A sífilis é uma doença sexualmente transmissível (DST) cujos malefícios são conhecidos há muito tempo. Causada por uma espiroqueta denominada Treponema pallidum a doença pode chegar até o cérebro e causar, entre outras sequelas, a loucura. Esse estágio da doença já foi uma das formas mais comuns de demência. Sabe-se que algumas figuras históricas importantes tiveram a doença, entre elas o pintor Henri de Toulouse-Lautrec, o escritor Guy de Maupassant e o czar russo Ivan, o Terrível.
Renato Luiz Sbalqueiro, ginecologista e obstetra do departamento de tocoginecologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR), afirma que a forma mais comum de contágio da sífilis é por via sexual, em contato com lesões úmidas que contém o agente causador. “Também pode ser contraída por transfusão de sangue, mas isso é muito raro hoje em dia, pois os laboratórios realizam exames para detectar a doença no doador”, diz.
Ele acrescenta que o contágio ainda pode ser feito por meio de drogas injetáveis, pois os usuários deixam um pouco de sangue na seringa antes de injetar o tóxico. “Há ainda o chamado contagio vertical, ou transmissão perinatal, que ocorre da mãe para o filho durante a gravidez. Temos hoje cerca de 30 mil casos anuais desse tipo de contágio no Brasil, sendo que ele pode ser evitado com o pré-natal. Isto mostra que muitas mães, a maioria por ser usuária de drogas, não realizam os exames”, conclui.
O ginecologista explica que a sífilis tem algumas fases: “o período de incubação da doença, ou seja, o tempo desde o contágio até a manifestação dos sintomas, pode ser de 20 dias a dois meses”. Após a incubação, o primeiro sintoma é o chamado cancro duro, uma ferida que pode aparecer no pênis, vulga, ânus ou boca. Sbalqueiro esclarece que, se não for tratada neste período, o organismo produz os anticorpos para tentar combater a sífilis. “Esse tipo de resolução, porém, gera uma fase de latência, que pode ir de alguns dias a alguns meses, até o aparecimento da fase chamada de sífilis secundária”, adverte. Neste estágio, também chamada de doença das mil e uma faces, pela imprevisibilidade da manifestação dos sintomas pelo corpo.
Segundo o médico, são comuns as lesões de pele na sífilis secundária. “Se não tratada, ocorre um novo período de latência, desta vez bem maior, podendo ter mais de 20 ou 25 anos”, continua Sbalqueiro. Passado essa latência, ocorre a sífilis terciária: “No terciarismo, ocorrem sequelas definitivas, sífilis neurológica e lesões cardíacas e articulares”. Nas gestantes, a doença pode causar ainda aborto, óbito intrauterino, prematuridade e malformações no feto. Há ainda o risco da criança nascer com a doença ou apresentar os sintomas após os dois primeiros anos de vida.
O tratamento da doença é relativamente simples e feito basicamente com penicilina. “Desde o surgimento da penicilina na segunda guerra mundial, ela continua sendo um medicamento totalmente eficaz para a cura da sífilis O uso e a maneira da medicação vai depender muito do estágio da doença. Dependendo do estágio, o tratamento pode ser mais demorado”, conclui Sbalqueiro.
