúde nos Centros de Testagem e Aconselhamento da rede pública a partir do segundo semestre de 2011. Com margem mínima de erro, o kit garante vários benefícios aos portadores da doença, que vão da agilidade no diagnóstico ao desempenho em termos de sensibilidade e especificidade.

Agilidade no diagnóstico é fundamental ao tratamento

O instituto vem investindo em soluções inovadoras que representam grande avanço no diagnóstico da doença, como o teste rápido, que já é produzido desde 2004 por Bio-Manguinhos. O novo teste confirmatório começou a ser desenvolvido em 2009 e, além de substituir com vantagens o atual, tem um custo cinco vezes menor.

O gerente do Programa de Desenvolvimento de Reativos do Instituto, Antônio Ferreira, ressalta que, quanto mais rápido se tem o diagnóstico, melhor pode ser o tratamento do soropositivo. “A tendência é, com o tempo, desenvolvermos testes ainda melhores, com resultados ainda mais rápidos, o que ajudará no tratamento”, afirma o pesquisador.

Programa governamental

Os produtos para diagnóstico desenvolvidos pelo instituto atendem aos programas de controle de endemias e agravos da Secretaria de Vigilância em Saúde e do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do MS. Segundo a assessoria de imprensa de Bio-Manguinhos, os kits de reativos para diagnóstico ampliam o acesso da população a exames e contribui para a detecção precoce de doenças como Chagas, leptospirose, leishmaniose canina, HIV, esquistossomose e outras enfermidades parasitárias.

Obesidade aumenta riscos de diabetes tipo 2

Uma pesquisa do Ministério da Saúde divulgada em abril de 2011 mostrou que quase metade da população brasileira está acima do peso – mais precisamente 48,1% estão acima do peso e 15% são obesos. A pesquisa anterior, de cinco anos atrás, mostrava que os índices de sobrepeso no Brasil eram de 42,7% e 11,4% para obesidade. Ou seja, um aumento considerável, em especial para os riscos à saúde.

Embora as causas para o aumento no índice de pessoas acima do peso sejam, em sua grande maioria, o sedentarismo e má alimentação, o que mais preocupa os especialistas são os fatores de risco que esse perfil traz para a saúde, especialmente para o aparecimento de diabetes tipo 2.

De acordo com um estudo americano publicado em 2002 durante uma conferência da American Diabetes Association, a cada 1 kg de ganho de peso corporal, aumenta em 9% o risco de desenvolvimento de diabetes. Em contrapartida, para os portadores de diabetes tipo 2, uma diminuição de 11% do peso corporal está associada a uma redução de 28% do risco de morte causada pela doença.

“A pessoa com obesidade tem maior chance de ter diabetes tipo 2 do que a pessoa com peso normal. A obesidade, sobretudo com acúmulo na região abdominal facilita a instalação do diabetes tipo 2 porque favorece a resistência à insulina”, afirma Marlene Merino Alvarez, nutricionista e membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Convivendo com diabetes

Diabetes é uma doença causada pela dificuldade do corpo em gerar insulina, hormônio produzido pelo pâncreas. A função da insulina é quebrar as moléculas de glicose vindas da digestão para que elas possam ser absorvidas pelo organismo. Sem a insulina, as moléculas ficam muito grandes e acabam não sendo absorvidas pelas células, ocasionando concentração de glicose no sangue.

Existem dois tipos de diabetes, 1 e 2. Enquanto o tipo 1 manifesta-se geralmente na infância e não pode ser evitado, o tipo 2 está intimamente ligado à obesidade e tende a surgir por volta dos 40 anos. Em ambos os tipos de diabetes, o paciente precisa, com o decorrer do tempo, tomar doses diárias de insulina para equilibrar a taxa de glicose no sangue, já que o corpo não mais produz a insulina.

Mas os cuidados com a alimentação não podem ser deixados de lado. A nutricionista Marlene Merino ressalta a importância de hábitos saudáveis no decorrer da vida: “A manutenção de uma alimentação saudável e exercícios físicos regulares são procedimentos que devem ser mantidos ao longo de todo o tratamento”.

Tratamento

Outros aliados no tratamento da diabetes tipo 2 são os medicamentos. “No início do tratamento do diabetes tipo 2 em geral não se inicia com insulina – injeção do hormônio – porque o indivíduo ainda produz esse hormônio. Os medicamentos usados são comprimidos que atuam na diminuição da resistência à insulina e na estimulação da produção de insulina do próprio corpo”, afirma a nutricionista. “Mesmo depois da insulina é necessário fazer dieta e exercício físico”, ressalta.

Diagnóstico tardio da Aids aumenta o índice de mortalidade do paciente

Embora os números relacionados à Aids no Brasil tenham, num panorama geral, se estabilizado nos últimos anos, um dado publicado em janeiro de 2011 pela Universidade de São Paulo (USP) ainda é preocupante. Segundo pesquisa conduzida pelo especialista, Alexandre Grangeiro, 40% da mortalidade de Aids está relacionada ao diagnóstico tardio da doença.

Ainda que os dados do Ministério da Saúde (MS) mostrem que a sobrevida de pacientes com Aids tenha dobrado nos últimos anos – saltou de quatro anos e nove meses em 1995 para nove anos em 2008, e que a epidemia siga estável no país, com uma média de 20 casos a cada 100 mil habitantes, com uma especial redução de casos entre crianças menores de cinco anos – a detecção tardia da enfermidade ainda é um fator que precisa ser combatido.

Diagnóstico de risco

De acordo com a pesquisa da USP, o perfil dos pacientes que recebem o diagnóstico tardio da doença é em sua maioria homens, com faixa etária acima de 40 anos, residente nas regiões Norte e Nordeste.

Contribuem para o diagnóstico tardio tanto a dificuldade em acesso a alguns serviços de saúde por parte da população, em especial pelo perfil traçado no estudo, e a consequente demora no retorno do exame e a resistência que a sociedade ainda tem em procurar ajuda médica pelo estigma que a doença ainda envolve, conforme afirma o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Dirceu Greco.

Tarde demais

Traduzindo em números, uma pessoa que inicia tardiamente o tratamento tem 49 vezes mais chances de morrer do que alguém que inicia no tempo adequado. De acordo com a mecânica usada na pesquisa, é considerado tardio o diagnóstico do paciente que já apresenta um comprometimento do sistema imunológico, uma contagem das células CD4 inferior a 200 células/mm³ ou uma doença associada à Aids.

Por outro lado, o fim do diagnóstico tardio traria uma grande redução na mortalidade por Aids, equivalente à obtida com o início do uso dos remédios antiaids, como avalia o pesquisador responsável pelo estudo da USP, Alexandre Grangeiro. Com os antirretrovirais, a taxa de mortalidade pela doença foi reduzida em 43%. Se o diagnóstico tardio fosse superado, essa queda poderia chegar a 62,5%. “A identificação de pacientes poderia ter poupado a vida de 17 mil pessoas em quatro anos”.

Hemofilia: causa e consequência

A hemofilia é uma doença de ordem genética e hereditária que causa um problema de coagulação no sangue. Esse distúrbio é causado pela falta de uma substância normalmente presente no sangue, chamada de fator de coagulação. De acordo com a deficiência desse fator, se classifica o tipo de hemofilia em A, por deficiência do fator VIII; ou B, por deficiência do fator IX.

Segundo dados do Ministério da Saúde, existem cerca de 8 mil pessoas que sofrem de hemofilia no Brasil, em sua grande maioria do sexo masculino. Isso porque a doença é transmitida pelo cromossomo X – homens têm o cromossomo XY enquanto mulheres têm XX.

Existem dois tipos de hemofilia de acordo com o fator que falta no sangue e que faz com que ele coagule: a hemofilia do tipo A e a hemofilia do tipo B.

Sintomas da doença

Um dos principais sintomas é o sangramento, mas, ao contrário do que muitos pensam, nem sempre são espontâneos. De acordo com a médica, Sandra Vallin Antunes, coordenadora do serviço de hemofilia da Universidade de São Paulo (UNIFESP), os sintomas variam conforme a gravidade da doença. O paciente grave tem apenas 1% do fator circulante e pode ter sangramentos espontâneos. “Já o paciente moderado, com 1% a 5% de fator circulante, sangra um pouco menos; e o paciente leve, com 5%, precisa de um trauma para sangrar”, afirma a especialista.

O sintoma mais comum da hemofilia é o sangramento intra-articular, ou hemartrose, típica nos pacientes com doença grave e moderada. Esse sangramento afeta mais comumente as articulações de cotovelo, joelho, tornozelo e ombro.

Perspectivas para hemofilia

Atualmente, as previsões para o paciente com hemofilia são bem mais positivas do que há 40 anos. Segundo a especialista, já se pode acreditar que uma pessoa com hemofilia tenha a mesma expectativa de vida que a população em geral. O paciente leva uma vida normal, com poucas restrições: “Pode praticar atividades físicas sim, mas recomendamos que evite aquelas mais radicais, que gerem muito contato físico”.

No Brasil, o tratamento da doença é feito com hemoderivado do plasma e recombinantes concentrados de fator plasma em demanda, aplicados via endovenosa. “Isso significa que o paciente aplica quando sabe que necessitará do fator coagulante. Por exemplo, se vai ao dentista, ela previamente administra a medicação”, explica Sandra.

Alimentação influencia diretamente no desenvolvimento do câncer

Ter hábitos alimentares corretos é requisito primordial para ser uma pessoa saudável, mas muitos brasileiros se esquecem desses detalhes no seu dia a dia. É o que revela uma pesquisa do Ministério da Saúde, feita entre os meses de janeiro e dezembro de 2009. O estudo revelou o crescimento do consumo de refrigerantes, produtos gordurosos e o aumento do sedentarismo – apenas 14,7% dos adultos praticam exercícios físicos regularmente.

O quadro é preocupante, principalmente, se levarmos em conta que algumas substâncias presentes nos alimentos, principalmente naqueles industrializados, prejudicam a saúde do ser humano, inclusive contribuindo para o desenvolvimento de alguns tipos de câncer.

“Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) revelam que os tipos de câncer relacionados aos hábitos alimentares estão entre as seis primeiras causas de mortalidade por essa patologia”, revela a nutricionista Ariana Ferrari, residente em Nutrição Oncológica no Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba (Paraná). “E o consumo de produtos que atuam como proteção está muito abaixo do recomendado na maior parte do Brasil”, afirma Ariana.

Cuidado com a composição

Entre as substâncias que podem contribuir com o desenvolvimento do câncer estão as nitrosaminas (substâncias encontradas em cervejas, peixes e seus derivados e nos derivados da carne e do queijo preservados com conservantes de sal de nitrito), altas doses de sacarose e ciclamato (adoçantes – as altas doses equivalem a centenas de latas de bebidas light), aflotoxina (fungo encontrado no milho, amendoim e seus derivados) e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (substância resultante de alguns processos de preparo, como a defumação).

“Essas substâncias podem ser consideradas cancerígenas, entretanto os estudos ainda são escassos e necessitamos de mais pesquisas para esclarecer quais são as quantidades toleráveis pelo organismo humano”, afirma a nutricionista.

O que é validado por pesquisadores são os alimentos que ajudam na prevenção do câncer. Cereais integrais, hortaliças, frutas, alho e cebola, chá verde e consumo constante de água diminuem o risco de desenvolvimento da doença. “O consumo de hortaliças e frutas, por exemplo, reduz em 40% o risco de câncer do trato gastrointestinal”, comenta Ariana. Ela ainda reforça: “uma alimentação balanceada, rica em frutas e verduras, pobre em gordura de origem animal e sal, além de diminuir o risco do desenvolvimento do câncer, contribui para uma vida mais saudável em todos os aspectos”.

Confira as dicas da nutricionista do Erasto Gaertner para prevenir o câncer.

- Ter uma alimentação variada, rica em alimentos de origem vegetal, minimamente processados e ricos em fibras

- Manter um peso equilibrado

- Realizar atividade física todos os dias

- Consumir cinco ou mais porções por dia de hortaliças e frutos variados, todos os dias.

- Ingerir sete ou mais porções por dia de cereais variados, leguminosas, raízes e tubérculos. Preferir alimentos minimamente processados e evitar o consumo de açúcar refinado

- Reduzir o consumo de bebida alcoólica a menos de duas bebidas por dia para os homens, 20g de etanol, e uma para as mulheres, 10g de etanol

- Limitar o consumo de carne vermelha a 80g por dia. Preferir peixe ou aves

- Reduzir a ingestão de gordura de origem animal. Preferir os óleos vegetais

- Evitar o consumo de alimentos salgados ou em salmoura e o sal de cozinha

- Evitar o consumo de alimentos grelhados, churrasco, fritos, fumados e curados, preferindo os cozidos, estufados, guisados e escalfados

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