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Radioterapia tardia contribui para reicidência do câncer de mama

Um estudo realizado pelo Instituto do Câncer Dana-Faber, em Boston (EUA) revela que mulheres idosas que já tiveram câncer de mama correm risco 19% maior de voltar a ter a doença se demorarem mais do que seis semanas para iniciar a radioterapia após a cirurgia de retirada do tumor.

A pesquisa, publicada no British Medical Journal, pretendia avaliar qual era o intervalo ideal entre a cirurgia de extração do câncer de mama e o início da radioterapia. A pesquisa envolveu mais de 18 mil mulheres, com 65 anos ou mais. Todas foram diagnosticadas com câncer de mama entre 1991 e 2002, submetidas a cirurgia de lumpectomia (sem retirada da mama) e receberam quimioterapia. Destas, 30 % iniciaram o tratamento com a radiação seis semanas após a cirurgia.

As análises levaram os médicos a constatarem que as mulheres que seguiram este último exemplo estiveram mais suscetíveis a ter um novo câncer na região do que aquelas que receberam radiação antes deste prazo. Do conjunto universo de mulheres pesquisadas, 4% tiveram reincidência da doença. Mas esse índice chegou a 19% entre as pacientes que fizeram radioterapia em um intervalo maior que seis semanas.

A radioterapia é realizada após a cirurgia para destruir as células cancerígenas remanescentes que ficam próximas ao local onde foi retirado o tumor. Para a autora do estudo, Rinaa Punglia, um intervalo seguro entre a cirurgia e a radioterapia é de quatro a seis semanas depois da cirurgia. Geralmente esta parte do tratamento é administrada cinco dias por semana por seis semanas. Punglia afirma ainda que embora o estudo esteja focado em mulheres idosas, as descobertas têm implicações para mulheres mais jovens, cujos tumores são biologicamente diferentes e tendem a ser mais agressivos.

Câncer de mama deve atingir quase 50 mil mulheres no país em 2010

Um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, neste ano, 49.240 brasileiras vão descobrir que têm câncer de mama. Dessas, 37 mil serão bem sucedidas no tratamento através da quimioterapia ou extração da mama e 12 mil não resistirão à doença. O número de vítimas vem crescendo ano a ano. Em 1990 foram registrados 5.760 óbitos e, em 2008, o número saltou para 11.860 mortes.

De acordo com a mastologista do Hospital A. C. Camargo, Maria do Socorro Maciel, o resultado da pesquisa do Inca se deve ao fato das mulheres estarem melhor informadas sobre a importância da realização de exames, como a mamografia, que é o padrão ouro para diagnosticar lesões nas mamas. “Como aumentou o número de mulheres diagnosticadas, consequentemente, o número de mortes notificado é também maior”, diz.

Para reverter este quadro, Maria do Socorro incentiva práticas de atividades físicas, adoção de alimentação saudável, realização de mamografia para as mulheres a partir dos 40 anos, evitar a reposição hormonal indiscriminada, amamentar e chamar a atenção das mulheres com histórico familiar da doença para que façam seus exames mais cedo. “Isso propiciará um diagnóstico precoce e, consequentemente, um tratamento menos complexo e com maior possibilidade de cura”, explica.

Câncer de mama em números

- É o tipo de câncer mais frequente no mundo.
- Estima-se que 49.240 novos casos apareçam no Brasil em 2010.
- A incidência da enfermidade é de 49 casos a cada 100 mil mulheres.
- A mamografia é recomendada a cada dois anos em mulheres que tem entre 50 e 69 anos, conforme orientação do Inca.
- O exame clínico anual deve ser feito por mulheres com idade entre 40 e 49 anos.

Pesquisas com nova droga contra o câncer de mama

O câncer de mama é a principal causa da morte de mulheres no Brasil e existe uma tendência de aumento no número de casos, principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

Em todo o mundo cientistas correm em busca por tratamentos mais efetivos e menos agressivos de combate à doença. No entanto, a descoberta casual de uma nova droga por uma pesquisadora israelense apresentou resultados animadores.

De acordo com a pesquisa, a droga elimina células cancerosas, principalmente o câncer de mama, sem destruir as células saudáveis. O composto, segundo Maika Cohen-Armon, bioquímica da Universidade de Tel Aviv, integra uma família de drogas desenvolvida dez anos atrás para preservar células nervosas afetadas por AVCs. A intenção de Cohen-Armon, no entanto, era aplicar a droga na restauração de células de DNA.

O resultado, inesperado, constatou que de alguma maneira, a droga criou um mecanismo nas células cancerosas que causa sua morte entre 48 e 72 horas, sem prejudicar os tecidos normais.

As experiências foram feitas com ratos fêmeas, nas quais foi injetada a droga em vários tipos de tecido canceroso, particularmente câncer de mama.

Câncer pode induzir depressão

Pesquisas realizadas pela Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) revelaram que a depressão em pacientes com câncer está diretamente relacionada com os tumores. O que os cientistas querem descobrir agora, é como isso funciona. Pesquisas realizadas com ratos de laboratório com câncer de mama induzido constataram que essas cobaias apresentaram comportamento depressivo mesmo quando o tumor não manifestou sintomas.

Para Iolanda de Assis Galvão, psicóloga clínica da pediatria e cuidados paliativos do Hospital Erasto Gaertner em Curitiba, “Todo paciente acometido pelo câncer sente tristeza, pois de alguma forma, em função do tratamento, há uma ruptura no curso normal da sua vida. A sua imagem corporal fica alterada e o medo da morte está muito presente dado o estigma ainda existente em torno da doença do câncer”.  No entanto, a psicóloga, que trabalha há 14 anos com pacientes oncológicos, diz que somente uma porcentagem destes pacientes (aproximadamente 25%) vai desenvolver um quadro depressivo, pois esta doença depende das características individuais e se há a ocorrência de outros distúrbios concomitantes.

Os cientistas identificaram uma alta concentração de citocinas pró-inflamatórias nas cobaias, assim como já se sabia a alta concentração de citocinas em pacientes humanos com câncer e depressão, sendo razoável que a fisiologia de cobaias e humanos com tumor seja semelhante, o que é um grande avanço para a pesquisa do câncer. Alguns quimioterápicos influem na produção de citocinas e, portanto, podem impactar quadros de depressão.

“Vários estudos vêm investigando a relação das citocinas com quadros depressivos, no entanto não há como desconsiderar a singularidade do sujeito e o seu repertório psíquico para lidar com situações adversas. Cada indivíduo é único e a instalação de qualquer patologia, seja de ordem física ou psíquica, deve ser avaliada e tratada de forma individualizada”, esclarece Iolanda de Assis Galvão.

Mas como ajudar o paciente depressivo?
Em primeiro lugar é preciso compreendê-lo. O que não significa o “fazer pelo” paciente, mas o “fazer com” o paciente. Entender que a melhora não é mágica e não vêm de fatores externos. Muitas vezes o paciente é incentivado a sair, passear no parque, ir ao cinema. No entanto, há que se considerar que na maioria das vezes, isso não depende do paciente. No momento, a sua tristeza atingiu um marco que ele não consegue melhorar só com o incentivo ou conselhos de familiares e amigos. Desta forma surge a necessidade de acompanhamento psicoterápico.

Não confunda depressão com tristeza

È importante diferenciar “tristeza” da “depressão”. Estar triste ou estar melancólico não significa estar deprimido. Depressão é doença. No entanto, assim como outras doenças, a depressão pode ser tratada com sucesso, em geral com psicoterapia e muitas vezes com acompanhamento de um psiquiatra para avaliação de suporte medicamentoso.

Alguns sintomas podem indicar a instalação de um quadro depressivo, tais como: transtornos do sono e do apetite, cansaço ao menor esforço, sentimento de menos valia, auto-estima rebaixada, labilidade (oscilações da pressão arterial) e, num estágio mais avançado, estes sintomas podem vir acompanhados de idéia suicida.

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