O aparecimento do câncer está aliado a uma série de fatores, ambientais, hereditários e até sociais de cada pessoa. Daí a importância de se adotar hábitos de vida saudáveis, como uma alimentação balanceada, tendo como objetivo prevenir o aparecimento de neoplasias. E um dos aliados dessa dieta é o ômega 3, um ácido graxo de grande importância tanto para a saúde cardiovascular em geral como para a prevenção do câncer.
Porém, os pesquisadores do Centro de Estudos do Câncer Fred Hutchinson, nos Estados Unidos, divulgaram em abril de 2011 um estudo em que questionam se altas porcentagens de ômega 3 no sangue não podem aumentar as chances de incidência de câncer de próstata agressivo de alto grau. O estudo, porém, ainda não é conclusivo, como afirmam os próprios pesquisadores. Ainda há necessidade de novas pesquisas que corroborem a tese para que se possa afirmar que ômega 3 em excesso causa câncer de próstata agressivo.
Análise com cautela
Para o nutricionista da área de alimentação e câncer do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Fábio Gomes, estudos como este do Centro de Estudos do Câncer Fred Hutchinson devem ser analisadas com cautela: “São necessários mais estudos com resultados semelhantes para tirarmos conclusões. Devemos trabalhar com o conjunto de evidências”.
Os próprios pesquisadores do centro americano evidenciam essa necessidade: “As gorduras ômega 3 afetam outros processos biológicos. Pode ser que esses mecanismos desempenhem um papel no desenvolvimento de certos cânceres da próstata”, disse Theodore Brasky, um dos responsáveis pelo estudo. “Esta é certamente uma área que necessita de mais pesquisas”, pondera.
Nutrientes do bem
Para não restar dúvidas, o nutricionista Fábio Gomes sugere optar por nutrientes que conhecidamente são benéficos para a saúde. “De repente não vale a pena investir num alimento que é benéfico para a saúde cardiovascular por um lado, mas pode ser prejudicial ao organismo por outro. A estratégia da prevenção pode ir por outro caminho, como alimentos ricos em licopeno, de cor avermelhada. O tomate é um bom exemplo”, complementa o especialista.
