Partes mecânicas implantadas em organismos humanos é uma realidade cada vez mais acessível ao homem moderno. O que começou com o marca-passo, pequeno instrumento implantado sob a pele que regula os batimentos do coração pode agora tomar uma nova proporção: recriar órgãos artificiais. É o caso de um protótipo de rim artificial implantável, apresentado por cientistas da Universidade da Califórnia em parceria com biólogos, médicos e engenheiros de diversas instituições dos Estados Unidos. O aparelho, acreditam os pesquisadores responsáveis, poderá eliminar a necessidade de sessões de hemodiálise e diminuirá consideravelmente a lista de espera por doadores — um dos maiores obstáculos para quem precisa de um rim novo, além de poder ser implantado sem a necessidade de imunossupressores, possibilitando ao paciente levar uma vida muito próxima do normal.
O rim artificial é composto de milhares de filtros microscópicos e um biorreator que replica as funções de um rim real, metabolizando o equilíbrio da água no sangue, além de filtrar as toxinas e impurezas. O equipamento também possui tecidos vivos cultivados em laboratório que, alojados em seu interior, permitem que células tubulares reais cresçam e forneçam as funções biológicas de um rim saudável. Funciona baseado na pressão do sangue do próprio paciente, dispensando assim, bombas e baterias que precisem ser renovadas de tempos em tempos.
A primeira fase do estudo, em que um aparelho maior foi construído e seus componentes individuais foram testados com eficácia em pacientes animais, já está concluída. Agora, os pesquisadores pretendem miniaturizá-lo, para que ele caiba no corpo, e pretendem começar em breve a testá-lo por inteiro em cobaias animais. A projeção dos cientistas é a de que os primeiros modelos comecem a ser testados em humanos dentro de sete anos.
