Pessoas com maus hábitos alimentares e obesas devem ficar atentas com a esteatose hepática, que é o acúmulo de gordura no fígado. Por isso vale o alerta de que é importante ficar atento aos primeiros sinais de gordura no fígado, como explica a dra Eloíza Quintela, gastroenterologista e hepatologista especialista no Tratamento de Doenças do Fígado do Hospital Albert Einstein em SP. “Tudo aquilo que ingerimos, após digerido, cai na corrente sanguínea e passa pelo fígado, que funcionará como um laboratório, selecionando o que for aproveitável daquilo que deverá ser eliminado do organismo. O problema é quando ocorre um excesso de chegada de substâncias ao fígado, excedendo sua capacidade de metabolizar, prejudicando assim seu funcionamento”.
Ela relata o exemplo do que ocorre com uma pessoa obesa. “Além de naturalmente ingerir um excesso de nutrientes, sua corrente sanguínea já possui um excesso de substâncias que estão armazenadas, em geral, na forma de gorduras. Todo esse excesso, logicamente, ultrapassará a capacidade de metabolismo do fígado, ocorrendo, então, uma infiltração de gorduras no fígado, o que chamamos de esteatose hepática. Esse acúmulo levará à infiltração dos hepatocitos (células do fígado) com gordura que em excesso leva à fibrose e consequente cirrose do fígado”.
Esteatose hepática
Também conhecida como fígado gorduroso, atualmente é um problema de saúde pública no Brasil e nos Estados Unidos. “A causa e os mecanismos de produção da doença ainda não são bem conhecidos, mas há diversos fatores aos quais se associa o fígado gordo não alcoólico: nutricionais (obesidade, desnutrição), endócrinos (diabetes, dislipidemias), tóxicos (alguns medicamentos). Geralmente é detectada por acaso em avaliações médicas de rotina pelo achado de hepatomegalia (aumento do tamanho do fígado) e/ou níveis elevados de enzimas séricas, ou em ultra-sonografias de abdômen superior”, afirma Quintela.
Lembrando que algumas vezes o aumento do fígado pelo acúmulo de gordura pode causar sensação dolorosa.
Tratamento da esteatose hepática
A principal atitude é corrigir a doença associada (diabetes e alterações do colesterol), ou seja, eliminar sua causa. Por exemplo, em caso do álcool, abstinência do mesmo; no caso de obesidade uma dieta adequada pode começar a corrigir alterações hepáticas dentro de 4 a 8 semanas. E, atividade física de rotina também é muito importante.
Doutora Eloíza Quintela faz algumas considerações para o tratamento:
- Fornecer apoio ao paciente e sua família.
- Sugerir aconselhamento para os doentes alcoólicos e prestar apoio emocional à família.
- Ensinar ao paciente com diabetes e sua família sobre o cuidado adequado, tais como o efeito das injeções de insulina, dieta e exercícios.
- Enfatizar a necessidade da supervisão médica em longo prazo.
- Orientar o paciente obeso e sua família sobre a dieta adequada.
- Advertir contra dietas da moda, que normalmente são nutricionalmente inadequadas. O importante é a reeducação alimentar.
- Sugerir mudanças na dieta e procurar um nutricionista.
- Recomenda-se supervisão médica para um paciente que esteja com mais de 20% de sobrepeso.
- Exercícios físicos, medicamentos antioxidantes.
- Retirar drogas hepatotóxicas.
- Orientar o paciente que o acúmulo de gordura no fígado é reversível apenas se ele segue estritamente o programa terapêutico, caso contrário, riscos permanentes de maiores danos hepáticos, como a cirrotização do órgão podem ocorrer, sendo necessário o transplante de fígado.
Dra Eloíza Quintela é gastroenterologista e hepatologista especialista no Tratamento de Doenças do Fígado no Hospital Albert Einstein (SP); cirurgiã de transplantes de fígado. Membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia e Assoc. Brasileira de Transplantes de Órgãos-ABTO.
Mais informações em: www.doencasdofigado.com.br
