É certo que as populações estão aumentando, crescendo e se tornando cada vez mais sedentárias. Estas condições são perfeitas para o aumento dos casos de câncer e da mortalidade em pacientes que sofrem com a doença. No entanto, o Inca (Instituto Nacional do Câncer) mostra que é possível cortar este mal pela raiz. O livro “Políticas e Ações para a Prevenção do Câncer no Brasil: Alimentação, Nutrição e Atividade Física” em parceria com o Fundo Mundial de Pesquisa Contra o Câncer lançado no início deste mês revela um país comprometido com a prevenção da doença.
No prefácio da publicação, o diretor geral do Instituto, Luiz Antonio Santini, afirma que na maioria das vezes o câncer pode ser evitado. O documento é resultado de uma reunião de forças de muitos especialistas com o intuito de mostrar como os atores sociais podem contribuir neste sentido. Ao adotarem medidas simples com relação à alimentação, atividade física, peso corporal, aleitamento materno e exposição ao tabaco é possível restringir consideravelmente a quantidade de casos.
Resultados da pesquisa
O estudo revela que a combinação entre alimentação saudável e atividade física é capaz de prevenir 63% dos casos de câncer de boca, faringe e laringe; 60% dos tumores de esôfago e 52% dos casos em que a doença atinge o endométrio (camada que recobre o útero internamente).
O controle da obesidade e a prática de exercícios físicos regulares também poderiam evitar 41% dos tumores de estômago, 34% de pâncreas e 37% de cólon e reto (partes do intestino grosso). O combate a este problema endêmico de saúde, poderia evitar 19% dos casos totais de câncer. As mulheres que conseguirem seguir uma dieta equilibrada, praticar atividades físicas regularmente, além de ficar distante das taxas de obesidade, podem reduzir em até 28% os casos de câncer de mama.
A exposição ao tabaco também é outro fator citado em um trecho da publicação: “se ninguém fumasse, aproximadamente 1/3 dos atuais casos de câncer seria prevenido”. Segundo as análises feitas para o Relatório de Políticas do Fundo Mundial de Pesquisa contra o Câncer, para se chegar a 1/4 de todos os casos é preciso também seguir os padrões saudáveis de alimentação e atividade física.
Na ocasião do lançamento do livro, Geoffrey Cannon, coordenador do Relatório de Alimentação e Câncer, afirmou que nenhum país tem recursos humanos e materiais suficientes para tratar todos os casos de câncer. Portanto, a única solução é a prevenção. O estilo de vida saudável poderia significar uma economia de 84 milhões por ano ao SUS (Sistema Único de Saúde) basta que todos os brasileiros façam a sua parte.
