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Blog Dicas de Saúde

04/07/2011

Diferenças e semelhanças entre os vírus HIV-1 e HIV-2

Uma das principais dificuldades de se combater o vírus HIV, agente causador da Aids, é a sua grande capacidade de mutação. Isso se deve a uma enzima presente no vírus chamada transcriptase reversa. “Esta enzima é responsável pela conversão para uma fita dupla de DNA do material genético viral originalmente na forma de fita simples de RNA. Este passo é necessário para que o vírus possa ser integrado ao DNA da célula, o que permite que o vírus se multiplique utilizando-se de mecanismos celulares”, explica Fábio Eudes Leal, infectologista da Universidade de São Paulo (USP) e do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids Santa Cruz, também de São Paulo.

Tipos de vírus HIV

São dois tipos de vírus HIV reconhecidos pela literatura, o HIV-1 e o HIV-2. Embora o tipo 1 seja o de maior incidência em todo o mundo, já existem ocorrências do vírus tipo 2, que é igualmente letal, embora tenha uma taxa de replicação menor, ou seja, produz menos células de si mesmo. Produzindo menos partículas virais no organismo, diminuem as chances de transmissão desse tipo de vírus para outra pessoa.

Os vírus HIV-1 e HIV-2 são variações do mesmo vírus. Isso implica em que haja várias semelhanças entre eles, como:

  • o modo de transmissão é o mesmo (relação sexual, agulhas infectadas, transmissão de sangue etc); e
  • as pessoas contaminadas com um ou outro vírus estão sujeitas às mesmas infecções.

Porém há também algumas diferenças entre os dois, como:

  • a incidência de HIV-2 e HIV-1 varia nas diferentes regiões do mundo;
  • pessoas infectadas com HIV-2 têm menos capacidade de transmitir a doença na sua fase inicial que as pessoas infectadas com o HIV-1; e
  • a frequência de pacientes assintomáticos contaminados com HIV-2 por maiores períodos de tempo é maior se comparada com pacientes de HIV-1.

No entanto, uma das grandes preocupações sobre o vírus HIV-2 é a sua resistência aos aintirretrovirais existentes. “O HIV-2 é intrinsecamente resistente a duas classes de medicações usadas no tratamento do HIV-1. Os não-análogos da transcriptase reversa e os inibidores de fusão/entrada.  Portanto, estas drogas não devem ser usadas no tratamento de pacientes portadores de HIV-2”, alerta o especialista.

Infecção conjunta

Ainda que o índice de transmissão do HIV-2 seja menor que o do HIV-1, é de suma importância não descuidar com os cuidados com a prevenção, mesmo entre pessoas portadoras de um ou outro vírus, para evitar o que se chama de infecção conjunta ou superinfecção. Os especialistas são unânimes em afirmar que mesmo em relações entre pessoas soropositivas, a camisinha deve ser usada.

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