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Blog Dicas de Saúde

03/03/2010

Médica nefrologista esclarece dúvidas sobre hipertensão arterial

Especialista mostra que o estresse é um dos fatores que podem gerar uma crise

A internação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro, no Real Hospital Português de Beneficência, no Recife, acendeu o debate a respeito dos fatores que podem acarretar em uma crise hipertensiva. A equipe da MEDICSUPPLY fez uma entrevista com a médica nefrologista, Dra. Katia Coelho Ortega, para esclarecer as dúvidas sobre a influência do estresse em pacientes hipertensos, a importância do controle da pressão arterial e como agir no caso de uma crise hipertensiva.

Qual é a influência específica do estresse em pacientes hipertensos?
Foi demonstrado em alguns estudos que a resposta pressórica exacerbada aos testes de estresse mental tem valor preditivo para desenvolvimento de hipertensão futura, principalmente quando associada à presença de história familiar de hipertensão arterial sistêmica. Considerando que a magnitude dos efeitos fisiológicos ao estresse depende da interação entre o estímulo e o indivíduo, situações semelhantes podem produzir respostas bastante diversas em pessoas diferentes e no mesmo indivíduo em condições diferentes.

Que outros fatores, além do estresse, podem contribuir para a hipertensão?
A hipertensão é uma doença que tem múltiplas causas e envolve aspectos tanto genéticos quanto ambientais. Geralmente, pessoas hipertensas possuem parentes próximos que também apresentam o mesmo problema. Outros fatores que podem contribuir para o aparecimento e/ou agravamento da hipertensão são o excesso de sal, o consumo elevado de bebida alcoólica, obesidade, sedentarismo e o uso regular de anticoncepcionais.

O que é crise hipertensiva?
A crise hipertensiva é a elevação repentina da pressão arterial, em pessoa normotensa ou hipertensa. Os órgãos acometidos durante a crise são: olhos, rins, coração, cérebro. A crise hipertensiva apresenta sinais e sintomas agudos de intensidade severa e grave, com possibilidade de deterioração rápida dos órgãos-alvo. Pode haver risco de vida potencial e imediato, pois os níveis de pressão arterial estão acima de 180/110 mm Hg (18 por 11).

Quais são os primeiros sinais de uma crise no organismo?
Alguns sinais de crise hipertensiva:
-  Sistema Nervoso Central: dor de cabeça, tontura, alterações visuais e da fala, nível de consciência, agitação ou apatia, confusão mental, déficit neurológico focal, convulsões e coma.
- Sistema Cardiovascular: dor torácica,  palpitações, mudança do ritmo cardíaco, falta de ar.
- Sistema Renal: redução do volume urinário, inchaço.

Como agir no caso de uma crise?
A crise é classificada em emergência e urgência hipertensiva. O tratamento deve ser realizado de acordo com o órgão-alvo envolvido e exige cuidados de uma unidade de terapia intensiva (UTI) devido às condições hemodinâmicas e neurológicas instáveis que podem oferecer risco de morte iminente. O paciente deve ser hospitalizado e tratado com vasodilatadores, por via intravenosa. O uso de anti-hipertensivos orais deve ser iniciado juntamente com os de uso parenteral para facilitar a sua retirada, posteriormente, e para se conseguir um melhor controle da pressão arterial. Recomenda-se terapêutica aguda do estresse psicológico, enquanto a hipertensão arterial deverá ser tratada em ambulatório.

Quais são os cuidados que o paciente hipertenso deve tomar para evitar as crises?
Para evitar-se uma crise hipertensiva é necessário manter o tratamento adequado, que é feito através de mudanças nos hábitos de vida e o uso de medicamentos. As mudanças nos hábitos incluem: abandonar o tabagismo, reduzir o consumo de sal e bebidas alcoólicas, controlar a obesidade e o estresse, ter uma alimentação saudável (evitar gorduras e ingerir muitas verduras, legumes e frutas) e praticar atividade física com regularidade.

Como é possível diferenciar a crise hipertensiva da uma “pseudo-crise”?
A “pseudo-crise hipertensiva” é associada frequentemente ao abandono do tratamento medicamentoso em pacientes hipertensos ou pode ser a apresentação clínica de pacientes que não são hipertensos, mas que são portadores de outra condição clínica que eleva a pressão arterial de forma secundária (dor, desconforto, medo, dormência, palpitações, tonturas e tremores). A ausência de sinais de deterioração rápida de órgão-alvo torna desnecessária a utilização de medicações para controle rápido da pressão arterial, bastando o uso de medicação sintomática específica. O paciente deve ser reavaliado por algumas horas, reintroduzindo-se a medicação anti-hipertensiva, além de retorno ambulatorial, para orientação sobre adesão ao tratamento e ajuste de doses de anti-hipertensivos. Pacientes não-hipertensos devem ser submetidos à avaliação ambulatorial do nível pressórico, sem as condições clínicas que motivaram a procura pelo pronto-socorro.

Quais os medicamentos indicados para controlar a pressão?
Além das mudanças do estilo de vida, de acordo com as V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão arterial o tratamento farmacológico pode ser iniciado com medicamentos de qualquer uma das seguintes classes de anti-hipertensivos: diuréticos, ou bloqueador do receptor da angiotensina II, ou beta-bloqueadores, ou antagonistas de canais de cálcio, ou inibidores da enzima de conversão da angiotensina.

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