Em janeiro de 2010, o ator Michael C. Hall, vencedor do Globo de Ouro e popular pelas séries de televisão Dexter e Six Feet Under, revelou que estava em tratamento contra o linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que ataca os gânglios linfáticos, parte do sistema imunológico. Entretanto, após três meses de quimioterapia, sua esposa — a atriz Jennifer Carpenter, que faz o papel de sua irmã em Dexter — anunciou que Hall estava completamente curado da doença, e que, inclusive, já estava trabalhando novamente.
O câncer do ator ganhou visibilidade na mídia nos últimos meses. Apesar de ser considerada uma doença grave, o linfoma de Hodgkin é uma das formas de tumores com maior chance de cura: 85% dos casos são vencidos por meio de tratamentos de quimioterapia, radioterapia ou transplante de células-tronco. É o que afirma a Dra. Ana Lúcia Cornacchioni, coordenadora do comitê médico-científico da Abrale (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia), em seu manual O que você deve saber sobre Linfomas, publicado pela instituição. Ela explica que, embora os médicos não saibam ao certo o que causa a doença, ela é mais comum entre pacientes de 20 a 30 anos, e, depois de um hiato na meia idade, pode começar a se desenvolver também depois dos 60 anos.
“O sinal mais frequente do linfoma de Hodgkin é o aumento de um ou mais linfonodos (gânglios linfóides). Eles podem estar no pescoço, na parte superior do peito, nas axilas, abdômen ou virilha e não causam dor”, explica a Dra. Cornacchioni, e complementa que febre, suores noturnos, lesões na pele, fadiga e perda de peso são os principais sintomas. A cartilha da Abrale aponta ainda que as células tumorais causadas por essa doença (também chamadas de células de Reed Sternberg) podem passar para outros linfonodos por meio de vasos linfáticos, próprios do sistema, e são facilmente visíveis no microscópio. Essa característica auxilia no diagnóstico da doença.
Tratamento
Como a doença apresenta quatro estágios de gravidade, os tratamentos para o linfoma de Hodgkin variam conforme o tumor evolui. A coordenadora da Abrale explica que a radioterapia pode bastar para reverter o primeiro estágio, quando as células se encontram em apenas uma região. Já a quimioterapia é indicada para todas as outras fases, quando o linfoma já está espalhado pelo corpo. Por fim, o transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) alogênico (feito a partir de células de doadores) é raramente indicado para linfomas, pois, além da dificuldade de se encontrar doador, corre-se o risco de diversas infecções devido à baixa imunidade do paciente. Porém o TCTH autólogo, que é realizado a partir da medula do próprio paciente, é indicado em conjunto com a quimioterapia por apresentar resultados melhores em comparação ao tratamento quimioterápico isolado.
Fatores de risco
Até hoje a comunidade científica não conseguiu determinar exatamente todos os fatores que podem contribuir para desenvolver linfoma de Hodgkin. Alguns fatores, como hereditariedade, por exemplo, ainda necessitam de comprovação. Outros fatores já são conhecidos, conforme explica a Dra. Cornacchioni. O contato constante com materiais químicos, inseticidas e herbicidas, além da baixa imunidade causada por doenças como o HIV ou por outros fatores como transplante de órgãos são comprovadamente agravantes para que uma pessoa desenvolva o linfoma.
