A quantidade de ferro no sangue está diretamente relacionada ao desenvolvimento do câncer de mama. É o que aponta um estudo do Centro Médico da Universidade Wake Forest, dos Estados Unidos. Segundo os pesquisadores, foi observado que a proteína responsável por eliminar a substância das células do organismo, conhecida como ferroportina, apresenta-se em pouca concentração em tumores da mama, em comparação a outros tipos de tecido. A pesquisa foi publicada na revista especializada Science Translational Medicine.
De acordo com Suzy Torti, professora de bioquímica da Universidade de Wake Forest e uma das principais responsáveis pela pesquisa, a carência da proteína provoca um acúmulo de ferro, o que contribui para o desenvolvimento da neoplasia e afeta diretamente a agressividade da doença.
Os pesquisadores normalizaram o nível da proteína nos tumores em um seio humano implantado em camundongos e puderam observar que o tumor passou a se desenvolver mais lentamente. “A ferroportina elimina o ferro da célula e, assim, uma vez recolocada na célula, a proteína eliminou o estímulo de crescimento do câncer. O estudo sugere que a ferroportina tem uma influência significativa sobre o comportamento da doença”, explicou Suzy.
Entretanto, é preciso ressaltar que o comportamento do ferro dentro das células do organismo não é relacionado ao consumo da substância, portanto, alterações no regime alimentar não são eficazes para aumentar a concentração de ferro na mama.
O estudo também sugere que o nível da proteína nas células cancerosas está diretamente relacionado à sobrevida das pacientes. Os pesquisadores avaliaram os casos de 800 mulheres com a doença e perceberam que a concentração de ferroportina era particularmente baixa em regiões onde o tumor era mais agressivo. Em contrapartida, o nível elevado da proteína significava uma sobrevida de até 90%, em longo prazo.
“Utilizar a ferroportina como um indicador da regulação de ferro pode ser útil no prognóstico do câncer de mama e poderia ajudar a determinar o tratamento. No futuro, a manipulação do teor de ferroportina ou proteínas que afetam o seu nível pode ser um tratamento eficaz contra o câncer de mama”, diz o estudo.
