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Blog Dicas de Saúde

E. coli: Prevenindo-se com as mãos

Escherichia coli. O que até a alguns meses atrás poderia muito bem passar como nome de substância química, remédio ou até doença entre muita gente hoje é um nome bastante conhecido, capa de jornais e figura recente nos noticiários. Isso porque uma variante da bactéria Escherichia coli, ou E. coli, como também é chamada, foi responsável por causar mais de 40 mortes na Europa.

O caso chamou a atenção de todo o mundo pelos graves sintomas que essa bactéria causava. A E. coli, em realidade, é uma bactéria bastante comum, que pode ser encontrada nas fezes humanas e animais. Sua transmissão se dá por maus hábitos de higiene – não lavar bem as mãos ou os alimentos que são comidos crus.

No entanto, o surto europeu foi causado por uma cepa rara da E. coli, que destroi as hemácias e provoca insuficiência renal, causando o que os especialistas chamam de Síndrome Hemolítico- Urêmica. Nem todos os pacientes respondem com os mesmos sintomas graves da doença. Os especialistas ainda não sabem determinar ao certo porque alguns vão a óbito e outros sobrevivem à infecção.

Higiene é proteção

O que é certo é que o perigo de um surto mundial de E. coli não é tão provável. Embora países como Colômbia tenham emitido alerta a passageiros que desejam visitar Europa, a própria forma como a doença se transmite impede que haja um contágio mundial. Isso porque a transmissão se dá via oral, com ingestão de alimentos contaminados, secreções ou mãos contaminadas levadas à boca.

Por outro lado, como a bactéria entra no organismo pelo intestino, há um menor tempo de resposta imunológica para a infecção. As mortes ocorrem devido a complicações da doença e que pedem um serviço especializado, como hemodiálise para o caso da síndrome hemolítico-urêmica. E nem sempre os hospitais podem oferecer essa estrutura de urgência.

Pra quem vai viajar

No começo de junho, a Anvisa publicou uma nota orientativa sobre o surto de E. coli. Nela, a recomendação para quem vai viajar, em especial para a Alemanha, é de não consumir brotos crus e lavar bem as mãos. Aliás, lavar as mãos é uma ótima dica não apenas para prevenir a E. coli, mas uma série de outras doenças, em especial infecções intestinais.

Confira algumas outras dicas preventivas:

- Lave as mãos sempre: após ir ao banheiro, antes de comer e antes de cozinhar;

- Prefira alimentos cozidos aos crus;

- Se for comer alimentos crus, certifique-se que estão bem lavados;

- Procure evitar contato com criações de animais, como gado, porco ou ovelha.

Aprovado uso da vacina contra HPV em homens

Homens e mulheres agora podem se proteger contra o vírus do papiloma humano – o HPV, na sua sigla em inglês. Isso porque a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, (Anvisa) aprovou, no mês de maio de 2011, o uso em homens da vacina para combater esse vírus. Até então, o uso da vacina só era recomendo para mulheres.

Com a recomendação da Anvisa, a vacina pode ser aplicada em homens e mulheres que tenham entre 9 e 26 anos. “Essa idade obedece a recomendação legal que temos no Brasil, de acordo com os estudos aprovados pela Anvisa. Pode ser que dentro em breve, a agência regulamente a vacina para pessoas com mais de 26 anos, como já acontece em outros países”, afirma o professor Newton Sergio de Carvalho, chefe do departamento de Tocoginecologia do Hospital de Clínicas, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Tipos de vacina

A vacina liberada pela Anvisa para aplicação em pessoas do sexo masculino é a quadrivalente. Já para as mulheres, além da quadrivalente, existe a vacina do tipo bivalente. A diferença entre as vacinas se justifica pela quantidade de antígenos do vírus HPV que cada uma carrega – existem cerca de 200 variações do vírus, sendo que uns estão mais ligados ao câncer de colo de útero e outros a lesões de pele como verrugas nas genitais.

O professor Carvalho explica que na vacina quadrivalente, são quatro as substâncias que vão fazer com que o corpo produza defesa para o organismo: “Ela contém os antígenos do vírus HPV 6 e 11, que são os grandes causadores das verrugas, e do 16 e 18, que estão mais ligados ao câncer de colo de útero. A bivalente, por sua vez, contém apenas os antígenos 16 e 18. Ambas vacinas possuem adjuvantes, que são substâncias que as tornam mais potentes. Enquanto a quadrivalente tem apenas um adjuvante, a bivalente possui dois adjuvantes. As duas vacinas tem suas vantagens”, complementa.

Como para o homem o objetivo da vacina é prevenir as lesões de mucosas além do câncer – o HPV também é responsável por câncer de pênis e ânus, a quadrivalente é a vacina apropriada. “Uma vacina para os homens que não tivesse os antígenos contra o HPV causador das verrugas não faria sentido”, afirma Carvalho.

Serviço

Homens e mulheres que quiserem se vacinar contra o HPV devem buscar serviços particulares, já que a vacina não está disponível na rede pública. O custo varia de R$ 450 a R$ 900. Ambas as vacinas são tomadas em 3 doses, com variação de um, dois e seis meses entre uma vacinação e outra, dependendo da vacina.

Droga evita procedimento cirúrgico

O aumento da próstata pode ocorrer por conta de uma hiperplasia benigna ou devido ao câncer de próstata (CP). Em ambas as situações há o acréscimo do volume da glândula sexual masculina que provocará obstrução total ou parcial do canal uretral. Em sua fase inicial, o câncer acontece de forma silenciosa e muitas vezes é confundido com a hiperplasia devido à semelhança entre os sintomas como jato urinário fraco, dificuldade miccional, entre outros.

O tumor maligno é o mais comum em homens com mais de 50 anos. As taxas de incidência da doença apresentaram um aumento significativo nas últimas décadas, que na maioria das vezes, é explicado pelo aumento da longevidade da população, pelo aperfeiçoamento dos métodos de diagnósticos, entre outras causas.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da doença é feito pelo exame clínico, popularmente conhecido como toque retal, e, ainda, pela dosagem do PSA (Prostate Specific Antigen), um marcador de câncer. O antígeno PSA em nível elevado funciona como um indicativo de que há o câncer, sugerindo a realização de ultrassonografia, que, pode resultar na realização de biópsia.

Dutasteride

Segundo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Washington (EUA), e divulgado no final de 2010, o uso da droga Dutasteride aumenta a precisão do teste de câncer de próstata. O chefe da pesquisa, Gerald Andriole, afirma que os homens que fizeram uso da droga oferecem uma leitura mais precisas nos testes do PSA.

Como age a Dutasteride no diagnóstico do câncer de próstata?

A Dutasteride, que é uma droga sintética, possui a capacidade de diminuir a quantidade de PSA no organismo. Segundo o coordenador do Serviço de Oncologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), André Murad, o uso consciente da Dutasteride é animador, pois evita a realização desnecessária de biópsias, que invariavelmente são processos dolorosos, de risco e caro para os pacientes.

“O paciente não sofrerá uma biópsia à toa, o que é uma evolução na medicina. A biópsia é uma cirurgia. Ao começar a tomar a droga com acompanhamento médico, entre dois a quatro meses o nível do PSA cai, pois a Dutasteride tem essa capacidade. Se o nível de PSA ficar estável, o médico munido de outras informações clínicas poderá analisar se há presença de câncer ou não. Porém, em contrapartida, se o nível de PSA se mantiver elevado há indicativo de um câncer mais agressivo”, esclarece o médico.

Conforme informação oferecida pelo especialista, no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso da droga há pouco tempo. Na rede pública ainda não há uso da Dutasteride. “O tratamento é muito caro ainda. Na Europa, uma caixa com 30 compridos custa 40 Euros. Aqui no Brasil o valor dobra”, lamenta o médico.

Apesar de alertar que a Dutasteride, como toda droga, pode provocar reações e oferece risco ao paciente, Murad acredita que o uso do medicamento é um espetáculo no tratamento ao câncer de próstata e vem saciar uma necessidade na precisão do teste que só tem a gerar resultados positivos.

Bisfenol-A é proibido na União Europeia

O elemento químico bisfenol-A foi proibido na União Europeia para a fabricação de mamadeiras plásticas. Essa restrição foi feita porque estudos relatam que essa substância teria potencial cancerígeno, além de provocar efeitos adversos no desenvolvimento físico, comportamental e neurológico de crianças. Tudo isso porque ele se comporta como hormônio no organismo.

O bisfenol-A é uma substância utilizada em plásticos e resinas produzindo materiais denominados como policarbonatos, muito úteis para a indústria por serem moldáveis quando aquecidos. Além dos estudos realizados em humanos, em animais o componente também revelou alterações na próstata e no trato reprodutivo masculino.

Também conhecido como BPA, a União Europeia disse em um comunicado que a decisão de proibição do uso deve-se ao temor de que esse elemento afete o desenvolvimento, o sistema imunológico e possa causar câncer em crianças. Com isso, a fabricação de mamadeiras com bisfenol-A será proibida a partir de março de 2011 e a importação ou comercialização, a partir de junho.

Brasil ainda permite a utilização do BPA

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permite no Brasil a utilizaçã da substância dentro do limite de 0,6 mg para cada quilo de embalagem. De acordo com a Anvisa, a agência “acompanha a discussão e estudos internacionais sobre o tema”, porém, não há previsão de discussão sobre o bisfenol.

Nova regra para venda de antibióticos

Apesar de a venda de antibióticos exigir a receita médica, no final de novembro a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) baixou uma resolução com novas regras para a comercialização desse tipo de medicamento. A partir do dia 29 de novembro a venda de antibióticos exige duas vias da receita (uma fica retida na farmácia), dados completos do médico e do paciente e receituário com validade de 10 dias.

A nova regra da Anvisa quer evitar o uso indiscriminado de antibióticos, que podem aumentar a resistência da bactéria e criar casos como o da superbactéria KCP, que causou 19 mortes no Brasil, no segundo semestre de 2010. Jaldo de Souza Santos, presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), considera a medida do governo federal correta. “Essas regras representam avanços para a saúde, além de devolver ao farmacêutico o processo de orientação quanto ao uso correto de medicamentos”.

Por outro lado, Santos comenta que é preciso organizar o setor de saúde para garantir o acesso da população aos médicos. “Como ficará a situação de uma criança que mora, numa cidadezinha distante, onde o médico só atende uma vez por semana e que está ardendo de febre, devido a uma amigdalite ou a uma infecção intestinal? Ou que reside num grande centro, onde a emergência do hospital está lotada e o atendimento só poderá ser feito, muito tempo depois? Uma infecção não pode esperar”, afirma.

Para ele, o pressuposto para a restrição na venda de antibióticos é o bom funcionamento dos hospitais, garantindo que todas as pessoas tenham acesso ágil e fácil ao médico e à receita.

Antibiótico não é o único vilão

Jaldo de Souza Santos explica que os antibióticos não podem ser responsabilizados como únicos causadores da proliferação da bactéria KCP. “Muitos hospitais sequer criaram as suas Comissões de Controle de Infecção, desrespeitando as determinações legais. A inexistência ou inoperância dessas comissões deixa o ambiente hospitalar completamente vulnerável à contaminação por bactérias gerada pelo uso abusivo ou inadequado de antibióticos e à não adesão dos profissionais da saúde, pacientes e visitantes a medidas simples, como a higienização das mãos”, denuncia o presidente do Conselho Federal de Farmácia.

Saiba mais sobre o sarampo

O sarampo é uma doença infecciosa do sistema respiratório e altamente contagiosa. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 164 mil crianças morreram de sarampo em 2008, em todo o mundo. A doença é transmitida através de secreções respiratórias (gotículas) expelidas pela pessoa contaminada ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Outras formas de contágio, como contato com alimentos e objetos tocados pelas pessoas infectadas, são muito raros, já que o vírus morbillivirus sobrevive pouco tempo fora do hospedeiro, conforme informa a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Sintomas do sarampo

O sarampo se distingue de outras doenças infectocontagiosas, como a varicela e caxumba, especialmente por seus sintomas bastante peculiares. De acordo com a pediatra infectologista do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR), e pesquisadora do instituto Pelé Pequeno Príncipe, Marion Burger, o quadro inicial do sarampo se caracteriza por tosse (com evolução para tosse com catarro), coriza, obstrução nasal, febre e, entre o quarto e o quinto dia, aparecem algumas lesões na pele, como erupções.

Prevenção do sarampo

No seu ciclo de vida, o vírus do sarampo passa por um período de incubação de uma a duas semanas em que os sintomas não se manifestam. “Porém, o hospedeiro pode começar a transmitir a enfermidade até dois dias antes de começar a manifestar os sintomas. Por isso, a importância de estar em dia com a vacinação. Se você está no mesmo ambiente de trabalho que alguém com sarampo e nunca pegou a doença, nem está vacinado contra ela, há grande chance de contrair o vírus, independentemente, da sua imunidade”, alerta Marion.

A vacina contra o sarampo é a tríplice viral, que também protege contra rubéola e caxumba. Conforme informações da Anvisa, o ideal é que seja tomada aos 12 meses de idade e reaplicada entre 4 e 6 anos de vida, mas também pode ser administrada na fase adulta. Quem já teve contato com a doença, porém, não deve se preocupar, pois está automaticamente imunizado contra ela e não corre o risco de contrair sarampo outra vez.

Brasileiros aguardam aprovação de medicamento contra mieloma múltiplo

Os pacientes com mieloma múltiplo aguardam com grande expectativa a aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do medicamento lenalidomida. Trata-se de um agente imunomodulador que melhora a qualidade de vida e a sobrevida de uma maneira geral. Comercializado sob o nome de Revlimid, medicamento de dose oral, ele teve seus benefícios confirmados para pacientes com o mieloma múltiplo por meio de dois estudos desenvolvidos pelo MD Anderson Cancer Center, dos Estados Unidos, e mais outro, que contou com a participação de pesquisadores da Europa, Austrália e Israel.

Os resultados foram animadores em relação à síndrome mielodisplásica: um estudo multicêntrico em pessoas dependentes de transfusão que usaram o fármaco constatou que 45% tiveram resposta citogenética completa e independência de transfusão por período prolongado.  Os pacientes também relataram uma redução significativa de neuropatias periféricas, como a perda de sensibilidade nas extremidades dos dedos.

Enquanto o laboratório aguarda a aprovação pelo órgão fiscalizador brasileiro, o Revlimid já foi aprovado em outros 55 países, inclusive com o aval da European Medicines Agency (Emea), responsável pela fiscalização de medicamentos da União Europeia; e da Food and Drug Administration (FDA), órgão dos Estados Unidos.

O Revlimid é indicado para tratamento de portadores de mieloma que não tiveram sucesso em pelo menos uma terapia anterior. Na próxima edição do congresso da American Society of Hematology (ASH), que ocorrerá em dezembro de 2010, em Orlando, nos Estados Unidos, serão apresentados novos estudos que procuraram comprovar a vantagem do Revlimid em comparação a outras terapias.

Câmaras de bronzeamento artificial duplicam chances de melanoma

Não é de hoje que as câmaras de bronzeamento artificial são consideradas vilãs da saúde pelo alto risco de câncer de pele que elas proporcionam. A Organização Mundial da Saúde (OMS) colocou recentemente este tipo de bronzeamento entre os agentes cancerígenos mais perigosos para a saúde pública, junto ao tabaco e ao gás mostarda, usado na Guerra do Vietnã. Porém, até então, o malefício desse tipo de aparelho nunca havia sido quantificado. Em junho de 2010, uma pesquisa da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, demonstrou que o uso das câmaras de bronzeamento duplica as chances de se desenvolver melanoma e outras doenças de pele, não importando o tipo de pele e a sensibilidade à luz.

O dermatologista, Guilherme de Almeida, diz que o bronzeamento artificial é cinco vezes mais prejudicial à saúde do que a radiação que se absorve com o sol do meio dia em um dia de verão. “Uma única aplicação aumenta o risco de melanoma em 15%. E seu uso antes dos 35 anos pode aumentar em até 75% a incidência desta doença”, afirma. Ele explica que a radiação solar que atinge a superfície terrestre é composta por raios ultravioleta, do tipo UVA, UVB e UVC. Dos três tipos, o que passa com mais facilidade é o UVA, e é justamente esse usado em câmaras de bronzeamento. A OMS determinou a periculosidade do aparelho com base em um artigo do famoso periódico médico The Lancet Oncology, que apontou esse tipo de raio ultravioleta como o com maior potencial para causar melanoma.

No Brasil, o uso das câmaras de bronzeamento artificial é regulado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que determinou a proibição do aparelho no país, em uma medida polêmica que gerou bastante aceitação por parte da comunidade acadêmica e protestos por usuários do tratamento estético. Os aparelhos também podem ser usados para tratamentos de doenças como vitiligo e psoríase, explica Almeida, mas, ainda assim, não são seguros ou saudáveis. O paliativo para esse tipo de tratamento, no caso, é o controle. “Existem aparelhos de uso médico para estas e outras doenças que são monitorizadas por uma equipe médica que calcula a dose de cada paciente, o número de sessões e define o tipo de luz a ser usada”, afirma o médico. E completa dizendo que atualmente existem aparelhos com um espectro mais curto e definido de luz a fim de minimizar os efeitos colaterais para o paciente.

O risco do bronzeamento em câmaras não se restringe só ao câncer de pele. O dermatologista explica que, além do melanoma e dos carcinomas basocelular e espinocelular, pode contribuir para o surgimento de doenças oculares, como a catarata, e para deprimir o sistema imunológico, o que pode levar a outras doenças. E não é tudo. “O bronzeamento também pode ser um fator desencadeante ou agravante de doenças como lúpus eritematoso, porfiria, pelagra, xeroderma pigmentoso, urticária solar entre outras”, relata Almeida, que acrescenta que a radiação também pode reagir a medicamentos orais ou tópicos e causar danos à pele. O médico finaliza: “por tudo isso, não faça bronzeamento artificial”.

Vacina contra HPV previne câncer do colo de útero

O câncer de colo de útero é o segundo tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil. A afirmação é da introdução do trabalho “Estudo da incidência de câncer de colo de útero nas regiões da grande Florianópolis e sul do estado de Santa Catarina e análise da metologia utilizada para a realização do exame”, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), cerca de 18 mil brasileiras desenvolverão a doença em 2010.

Entre os diversos fatores que aumentam o risco de desenvolver a doença, como higienização inadequada da genitália, tabagismo e uso prolongado de contraceptivos orais, o vírus do papiloma humano (HPV, sigla em inglês) é um dos mais preocupantes, devido à sua vasta propagação. Segundo o Inca, estudos apontam que 50 a 80% das mulheres no mundo inteiro irão contrair o vírus em algum momento de suas vidas, ainda que o contágio seja passageiro e sem maiores efeitos sobre a vida do hospedeiro.

Contudo, contrair o HPV não é o bastante para desenvolver o câncer. Aliado a outros fatores, estima-se que 2% das pessoas que contraem o papilomavírus chegam a apresentar a doença no colo do útero. É o que diz o ginecologista oncológico, Etelvino Tindade, presidente da Comissão Nacional de Ginecologia Oncológica da Federação das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Segundo ele o vírus do HPV pertence a uma família que infecta epitélios. “Na infecção ele pode causar efeito proliferativo das células, promovendo tumoração chamada condiloma acuminado, ou pode integrar o genoma da célula, isto é, ser incluído no DNA da célula hospedeira e, nesse caso pode ser carcinogênico, pois pode desregular a proliferação das células.”, explica.

Vacinação

Devido à possibilidade, ainda que pouco frequente, do HPV desenvolver o câncer de colo de útero, a vacina contra o vírus é considerada uma importante aliada também no combate à neoplasia. Eficaz contra as principais formas de HPV responsáveis pelo câncer, a imunização promete diminuir consideravelmente as chances de meninas e adolescentes contraírem as duas doenças, diz Trindade. Ele explica que há dois tipos de vacinas: a bivalente e a quadrivalente, ambas com três doses a serem tomadas em intervalos diferentes. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda a vacina quadrivalente para mulheres dos nove aos 26 anos de idade, e a bivalente para mulheres dos dez aos 25 anos. De acordo com o proctologista, Sidney Nadal, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, alguns pequenos efeitos colaterais, como inchaço no local e mal estar costumam aparecer. O tratamento, porém, se mostra muito eficaz: “ambas as vacinas têm poder imunogênico muito elevado, ou seja, a vacina promove a formação de anticorpos anti-HPV de modo mais eficaz que a própria infecção viral”, diz Nadal.

Também para homens

Os homens também são suscetíveis ao contágio do HPV e, por isso, existem alguns especialistas que sugerem que a vacinação também seja implantada para eles. O proctologista Nadal explica que ainda estão sendo realizados estudos para se definir a real importância da imunização em pacientes do sexo masculino. Ele acrescenta que em alguns países a vacinação para homens já é uma realidade e explica por que ela ainda não é uma unanimidade. “Em primeiro lugar, a mulher, sendo a maior vítima do câncer HPV induzido, foi pesquisada e testada antes dos homens. Portanto, os resultados primeiramente publicados se referiram às mulheres. Em segundo lugar, houve o problema dos resultados na população masculina testada não serem tão animadores como os das mulheres”. Ainda assim, ele diz que a vacinação em homens também tem se mostrado eficaz.

O ginecologista Etelvino Trindade completa explicando que, além do HPV, outras doenças são geralmente associadas ao câncer de colo de útero. Entre algumas infecções bacterianas, a herpes genital e o HIV são considerados favorecedores da doença.

Conheça a mielodisplasia

O que a princípio parece um simples caso de anemia pode na verdade ser algo muito mais grave. A mielodisplasia é uma doença detectada na análise da medula óssea. De origem morfológica na hematopoiese, o processo de formação e desenvolvimento dos elementos do sangue, pode ser assintomática, percebida somente em alterações no exame de sangue. É o que explica Silvia Magalhães, vice diretora de defesa de classe da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH). Ela diz que a doença pode ser primária — desenvolvida a partir de várias condições benignas, como doenças autoimunes anemias e doenças infecciosas — ou secundária, por meio de exposição a agentes tóxicos e alguns medicamentos. “Pode ainda ser devida à condição neoplásica (câncer) denominada síndrome mielodisplásica (SMD)”, completa e acrescenta que a SMD e a mielodisplasia têm seus termos frequentemente usados indistintamente.

O diagnóstico da SMD é feito por exclusão de outras condições, pois não há uma característica biológica marcante na doença, diz a especialista. “Pacientes que apresentam anemia isolada ou acompanhada de outras citopenias (deficiência em outros componentes do sangue), refratária e inexplicada, devem ter sua medula óssea analisada, através do mielograma e biópsia óssea”. Ela explica ainda que o principal grupo de risco da SMD primária são os pacientes com mais de 60 anos e a frequência da doença aumenta conforme a idade. Já na SMD secundária, o grupo de risco são ex-pacientes que passaram por processos químio ou radioterápicos, sendo mais agressiva nesses casos e acometendo pessoas mais jovens.

Tratamento

Ainda de acordo com ela, uma série de exames laboratoriais pode indicar se a doença tem potencial de evoluir para uma leucemia, e, dependendo do risco, muda-se o tratamento. “Para pacientes considerados de baixo risco, o tratamento tem como objetivo a melhora hematológica. Já para os de alto risco, o tratamento visa modificar a evolução natural da doença. Até os dias atuais, apenas o transplante de medula óssea é a opção terapêutica com potencial curativo”, explica. Mas, ressalta que o transplante é contraindicado para a maioria dos pacientes, devido à idade avançada e outras doenças comuns da velhice. Por isso, a médica aponta outras opções de tratamento da doença de alto risco, como quimioterapia e alguns medicamentos recentemente regulados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para esta patologia.

Sintomas e falta de estimativas precisas

Como a mielodisplasia tem diferentes graus de agressividade, sintomas podem ou não aparecer. Silvia afirma que os sintomas, quando existem, são associados aos da anemia: fraqueza, falta de energia para esforços físicos habituais, dispnéia de esforço, palpitações e até dor precordial nos pacientes portadores de algum grau de insuficiência coronariana. “A neutropenia (deficiência de neutrófilos no sangue) predispõe à infecção, com febre e os sinais de localização do processo infeccioso. A plaquetopenia (deficiência de plaquetas), quando acentuada, resulta em manifestações hemorrágicas de pele e mucosas que, a depender da intensidade, podem ser secundárias a trauma ou espontâneas”. Por essas razões, ela salienta que toda anemia em pessoa idosa deve ser investigada atentamente.

Silvia Magalhães complementa que não há estimativas precisas da incidência da SMD no Brasil. “Em sua publicação ‘Estimativa 2010 – Incidência do Câncer no Brasil’, o Instituto Nacional do Câncer (Inca), não estima a incidência da SMD, apenas de um grande grupo intitulado conjuntamente leucemias”. Em compensação, ela afirma que está sendo criado um Registro Brasileiro de Síndromes Mielodisplásicas, formado por 12 grandes centros de pesquisa do país. Em um primeiro momento, o grupo está sendo destinado a fazer estudos preliminares sobre a idade média dos brasileiros com a doença, além da coleta e análise de dados de 490 pacientes diagnosticados com mielodisplasia entre 2003 e 2007.

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