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Esclerose Múltipla

Ao contrário do que dita o senso comum, a esclerose múltipla não é uma doença de idosos – ela ataca principalmente jovens entre 20 e 45 anos. “A esclerose múltipla não deixa o paciente esclerosado. É por causa desTe termo que muitos acreditam que seja uma doença de idosos, mas não é”, explica a neurologista Maria Cristina Brandão de Giacomo, da coordenação científica da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM).

Ela conta que a doença, abreviada pela sigla EM, é uma doença inflamatória que ataca o sistema nervoso central, formado por cérebro, cerebelo e medula espinhal. Essas áreas são revestidas por uma camada chamada bainha de mielina, responsável pela condução de impulsos nervosos. Quando ela não existe, os impulsos são transmitidos lentamente. Na EM, o sistema imunológico reconhece a mielina como um corpo estranho e produz anticorpos para eliminarem essa substância do organismo.

“Esclerose múltipla significa múltiplas cicatrizes e é exatamente isso o que a doença representa: feridas e cicatrizes na mielina”, afirma a médica. Segundo ela, os sintomas da EM variam de acordo com a região do sistema nervoso que desenvolve a inflamação. Se ocorrer em uma área ligada à motricidade, por exemplo, a pessoa sentirá dificuldades motoras – o mesmo acontece com a visão e os esfíncteres. “Além disso, a esclerose múltipla pode atacar o cérebro de uma forma mais difusa, causando um déficit cognitivo”, diz.

Desenvolvimento

A EM é uma doença autoimune e genética: uma alteração no sistema imunológico. “Existe um mapeamento genético que já indicou dois cromossomos responsáveis pela esclerose múltipla. O que sabemos é que o meio ambiente é o fator desencadeante da EM, mas não sabemos exatamente por que e como a doença é desencadeada”, explica Maria Cristina.

Um fator que sempre deve ser acompanhado é a parte psicológica do paciente. “Quando uma pessoa não está bem emocionalmente, a doença se desenvolve mais rapidamente – isso acontece não apenas com a esclerose múltipla, mas com todas as doenças”. Por isso, a neurologista afirma que cuidar do emocional do paciente é fundamental durante o tratamento. “Aliado a esse acompanhamento psicológico existe a medicação, que procura diminuir a atividade inflamatória”, orienta a médica.

A esclerose múltipla não tem cura e existe uma dificuldade no tratamento pelas características da doença. “Não podemos neutralizar totalmente o sistema imunológico, senão o paciente não irá combater um simples resfriado. Por isso, o tratamento é delicado – precisamos equilibrar a imunidade para que ela exista, apenas não ataque a mielina”, esclarece.

Maria Cristina levanta questões que justificam a continuidade dos estudos e pesquisas sobre a doença. “Há casos nos quais um gêmeo tem esclerose múltipla e outro não. Por que apenas um desenvolve, se o ambiente é o mesmo e a genética é parecida?”, questiona. “Essas dúvidas estão sendo estudadas para que, no futuro, talvez possamos identificar quem pode desenvolver a doença e como evitá-la”.

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