Assim como desenvolver medicamentos cada vez mais eficazes é igualmente importante estudar métodos para potencializar seu uso. Nesse sentido, a nanotecnologia tem sido cada vez mais utilizada e as pesquisas brasileiras têm se destacado no uso desses processos. Agora, um novo projeto, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), busca desenvolver um sistema nanocarregador capaz de transportar fármacos utilizados no tratamento de câncer de pele até o local de ação, para melhorar sua eficácia. A possibilidade dessa tecnologia patenteada permite desenvolver carregadores para outras doenças, além de atuar em outras áreas, como em alimentos, cosméticos e produtos de higiene pessoal.
De acordo com Natália Cerize, pesquisadora do Laboratório de Processos Químicos e Tecnologia de Partículas (LPP) e uma das responsáveis pelo desenvolvimento do trabalho no IPT, “o nanocarregador desenvolvido confere proteção do princípio ativo incorporado contra a degradação, aumento da estabilidade, melhoria da biodisponibilidade e facilita a permeação na pele”.
Os dispositivos foram testados in vitro em células para verificar sua toxicidade, e, em testes animais, realizadas com o auxílio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), demonstraram que, em uma primeira fase, o agente incorporado ao nanocarregador consegue ser transportado até a lesão sem toxidade renal ou hepática. Isso contribui para a continuação dos testes e uma posterior fase clínica com cobaias humanas.
A tecnologia empregada nos nanocarregadores tem potencial de ser desenvolvido em escala industrial, o que viabilizaria em um futuro próximo o desenvolvimento de produtos em escala nanométrica.
