O câncer de mama, além de ser a principal causa de morte por câncer em mulheres (de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer — Inca), tem em seu tratamento um grande inconveniente físico para as pacientes. O linfedema, edema formado no braço após a retirada cirúrgica dos linfonodos que se situam na região próxima da mama durante o tratamento terapêutico da doença, é uma das piores reações a essa intervenção, pois causa inchaço e dores no braço, dificultando a função motora das pacientes. Causa também um grande obstáculo para o Sistema Único de Saúde (SUS), que tem nessa reação adversa um custo adicional de tratamento e reabilitação.
Entretanto, as causas do linfedema — e sua provável relação genética — até então não haviam sido estudadas. Agora, com um estudo coordenado pelo pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Sergio Koifman, pretende justamente avaliar a importância desse fator. O projeto, que também conta com a coordenação de Rosana Vianna Jorge, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Anke Bergmann, do Inca, é um esforço conjunto de diversas instituições do Rio de Janeiro. “Nossa meta é obter uma coorte de 600 pacientes com câncer de mama no Rio de Janeiro, todas acompanhadas no Inca, e analisar os fatores genéticos e ambientais associados à ocorrência de linfedema e reações adversas ao tratamento. Desta forma, poderemos compreender melhor as características genéticas que possam estar envolvidas enquanto elementos facilitadores da formação do linfedema e outras complicações”, esclarece Koifman.
Também serão analisados fatores ambientais no desenvolvimento do linfedema, de acordo com o estudo da pesquisadora Anke Bergmann, que analisou uma coorte com mais de mil mulheres. Sergio Koifman fala sobre o resultado dessa pesquisa: “Um aspecto importante observado nesse trabalho é que as mulheres que haviam realizado atividades físicas prévias nos braços, como lavadeiras ou passadeiras, apresentavam menor frequência de linfedema. O sistema vascular, pelo esforço, aliado ao desenvolvimento muscular, parece prevenir a ocorrência dessa complicação”.
Atualmente, 17% das mulheres apresentam o linfedema após a retirada dos linfonodos, que são obstruídos em decorrência dos tratamentos neoplásicos, como quimioterapia e radioterapia, facilitando assim a infecção. Isso, segundo Koifman, pode ser evitado com o diagnóstico precoce da doença, mas no Brasil, cerca de 50% das mulheres que chegam ao SUS com câncer de mama já apresentam a doença em estágio avançado, o que obriga os médicos a realizar intervenções mais invasivas e perigosas.
