Nos últimos anos, a tecnologia para registrar, armazenar e transplantar medula óssea evoluiu consideravelmente. Sendo um dos tratamentos mais eficazes para tratar doenças do sangue como leucemias, linfomas e anemias, o transplante de medula é hoje uma realidade no Brasil. O fato se deve a campanhas de mobilização e a criação de bancos de dados, como o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) e o Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme), ambos sob responsabilidade direta do Centro de Transplantes de Medula Óssea do Instituto Nacional do Câncer (Cemo/Inca). Segundo o diretor do Cemo, Luiz Fernando Bouzas, o Redome conta hoje com cerca de 1,6 milhão de doadores e hoje é o terceiro maior registro do mundo.
Um dos grandes avanços da área foi a descoberta da relevância do sangue presente no cordão umbilical e placenta, ricos em células-tronco hematopoiéticas, que são responsáveis por formar no feto o sistema sanguíneo e imunológico. O material, que era descartado, passou a ser armazenado na Rede Nacional de Bancos Públicos de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário para Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas (BrasilCord). O órgão administra os dados do Registro Nacional de Sangue de Cordão Umbilical (Renacord), criado em 2008 e também sob o comando do Cemo/Inca. Esse registro funciona integradamente com o Redome para facilitar a busca por doadores.
Bouzas explica a vantagem desse tipo de sangue: “o sangue de cordão umbilical e placentário (Scup) tem menores exigências de compatibilidade por serem células adultas, porém mais jovens que as obtidas da medula óssea, desta forma provocam menos reações de rejeição e a chamada doença do enxerto contra o hospedeiro, complicação que é frequente após o transplante”.
Entretanto, existem algumas variáveis que podem comprometer o sucesso do transplante que utiliza o Scup. O médico esclarece que a eficácia do tratamento depende principalmente da idade do paciente, do estágio da doença, do tempo de espera para se fazer o transplante e da qualidade do material — além da compatibilidade, é feita uma relação entre o peso do paciente e a quantidade de células-tronco presentes na amostra. “Em geral, a sobrevida média é de 50% a longo prazo, ou seja, sobrevivem mais do que cinco anos”, acrescenta.
O diretor do Cemo explica ainda que as chances de compatibilidade entre doador e receptor é maior quando os dois pertencem à mesma etnia e, por isso, é importante que o Brasil tenha um banco de dados próprio: “a existência de um registro forte e da rede BrasilCord diminui nossa dependência de buscar material em bancos estrangeiros. Além disto, devido à miscigenação intensa de nossa população, fica mais fácil encontrar doadores para brasileiros nos sistemas nacionais que no estrangeiro”.
Armazenamento
O sistema de armazenamento do Scup é gratuito e aberto ao público nas maternidades conveniadas. As mães preenchem um termo de consentimento e passam por um rigoroso critério de seleção, e o material coletado é armazenado em equipamentos de última geração. Infelizmente, de acordo com Bouzas, o sistema BrasilCord ainda não está completo, e por enquanto só existem oito bancos de armazenamento, para os quais estão cadastradas duas ou três maternidades cada. “A Rede BrasilCord estará completa até 2011 com 13 bancos e em cinco anos armazenará 65 mil unidades de Scup”, garante.
Bancos de Scup em funcionamento:
- INCA
- Hospital Albert Einstein
- Hospital Sírio-Libanês
- Hemocentro, em Campinas
- HC de Ribeirão Preto
- HEMOSC, em Florianópolis
- HC do Distrito Federal
- HEMOCE, em Fortaleza
