O Brasil é considerado o país campeão em insônia, sintoma que afeta 40% da população. Estima-se que 30% dos idosos têm insônia e uma percentagem igual de adolescentes e adultos já foi afetada por ela em algum momento de suas vidas por mais de 3 noites. Entretanto, somente 5% dos indivíduos com insônia procuram o especialista.
Estudos indicam que indutores do sono são utilizados em 50 a 90% dos pacientes norte-americanos internados em instituições hospitalares. Tais medicamentos são utilizados habitualmente por 6 a 8% dos adultos acima de 40 anos. Seu uso eventual é computado em até 35% dos adultos, nos mesmos estudos. A categoria ansiolíticos-indutores do sono é hoje uma das três mais prescritas no mundo, ao lado dos analgésicos e antibióticos.
A incapacidade de começar a dormir ou manter o sono são características da insônia.
Quando uma pessoa ultrapassa 30 minutos para conciliar o sono, tem vários despertares durante a noite ou acorda cedo demais, fica diagnosticada a insônia. Este mal atinge cerca de 50% da população brasileira, de acordo com o Instituto de Medicina e Sono de São Paulo. Entre as pessoas mais velhas o aumento no número de noites mal dormidas varia entre 20% e 30%.
Tratamentos para combater a insônia
“Insônias decorrem de várias causas como: genéticas, neurobiológicas, ansiedade, depressão, sociais, familiares, afetivas, profissionais, comportamentos e pensamentos alterados. O tratamento pode ser farmacológico, com Zolpiden, por exemplo; ou através de Terapia Comportamental Cognitiva, que tem como objetivo identificar e corrigir padrões de pensamento conscientes e inconscientes; com o objetivo de tentar ajudá-lo a entender melhor a si mesmo”, explica Dr. Luciano Ribeiro, neurologista do Instituto do Sono e presidente da Associação Brasileira do Sono. O zolpiden está no mercado há 15 anos e apresenta resultados positivos, por tratar exclusivamente da falta de sono. A trazodona, também bem-sucedida no tratamento da insônia, traçou o caminho inverso. É um antidepressivo que se saiu melhor na carreira de indutor do sono e foi, assim, aperfeiçoado nesse sentido.
O propofol e os benzodiazepínicos ficaram famosos após a morte do cantor Michael Jackson. Essa classe de remédios foi detectada no corpo do artista. Seu uso ainda é frequente para tratamento da insônia, entretanto eles podem causar dependência. “O propofol é um anestésico, nunca deveria ser usado para insônia. No caso do Michel Jackson, ele aparentemente estava em surto maníaco e deveria receber estabilizadores de humor, jamais um anestésico que exige entubação. Os benzodiazepínicos são seguros para tratar insônia aguda, por poucos dias. Seu uso na insônia crônica não tem indicação”, esclarece Dr. Denis Martinez, fundador e ex-presidente das Associações Brasileira de Sono e Gaúcha de Sono.
Causas da insônia segundo Dr. Martinez:
• A insônia é um sintoma, não uma doença. Em medicina, o mesmo sintoma pode ter diferentes causas.
• A maioria dos insones acredita que sabe o que ocasiona sua insônia. Em geral, culpam a idade, problemas afetivos ou de trabalho, até a situação política. Raramente, se lembram de procurar o motivo em seu próprio comportamento.
• A insônia tem diversas origens que podem ser reunidas em seis grupos: causas situacionais, psiquiá¬tricas, clínicas, comportamentais ligadas aos distúrbios do sono e aos relógios biológicos internos.
Causas situacionais
• Uma parte da população perde o sono com facilidade. Um compromisso de responsabilidade no dia seguinte faz a pessoa passar a noite despertando de hora em hora, conferindo o relógio.
• Talvez a tendência para insônia situacional seja indício de alguma anormalidade genética dos mecanismos químicos de início e manutenção do sono.
• A insônia situacional pode se tornar crônica, mesmo após cessar a causa. O medo de ter insônia pode ser o mecanismo de manutenção da dificuldade com o sono. Considera-se crônica a insônia que dura mais de seis meses.
• O medo de não dormir pode ser pior que o fato de não dormir.
• Não exagere o impacto de uma noite mal dormida. Uma noite não explica todos os seus problemas do mês.
• Não se preocupe por não estar dormindo exatamente oito horas. Oito horas não é um número mágico. Se alguém deseja intensamente oito horas de sono, pode surgir ansiedade de desempenho – como acontece com a Seleção Brasileira –, e aí mesmo que o sono – o gol – não vem.
Causas psiquiátricas
• A maioria das doenças mentais afeta o sono.
• Metade dos pacientes com insônia crônica apresentam ou apresentarão transtorno mental e 30 a 80% dos pacientes psiquiátricos apresentam insônia.
• A depressão é a causa predominante de insônia em clínicas de distúrbios do sono.
Talvez o mesmo defeito que predispõe à insônia, predisponha à depressão.
Causas clínicas
• Qualquer doença que cause dor ou desconforto perturba o sono. As infecções causam aumento da sonolência. Outras doenças como a AIDS, o derrame cerebral e as demências afetam as áreas do cérebro responsáveis pelo sono, causando insônia.
Causas do relógio interno
• Nesse tópico incluem-se os casos da insônia que se instala pelo conflito entre o relógio interno do indivíduo e a necessidade de seguir o relógio social. Se pudesse dormir de acordo com seu relógio interno, ele jamais se queixaria de insônia.
• Diferenciar insônia dos distúrbios do ritmo circadiano pode poupar tratamentos desnecessários. Essas pessoas necessitam acertar o seu relógio interno.
Causas comportamentais
• São os casos de falta de cuidado com o sono, insônia causada por abuso de hipnótico, de álcool ou de estimulante.
• Os próprios pacientes percebem que seu comportamento é a causa de sua insônia.
• O que pode ser difícil é querer mudar de comportamento.
Causas ligadas a distúrbios do sono
• Qualquer problema que interrompa o sono, como pe¬sadelos, pode resultar em insônia.
• Os distúrbios que mais comumente causam insônia são as apneias do sono, os movimentos periódicos dos membros e a síndrome das pernas inquietas.
• Se você reconhecer em si próprio ou num familiar um desses problemas, a melhor opção é procurar uma clínica especializada em distúrbios do sono.
Hipnóticos – remédios para dormir
Se você estivesse deitado há duas horas, sem conseguir sequer cochilar, tomaria um hipnótico para dormir? A maioria sofre, mas não toma.
Dicas de substâncias indutoras do sono
• Os hipnóticos “faixa-preta” estão entre os medicamentos mais temidos pelas pessoas. A maioria das insônias, entretanto, não requer remédios fortes.
• Os chás mais empregados em nosso país para tratamento caseiro de insônia são maracujá (Passiflora sp.), cidreira e camomila. Estudos científicos demonstraram que esses chás podem acalmar, mas não comprovaram ação sobre o sono.
• As ervas com efeito sobre o sono, comprovado por polissonografia, são: valeriana, kava-kava e Hypericum.
• Plantas também têm efeitos colaterais. Prefira os medicamentos com extrato puro de uma só planta.
• Teste as plantas uma a uma para saber qual faz mais efeito. Depois, se necessário, tente combiná-las.
Mais informações: Clinica do Sono (www.sono.com.br)
