Quando algo de errado ou anormal acontece em nosso organismo é natural que o corpo dê sinais, como se fosse um alerta para que tomemos providências. Um desses sinais é a dor. Se não sentíssemos dor, talvez nunca pudéssemos ser curados de doença alguma. Esta percepção que temos do que nos faz mal é, na verdade, um pré-requisito para a própria sobrevivência.
Mas não é porque a dor é uma defesa natural do organismo, que precisamos conviver com ela. Pelo contrário, ao primeiro sinal de dor, o ideal é procurar logo um médico. Isso porque o problema pode ser mais grave do que parece. Enquanto a dor aguda está relacionada com alguma forma de agressão ao organismo, funcionando como um sistema de alarme, a dor crônica revela uma alteração do próprio organismo, e ambas devem ser tratadas.
Estima-se que 30% da população mundial sofrem de dor crônica. Atualmente, a vida agitada e os fatores estressantes têm contribuído para tornar as dores cada vez mais intensas. Porém, a população e muitos profissionais de saúde não dão a devida atenção ao problema.
Segundo a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), a dor crônica altera o humor, o apetite e o sono do paciente, provoca queda no sistema imunológico, levando ao estresse físico e psicológico, afetando a qualidade de vida do paciente com dor. No Brasil há pouca informação a respeito desse problema, o que prejudica ainda mais sua identificação.
O que caracteriza uma dor crônica
A dor pode ser considerada crônica quando persiste por mais de três meses. Ela não tem início ou fim definidos e pode ser leve, moderada ou intensa. Já os sintomas da dor aguda geralmente têm início e fim bem claros.
A dor crônica pode ser constante ou surgir em determinados períodos. O Dr. Carlos Maurício de Castro Costa, presidente da SBED, ressalta que é preciso ficar atento à principal característica que é a persistência da dor.
Tipos de dor
Dr. Costa explica que há dois grupos de causas da dor: inflamatória e neuropática. A dor inflamatória, como o nome diz, é causada por uma inflamação, por exemplo: dor de dente, artrite, dor lombar, etc. A dor neuropática, por sua vez, está relacionada a uma lesão de nervo da medula ou do cérebro, como a síndrome do túnel do carpo, a nevralgia do trigêmeo, entre outras.
Diagnóstico e tratamento
Para o presidente da SBED, o diagnóstico da dor é fundamental e todos os casos devem ser tratados de maneira correta. Caso contrário, se uma dor persiste, há sensibilização dos neurônios, que fazem com que um tecido inflamado, por exemplo, fique muito mais sensível a estímulos que geralmente produziriam pouca ou nenhuma dor.
Muito frequentemente a dor tem origem aguda, mas quando não tratada em tempo pode evoluir para uma dor crônica.
Dr. Costa alerta que a automedicação também dever ser evitada ao máximo, pois além de não sanar a causa do problema, pode provocar diversos efeitos colaterais indesejáveis.
Sociedade Brasileira de Estudos da Dor
Todos os anos a Sociedade Brasileira de Estudos da Dor (SBED) promove campanhas e ações para divulgar o problema junto a médicos e pacientes. O objetivo é auxiliar o profissional de saúde com recursos técnicos sobre a dor crônica, que possibilitem explicar ao paciente a doença e as diversas opções de tratamento.
Uma das propotas da entidade é a inclusão da disciplina “Dor” nas faculdades de medicina. Para isso, será encaminhado ao Ministério de Saúde o projeto de uma campanha nacional, conhecida como Brasil sem Dor. “O objetivo é que o tema dor crônica comece a ser discutido nas escolas de medicina, com a modificação do currículo, e se estenda em cursos e programas desenvolvidos nas comunidades para ajudar o médico a identificar a doença e a tratá-la”, explica o presidente da SBED. “Com isso, faremos também com que o paciente se familiarize com a dor crônica e possa falar mais abertamente sobre o que sente”, conclui.
Entidade – A Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) é uma entidade sem fins lucrativos, fundada em agosto de 1983. O objetivo dessa entidade é desenvolver pesquisas e estimular estudos sobre a ocorrência e o tratamento dor crônica. A SBED também desenvolve programas, junto a organizações governamentais, programas para o melhor atendimento dos doentes com dor em estados terminais e fornecem informações básicas às pessoas afetadas pela dor em todas as suas manifestações.
Mais informações: SBED: http://www.dor.org.br
