Uma cepa da bactéria gram-negativa Escherichia coli, que se aloja no intestino humano, está preocupando cientistas do mundo todo e colocando o planeta em estado de alerta. Pacientes ingleses que viajaram para o sul da Ásia para fazer cirurgias trouxeram de volta para a Inglaterra uma variação da E. coli que contém uma enzima capaz de torná-la resistente aos antibióticos conhecidos, inclusive aos carbapenem, grupo desse tipo de medicamento, usado apenas em situações de emergência. A mutação, descoberta pela primeira vez em Nova Delhi, na Índia, e por isso mesmo conhecida como New Delhi metallo-lactamase, ou simplesmente NDM-1, também já foi identificada no Paquistão e agora em 37 pacientes do Reino Unido, que estão sob vigilância rigorosa.
De acordo com a infectologista, Ciane Mackert, a cepa atua como qualquer outra bactéria E. coli normal e já havia sido identificada em 2007. Mas, agora que novos focos surgiram, as autoridades sanitárias do mundo inteiro estão unidas para impedir que haja uma infecção global. A ameaça aos humanos é real: “as cepas que contêm a enzima têm potencial de infecção humana e, quando não devidamente tratada, pode evoluir para formas graves de doença e até causar a morte. Uma vez que a enzima torna as bactérias resistentes aos antibióticos, o tratamento ficaria inviável”, afirma Ciane.
O esforço maior dos órgãos de saúde agora é isolar os casos de infecção dessa superbactéria e tentar controlar ao máximo sua disseminação, além de identificar novos focos e estudar uma opção de tratamento. A infectologista é otimista: “uma vez que a transmissão bacteriana é menor e mais fácil de ser controlada, caso haja um trabalho conjunto de pesquisadores, profissionais assistentes e autoridades sanitárias, acredito que esta cepa será combatida com sucesso”. Ela ressalta ainda que a preocupação é apenas para as cepas da Escherichia coli que apresentam a enzima NDM-1, ou seja, não se trata de uma bactéria comum.
