A Organização Mundial de Saúde (OMS) junto com cientistas internacionais informaram que o parasita da malária está se tornando resistente a medicamentos à base de artemesinina, até então considerados eficientes para o tratamento da malária.
Para solucionar essa resistência seria necessário controlar o tratamento dos casos de malária, evitando o uso indiscriminado das drogas potentes, e controlar a qualidade dos medicamentos de malária. No Brasil, as drogas mais potentes para o tratamento das formas mais graves da malária por P falciparum estão sob controle do governo, através do programa de controle da malária, não sendo comercializadas livremente. Desse modo, evita-se que a droga seja usada sem necessidade ou por pessoas que não estão doentes, evitando o surgimento de parasitas resistentes.
A artemisina é uma droga muito potente que age rapidamente, negativando os exames de lâmina de malária em no máximo 3 dias. No Brasil ainda não se observa resistência à esta substância, pois ela não é encontrada em farmácias. Seu uso só é liberado por serviços públicos treinados para o atendimento dos pacientes de malária.
Apesar de esses medicamentos serem capazes de eliminar a malária de dois a três dias; os cientistas afirmam ter encontrado evidências de que a eliminação dos parasitas estaria levando entre quatro e cinco dias entre pacientes do oeste do Camboja. Para estes cientistas este é um sinal grave e por isso é preciso ficar em alerta. Gerações anteriores de medicamentos contra a malária tiveram seu uso inviabilizado por conta da resistência iniciada nesta mesma região, como no caso das mortes decorrentes da resistência do parasita à cloroquina e à sulfadoxina-pirimetamina.
Mesmo que a disseminação de parasitas resistentes da Ásia à África possa ter consequências devastadoras para o controle da malária no mundo, a Dra. Cléa Elisa Lopes Ribeiro, infectologista e professora do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná – UFPR, esclarece que “o perfil da resistência do parasita da malária depende de cada região. O perfil da malária do Brasil é diferente do que da Ásia e da África, por exemplo”.
O uso permanente de drogas como sulfadoxina pirimtamina por pacientes que não estão doentes, em doses baixas, fez uma seleção de parasitas resistentes. A cada novo ciclo de parasitas existe a possibilidade de surgir um parasita naturalmente resistente. Se muitas pessoas estão usando drogas antimalária, sem portar a doença, a chance de surgirem parasitas naturalmente resistentes aumenta, continua a Dra. Cléa Ribeiro.
Metade da população mundial, ou seja, mais de 3 bilhões de pessoas, está exposta à doença, principalmente em países subdesenvolvidos, segundo dados da OMS. E, a cada ano, a malária mata cerca de um milhão de pessoas. A cada 30 segundos morre uma criança africana, continente que registra o maior índice de malária.
Combate
Segundo a infectologista, combatemos a malária controlando principalmente o vetor – o mosquito Anofelino. Através de medidas de saneamento básico e educação continuada da população é possível evitar a procriação deste inseto. Outra medida a ser tomada é o tratamento precoce dos casos novos de malária identificados .
Atualmente, 98% dos casos novos de malária no Brasil estão na região conhecida como Amazônia Legal (Região Norte, Maranhão, Tocantins, Mato Grosso). São registrados no país aproximadamente 400 mil casos por ano.
O Ministério da Saúde deve manter o controle rigoroso sobre os medicamentos antimaláricos, principalmente da artemisina. O desenvolvimento de novas drogas é muito demorado e exige empenho da indústria farmacêutica mundial.
