O número de casos de doenças emocionais vem crescendo nos últimos anos. A competitividade entre as pessoas no mercado de trabalho além de frustrações emocionais, familiares e amorosas no dia-a-dia contribuem para o aumento de casos de depressão entre as pessoas.
Para explicar um pouco desse fenômeno, o MEDICSUPPLY entrevistou a Dr. Beatriz Rangel, médica psiquiatra e psicoterapeuta com residência médica no Departamento de Neuropsiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
A que se deve a depressão e porque esse quadro pode se agravar no final do ano?
Depressão é uma doença desencadeada por vários fatores: genético e fatores externos que podem deflagrar a doença. No fim do ano muitas emoções estão presentes e ajudam a dar o estopim para depressão.
Em relação à faixa etária há alguma em especial que é mais afetada pela depressão?
Um terço das mortes de jovens entre 15 e 25 anos é por suicídio e a depressão tem forte ligação com grande parte dos casos. A depressão em jovens está relacionada ao uso de drogas, pressão da sociedade e medo do futuro. Os idosos também são fortemente afetados pela doença, por dificuldades que passam nesta etapa da vida. Grande parte não tem amparo financeiro para se manter e tem difícil acesso ao mercado de trabalho. A solidão nesta idade também pode estimular o aparecimento da depressão.
Problemas financeiros somados a essa crise financeira também são fatores que podem agravar um quadro depressivo?
Sim. Crise financeira gera medo, estresse e angústia. São emoções ligadas diretamente à depressão. O estresse traz carga emocional elevada e que aciona mudanças neuro-hormonais que dão início à depressão.
Qual o papel da família quando se depara com algum deprimido no seu dia-a dia? Como ajudar alguém em depressão?
O papel fundamental é o de apoio. A família tem grande influência também na compreensão da doença e no estímulo à busca do médico. Não deve ignorar sintomas e minimizar a importância da aparente tristeza ou desânimo para atividades normais. Não deve criticar e incentivar a manutenção do tratamento. Muitos aconselham a parar de tomar o remédio, o que pode frear a evolução do tratamento.
Como detectar que a pessoa está com início de depressão?
A percepção que a pessoa não mostra mais prazer por atividades que ela gostava de realizar e tinha interesse. Perda da vaidade pode ser outro sinal para pessoas que costumavam ter trato especial com o visual, corpo e outros detalhes. Alteração de humor, como a pessoa ficar mais calada, afastada dos amigos e mais irritada. Alteração em hábitos alimentares quando a pessoa come muito ou não come nada (um paciente relatou que engordou oito quilos em dois meses). Alteração do sono, do mesmo modo, dorme muito ou não dorme nada. Esses são alguns sintomas mais evidentes.
