Você está em

Blog Dicas de Saúde

22/09/2008

Epidemiologista Roberto Medronho analisa cenário da dengue no País

Até o final de março de 2008 a Secretaria de Vigilância do Ministério da Saúde registrou 120.570 casos de dengue. Só no estado do Rio de Janeiro foram notificadas 43.523 ocorrências no período, correspondendo a 36% dos casos do País. Segundo o epidemiologista Roberto Medronho, chefe do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a situação é alarmante pois as ações para controle da doença são ineficientes. Medronho, um dos principais especialistas em dengue no Brasil, é enfático: se o Aedes aegypti não for combatido, haverá nova epidemia em 2009. Nesta entrevista, o epidemiologista fala ainda sobre a possibilidade de introdução do vírus tipo 4 no País e conta como estão os estudos sobre a vacina.

 

A epidemia de dengue que acometeu algumas cidades brasileiras neste ano está no fim?
O Brasil não está livre da epidemia, pois não houve controle do Aedes aegypti. A epidemia está apenas migrando. A incidência no estado do Rio de Janeiro está em declínio, mas em capitais como Belém (PA) e Aracaju (SE), por exemplo, o número de casos registrados está crescendo.

 

Como explicar a epidemia deste verão?
As políticas de combate ao vetor da dengue são ineficientes. O poder público é o principal responsável pela epidemia. A população é a vítima, mas também tem papel importante no controle da doença em colaboração com o governo. A participação da rede privada, que sofreu prejuízos com a epidemia por causa do absenteísmo, também é importante para controle efetivo. É necessário que os órgãos governamentais invistam mais recursos em campanhas educativas, em contratação de agentes de saúde e em ações diretas de prevenção, como visitas a domicílios e pontos estratégicos (cemitérios, borracharias, terrenos baldios, construções, etc).

 

O que esperar para 2009?
O Rio de Janeiro não terá uma ocorrência na mesma proporção porque a população está imunizada pelos tipos 2 e 3. Mas o vírus acometerá outras cidades onde não houve epidemia. É preciso resolver problema da dengue agora. O ideal é intensificar as campanhas no outono e inverno, para evitar que o mosquito se prolifere rapidamente com a chegada do verão e do período chuvoso.

 

Como a vacina poderá ajudar a reverter o cenário da dengue no futuro?
A vacina é o principal aliado no combate à dengue. Os estudos até agora apresentam resultados muito promissores. Estamos na fase três do ensaio clinico. Já estamos testando a vacina em seres humanos. Alguns profissionais estimam que ela estará no mercado em cinco anos. Mas a previsão é para até 10 anos. Vamos esperar para que a vacina esteja no mercado o quanto antes. Assim haverá melhor combate à doença, já que está sendo difícil controlar o vetor.

 

O senhor afirmou em entrevistas recentes que não há como impedir a introdução do tipo 4 no Brasil. Por quê?
O tipo 4 circula em países fronteiriços e que mantêm relações econômicas e turísticas com o País. Não há como impedir a introdução do tipo 4 no Brasil. Esse vírus será introduzido no País, já que as campanhas não conseguem controlar o vetor e diminuir o número de infectados. Existe a possibilidade concreta de ocorrer uma epidemia explosiva do tipo 4, atingindo assim muitas pessoas em um curto período de tempo.

Poste seu comentário também:

Para continuar é preciso informar:



*
*
*
Reload Image CAPTCHA Image

Indique para um amigo

Medicamentos
Por nome
Por especialidades
Por doenças
Por princípio-ativo
Pacientes
Blog Dicas de Saúde
Meu Cadastro
Central de Ajuda
Prof. de Saúde
Central do Conhecimento
Meu Cadastro
Central de Ajuda
Laboratórios
Vantagens
Meu Cadastro
Central de Ajuda
MEDICSUPPLY
Notícias
Contato
Pacientes
Profissionais de saúde
Laboratórios
Trabalhe conosco
BlogBlogs.Com.Br