O aumento do número de casos de Aids entre os jovens brasileiros decorre de questões comportamentais, iniciação sexual precoce, falta de medo de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e o maior número de parceiros.
Dados do Ministério da Saúde revelam que, em 1986, havia 15 casos de Aids em homens para cada caso em mulher. Em 2002, esta razão se estabilizou em 15 casos em homens para 10 em mulheres. No entanto, em 1998 ocorreu uma inversão nesta proporção em jovens na faixa etária dos 13 aos 19 anos.
Hoje, o número de casos de Aids é maior entre as mulheres jovens, com 8 casos em meninos para cada 10 casos em meninas. Especialistas acreditam que elas estão mais vulneráveis devido a questões comportamentais.
Fernando Tavares de Lima, doutor em psicologia da educação, salienta que as mulheres têm mais chances de contrair o vírus. “Do ponto de vista de relacionamentos, continuamos vivendo em um país muito machista, onde a mulher muitas vezes tem que abrir mão do uso da camisinha, seja por se sentir segura no relacionamento, seja por pressão dos homens para não utilizá-la”, afirma. De acordo com o doutor, a mulher deve ser responsável em termos de prevenção e cuidados com seu corpo. Para isto, é preciso investir imensamente em ações anti-HIV.
No último carnaval o governo federal lançou a campanha “Camisinha. Com amor, paixão ou só sexo mesmo. Use sempre” que tem o objetivo claro de promover o sexo seguro para diminuir as taxas de infecção. No entanto, o desafio de não permitir que os casos de Aids continuem avançando entre os adolescentes brasileiros passa, necessariamente, pela educação.
De acordo com Fernando Lima, o Brasil não pode cometer o equívoco de descuidar das ações preventivas anti-HIV. “Estas não devem ser pontuais, mas sim projetos continuados que devem ser feitos no lugar ideal para isto: a escola”, diz. Segundo ele, aprender a refletir sobre opções da vida e as escolhas que se faz é algo que deve ser ensinado desde cedo, já na infância.
Combate à Aids na escola
Está nos planos do Ministério da Saúde investir ainda mais em projetos que garantam formação abrangente, nos quais os jovens possam debater e se informar sobre temas como diversidade sexual, prevenção de Aids, doenças sexualmente transmissíveis (DST) e gravidez na adolescência.
Uma opção estudada pelo Ministério é fortalecer o programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) criado em 2003 em parceria com o Ministério da Educação. As ações foram realizadas em 50 mil colégios, mas de acordo com os gestores não há estudos que mostrem os impactos disso.
O doutor Fernando afirma, porém, que para desenvolver ações de sucesso, é preciso concentrar esforços para dar boas condições de trabalho para que os educadores possam fazer um bom trabalho junto aos estudantes. “Investir na formação dos professores é muito necessário, desde a formação inicial até a continuada”, diz.
Camisinha para os alunos
O estudo “Saúde e Prevenção: cenários para a cultura de prevenção nas escolas”, realizado pela UNESCO, em 2007, com estudantes de 135 escolas públicas que participavam do projeto, a distribuição da camisinha no ambiente escolar é considerada “uma ideia legal” para 89,5% dos estudantes e 63% dos pais.
A pesquisa ainda mostra que 44,7% dos alunos têm vida sexual ativa. Grande parte deles (60,9%) afirmou ter usado preservativo na primeira relação sexual. Segundo 42,7% dos estudantes, eles só não usam o preservativo nas relações porque, na hora “H”, não o tem.
