Entre os tratamentos mais comuns para se combater o câncer está a radioterapia. Especialidade médica que envolve o uso de radiações ionizantes para atingir células específicas, a radioterapia é aplicada para tratar especialmente tumores malignos, podendo, em alguns casos, ser usada para o tratamento de doenças benignas como quelóides e pterígios.
O tratamento pode ser usado em todos os tipos de câncer, sem distinção, porém com diferentes finalidades: curativa ou paliativa, para aliviar os sintomas da doença, conforme explica o médico Carlos Manoel Mendonça de Araújo, chefe do Serviço de Radioterapia do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Pode ser usada, também, de maneira isolada ou em conjunto com a quimioterapia.
Como funciona
Os raios de alta energia usados no tratamento radioterápico combatem o câncer de duas maneiras: “A primeira é atingindo as células doentes e provocando um dano letal com o consequente desaparecimento do tumor. A segunda é impedindo o crescimento do tumor e, portanto, controlando o avanço da doença”, explica o médico.
Os raios atingem todas as células da região, saudáveis ou não. A diferença é que as células saudáveis se recuperam facilmente, enquanto as células doentes são destruídas ou lesadas, afetando assim a sua capacidade de se reproduzir. “A aplicação do tratamento é simples indolor e rápida, normalmente demora de um a três minutos. O paciente fica durante esse tempo de aplicação em uma sala, monitorado por câmeras de vídeo e imediatamente quando termina o tratamento ele pode retornar a suas atividades normais, ir as compras, ao trabalho ou seja o que for. Não há necessidade de isolamento para a maioria dos tratamentos com radiação nem restrição de contato com adultos ou crianças”, comenta o chefe do serviço de radiologia do Inca.
Efeitos colaterais
Como todo tratamento médico, a radioterapia também está sujeita a causar alguns efeitos colaterais, que variam conforme o local que está sendo tratado – diferentemente da quimioterapia, por exemplo. “Quando tratamos o intestino, por exemplo, o paciente pode ter diarréia. Se o local tratado é a cabeça, o cabelo pode cair. Se o tratamento é na boca pode-se esperar redução temporária do paladar ou redução da salivação”, exemplifica Araújo.
Panorama brasileiro
O tratamento radioterápico é oferecido pela maioria das empresas de seguro privado e também pelo Sistema Único de Saúde (SUS), porém nem todos hospitais estão cobertos com equipamentos de radioterapia oferecidos pelo governo. “O custo de instalação de um serviço de radioterapia é muito alto porque não existem equipamentos nacionais. Desta forma, um tratamento feito sem o suporte do SUS ou de uma empresa de convênio é caro para a maioria das pessoas. Este ano são esperados no Brasil perto de 500 mil novos casos de câncer e perto de 300 mil dessas pessoas vão precisar de radioterapia. O número de serviços existentes, apesar dos esforços do governo, ainda não é suficiente para atender a toda a população que precisa desse tratamento”, afirma Carlos Manoel Mendonça de Araújo.
