O crescimento da obesidade, do sedentarismo e da má alimentação, vem fazendo com que crianças e adolescentes criem resistência aos medicamentos. Surgindo assim, uma nova categoria de pessoas hipertensas – sobretudo jovens – que, mesmo utilizando três hipertensivos diferentes, a doença não regrediu. E, o que mais chama a atenção é que esse número de pacientes vem aumentando a cada dia.
Técnicas inovadoras estão sendo utilizadas para identificar, cada vez mais precocemente, alterações vasculares decorrentes da hipertensão arterial e relacionadas às causas de morbidade e mortalidade por doenças cardiovasculares, como infarto e derrame cerebral. Os estudos estão sendo desenvolvidos na Unicamp, no setor do Laboratório de Farmacologia Cardiovascular da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e do Ambulatório de Hipertensão Resistente do Hospital de Clínicas (HC).
Os resultados obtidos nas pesquisas alertam para a necessidade de medidas preventivas, antes que lesões comprometam o sistema vascular de maneira irreversível, e contribuem para avaliar a eficácia de medicamentos controladores.
Controle da hipertensão
Segundo o cardiologista, especialista em Hipertensão Arterial pela Sociedade Brasileira de Hipertensão – SBH, Dr. Tufi Dippe Jr, o controle da hipertensão é feito através da administração de medicamentos ou não como, por exemplo:
- dieta do tipo DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension ou Métodos para Combater a Hipertensão através da Dieta);
- dieta hipossódica (rica em potássio, magnésio e cálcio);
- ingestão moderada de álcool;
- atividade física regular;
- perda de peso;
- cessação do tabagismo.
“A maioria dos hipertensos irá precisar do uso de medicamentos para o controle de sua doença, sendo que destes, pelo menos 70% necessitará de uma associação de medicamentos”, esclare.
Existem vários fatores envolvidos na gênese da hipertensão arterial de difícil controle, dentre estes, talvez o mais importante seja a obesidade. “É possível que a proporção de hipertensos resistentes aumente com o decorrer do tempo. No entanto, uma vez que seja instituída uma terapia medicamentosa correta, apenas uma minoria (10% ou um pouco mais) dos hipertensos apresentará critérios para hipertensão arterial resistente, ou seja, a não redução da pressão arterial para valores abaixo de 140/90 mmHg com o uso correto (em dose e escolha da associação dos medicamentos) de 3 princípios ativos, sendo que um destes poderá ser um diurético”, explica Dr. Tufi.
Além disso, o cardiologista esclarece que a M.A.P.A (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) é muitas vezes necessária para afastar pseudo-resistência, ou seja, uma reação de alerta na hora da medida da pressão arterial, superestimando o valor da mesma. “Estima-se que 25% dos hipertensos resistentes são “eliminados” com o uso da M.A.P.A”, avalia o cardiologista.
Riscos da hipertensão
O controle da pressão arterial reduz o risco relativo de um derrame cerebral em cerca de 40%, infarto do miocárdio em 25% e insuficiência cardíaca em 50%. Hipertensos graves e descontrolados apresentam uma chance de desenvolverem derrame cerebral ao longo da vida na ordem de 70%. Além disso, o binômio diabete melito e hipertensão descontrolada são a principal causa de insuficiência renal crônica em nosso país. A hipertensão arterial, por afetar 30% dos adultos, é considerada o principal fator de risco cardiovascular.
Recomendações para controlar a hipertensão
Procure adotar as medidas não-medicamentosas mencionadas acima. A redução do peso é a medida de maior impacto na redução da pressão arterial (emagrecer 10 kg pode reduzir a pressão arterial sistólica em até 20 mmHg). Procure seguir as recomendações médicas e o uso correto das medicações. O médico assistente deverá procurar uma causa para o difícil controle da doença da hipertensão: excesso de sal e álcool, efeito medicamentoso (antiinflamatórios, corticosesteróides, antidepressivos, etc…), excesso de peso, apnéia do sono, causas secundárias de hipertensão (doença renais ou da supra-renal, distúrbios de tireóide, etc.), entre outras. Talvez seja necessário consultar um especialista em hipertensão arterial (a lista destes profissionais está disponível – por estado – no site da Sociedade Brasileira de Hipertensão).
Avanços da medicina e da farmacologia
O FDA (Food and Drug Administration) aprovou um anti-hipertensivo com três princípios ativos em um só comprimido (Valsartana, Anlodipino e Hidroclortiazida) para o uso nos Estados Unidos (http://portaldocoracao.uol.com.br/hipertensao-arterial.php?&id=3042). Uma droga em fase de experimentação, chamada de Darusentan (um antagonista da endotelina, uma substância produzida no revestimento dos vasos e que causa um estreitamento dos mesmos), vem sendo testada de forma promissora (http://portaldocoracao.uol.com.br/hipertensao-arterial.php?&id=2811). A desnervação simpática renal por cateter e a estimulação eletrônica do seio carotídeo são técnicas recentemente apresentadas no Congresso do American College, realizado em março na Flórida (Orlando, Estados Unidos).