A contaminação pelo HIV se tornou a maior causa de morte em mulheres na idade reprodutiva (entre 15 e 49 anos). Essa informação é da Unaids (Programa da Organização das Nações Unidas de Combate à Aids), que no início de março lançou um plano de ação para combater as violações dos direitos humanos que expõem mulheres e jovens ao vírus HIV.
Isso mostra que a Aids está atingindo as mulheres na mesma proporção que atinge os homens”, analisa a Dra. Maria das Graças Sasaki, professora de infectologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Antes a proporção era de 28 homens infectados para cada mulher – hoje são apenas oito”.
A justificativa revelada pela ONU para esse quadro é que as mulheres são alvos constantes de agressões e abusos. “A violência é a grande responsável pela disseminação do vírus – mesmo dentro de casa a mulher não tem o direito de optar por relações sexuais com preservativos”, explica Sasaki. “No dia 8 de março se comemora o Dia da Mulher, mas as mulheres continuam morrendo de Aids. Para representar melhor esta data, cada mulher do mundo deveria ganhar o direito da escolha, o direito de se proteger”.
Defesas
A médica e professora relata casos vistos dentro do seu consultório. “Eu tinha uma paciente que ela, o marido e o filho eram infectados. Ela cuidava de todos, dava remédio para todos e só por último cuidava de si mesma. Isso não pode acontecer, ela tem que se priorizar para assim poder cuidar de seus familiares”. Outro ponto ressaltado por Sasaki é o uso do preservativo. “Os casais infectados devem usar preservativos – a camisinha é muito importante, mesmo dentro do casamento”, afirma.
A ação da ONU contribui para a conscientização de que depende da população mudar esse quadro. “Muitas mulheres estão morrendo de Aids, quando temos remédios para essa doença. Temos que trabalhar o diagnóstico precoce e também conscientizar sobre a importância do uso de preservativos para evitar a transmissão do vírus”, alerta a médica.
