A Food and Drug Administration (FDA), órgão dos Estados Unidos que regularize medicamentos, aprovou recentemente a primeira vacina para o câncer de próstata. O fármaco Provenge, produzido pela fabricante Dendreon demonstrou resultados consideráveis mesmo para casos avançados da doença. Segundo o urologista, Eduardo Bertero, a vacina estimula a produção de anticorpos para combater a doença no organismo, uma abordagem nova no tratamento de neoplasia. “Este não foi o primeiro medicamento aprovado para o tratamento do câncer de próstata, já temos uma grande variedade deles sendo comercializada. Mas é a primeira vacina” afirma.
Bertero ressalta, porém, que a vacina não garante a cura da doença: “O termo cura não deve ser adotado, pois os estudos não mostram esse resultado. De acordo com ensaios clínicos recentes houve uma redução do risco de morte em 33% e aumento da sobrevida em 4,3 meses com o uso dessa vacina”. Ainda segundo ele, o Provenge foi estudado em estágios avançados do câncer, ou seja, quando o tumor já atingia outras partes do corpo.
Regulação
Uma das maiores preocupações durante os estudos clínicos da doença foi em relação aos efeitos colaterais da doença, explica o urologista. Segundo ele, 3% dos pacientes não conseguiram terminar o tratamento em virtude do mal estar causado pelas reações adversas. “Mais frequentemente foram relatados calafrios, fadiga, febre, dor lombar e dor de cabeça. Estes eventos ocorrem nos primeiros dois dias, de leve a moderada intensidade e transitórios”.
Apesar disso, o Provenge conseguiu a aprovação da FDA, que, segundo Bertero, tem sido rigorosa em seus critérios. “Acredito que seja questão de tempo até o medicamento ser aprovado no Brasil também”. A fabricante Dendreon afirmou que ainda não tem previsão de quando este medicamento será comercializado no Brasil.
Segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca) atualmente, o câncer de próstata é o segundo tipo da doença mais comum entre homens e o sexto mais comum no mundo inteiro, sendo responsável por cerca de 10% de todas as formas de câncer. O Inca estima ainda que em 2010, pouco mais de cinquenta e dois mil homens desenvolverão a doença no Brasil.
