O melanoma de coróide é um câncer que se desenvolve nos olhos, em um tecido ocular denominado coróide. O retinólogo Walter Carneiro Filho explica que esse tecido se situa entre a esclerótica, que é a parte branca do olho, e a retina, o tecido nervoso interno, onde a imagem é refletida. “É composta de vasos sanguíneos e células, dentre as quais algumas pigmentadas denominadas melanócitos. O melanoma de coróide caracteriza-se pela proliferação celular desenfreada desses melanócitos”, afirma.
Como o melanoma de pele, o tumor é bastante agressivo e tem alto índice de metástase. De acordo com o oftalmologista Pedro Piccoli, do Hospital Barigui de Oftalmologia, o melanoma de coróide pode trazer sérias complicações aos olhos — geralmente há perdas significativas da visão. “Em tumores maiores, muitas vezes, se indica a remoção do globo ocular. Mesmo quando os tumores são menores e podem ser erradicados através de cirurgia ou de braquiterapia, que é a radioterapia localizada, as sequelas para a visão são importantes”, adverte o médico e acrescenta que as mulheres caucasianas têm mais chance de desenvolver a doença.
Os sintomas mais comuns do melanoma de coróide, além da redução da visão, são os defeitos no campo visual — “a visão de ‘moscas’ ou flashes de luz”, afirma o oftalmologista. Outros sintomas dependem diretamente da extensão do câncer: “se o tumor se situa na parte anterior da coróide, poderá ser percebida como uma sombra no campo de visão em estágios mais avançados. Esta sombra avança conforme o estágio da doença, e pode chegar a ocluir totalmente a visão. Se a localização é posterior, poderá ser notada uma distorção das imagens, ou uma mancha no meio das mesmas”.
O diagnóstico é feito por meio do exame de fundo de olho, no qual as lesões tumorais podem ser suspeitadas ou detectadas, dependendo do estágio. Segundo Piccoli, a ecografia também é usada para reforçar a suspeita e avaliar a extensão do tumor. “A ressonância magnética também pode ser de grande auxilio. Geralmente quando se faz o diagnóstico, ou quando se tem uma suspeita forte, submete-se o paciente a exames de imagem de outras partes do corpo, para saber se não há outras localizações do câncer”, diz.
Ainda de acordo com ele, o tratamento é mais eficaz quando a doença é descoberta precocemente e varia de acordo com o estágio e extensão do melanoma, que pode ser completamente curado. Piccoli, entretanto, alerta: “a erradicação total do tumor pode proporcionar a cura definitiva, mas não elimina o risco de aparecerem novos tumores”.
