Cada vez mais se buscam maneiras de humanizar o tratamento hospitalar. Uma prática que se popularizou com o médico norteamericano Patch Adams (cuja vida virou filme protagonizado pelo ator Robin Williams). Independente da metodologia, oferecer algum tipo de alento a pacientes, principalmente com câncer, tem sido a preocupação de médicos inovadores. Pensando nisso, o Instituto Mario Penna, em Belo Horizonte (MG), especializado no combate ao câncer, criou uma campanha que busca solidariedade no universo virtual da internet: o projeto Doe Palavras. Trata-se de um perfil da rede social de microblogs twitter que arrecada mensagens de apoio dos internautas para os pacientes que estão passando por tratamentos oncológicos.
Começa com um médico responsável que conta no twitter quem está na sala de quimioterapia. A partir daí, os seguidores do perfil do projeto mandam mensagens positivas para eles, que são veiculadas em televisores instalados dentro dos hospitais Mario Penna, Luxemburgo e Casa de Apoio Beatriz Ferraz, que compõem o instituto. Segundo o superintendente geral da instituição, Cássio Eduardo Rosa Resende, a reação tem sido positiva. “As mensagens, de uma forma geral têm caráter mais impessoal, ou seja, valem para todos que estão se tratando no instituto, mas, em alguns momentos, conseguimos mensagens bem diretas a partir da divulgação dos nomes de pacientes que estão lendo os textos naquele momento. Isso toca muito os pacientes”, relata. Ele completa dizendo que, embora não tenha sido feito uma pesquisa sobre o efeito dos recados, as conversas com médicos, enfermeiras e familiares dos pacientes mostram que estão todos animados. “Eles notaram, sim, uma melhora no processo”, afirma.
A campanha está ganhando visibilidade. Embora a maioria das mensagens seja de pessoas comuns, alguns notórios do meio artístico e corporativo contribuem com seus recados. Nomes como o do empresário Abílio Diniz, da rede Pão de Açúcar, da atriz Priscila Fantin, do apresentador Pedro Bial, e até mesmo o vice-presidente da república, José Alencar, dão suas contribuições regularmente.
Os realizadores consideram a empreitada um sucesso. “O projeto nem completou dois meses e já temos 235 mil mensagens. Então podemos dizer que foram mais de 100 mil mensagens por mês”, explica Resende. O próximo passo, segundo ele, é compilar algumas das melhores mensagens para a publicação de um livro que será entregue a outras instituições e hospitais que também se dedicam a combater o câncer.
Mais informações sobre o projeto Doe Palavras podem ser encontradas no site http://www.doepalavras.com.br/ e no twitter http://twitter.com/doepalavras.
