Todo ano em pauta nos principais meios de comunicação, a dengue é uma doença que há tempos vem tirando o sono de todos os brasileiros. Isso porque anualmente o país corre o risco de enfrentar epidemias em função da falta de responsabilidade de muitos que ainda não entenderam que deixar água parada é o principal foco para a reprodução do mosquito transmissor, o Aedes aegypti.
A doença, causada por um vírus que possui quatro sorotipos, é de gravidade variável e de curta duração. No Brasil, existem quatro tipos do vírus da dengue: O DEN-1, DEN-2, DEN-3. O sorotipo 4 da doença (DEN-4), que não era encontrada há 28 anos no país, foi registrada em meados de 2010, em Roraima. A preocupação é que esse novo sorotipo crie uma epidemia no Brasil.
Porém, o especialista da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Celso Granato, não acredita nessa hipótese, embora ela exista. “Teoricamente a probabilidade existe, até pelo pouco contato da população com o vírus, mas é muito pequena, já que esse novo sorotipo, pelos estudos, não indica ser mais perigoso que os outros três que estão em circulação no país”.
A opinião é embasada no fato de que outros países da América Latina como a Argentina, Caribe, Colômbia e Venezuela já registraram a incidência do vírus tipo 4, mas em nenhum deles ao que se sabe apresentou epidemia. A transmissão da dengue do tipo 4 acontece da mesma forma dos outros sorotipos
Por isso, é importante que algumas medidas como evitar contato com criadouros dos mosquitos, com caixas d água abertas e com ambientes com água parada, podem evitar a transmissão do vírus. O uso de repelentes e de roupas fechadas em regiões endêmicas também podem evitar o contato.
A entrada do DEN-4 em uma região que antes o vírus não circulava, encontrará pessoas frágeis a doença e, caso elas já tenham tido contato com a dengue, estarão susceptíveis a contraírem a forma hemorrágica da doença. Isso se deve porque quando uma pessoa é infectada por outro sorotipo da doença, o organismo imediatamente responde imunologicamente, podendo levar a quadros graves da dengue.
Na sua forma mais grave, sintomas como dor intensa na barriga, sinais de desmaio, náusea que impede a pessoa de se hidratar pela boca, falta de ar, tosse seca, fezes preta e sangramento são sinais de alerta. Nesses casos, a mortalidade chega a 12%, mesmo que a doença seja tratada com terapia intensiva.
“Por isso é importante que sejam feitos tanto o exame laboratorial quanto o diagnóstico clínico. Esses dois fatores vão identificar se o paciente precisa ou não de internamento. Independentemente disso é importante começar o tratamento o quanto antes”, afirma a Infectologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Patrícia Brasil.
Combate ao mosquito
A responsabilidade no combate a dengue deve ser de todos, tanto do governo como da população. Cada um fazendo sua parte em beneficio de um bem comum: a vida de todos. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectem anualmente, em mais de 100 países de todos os continentes, exceto a Europa. Desses, cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em consequência da doença.
Tratamento
A dengue pode facilmente ser confundida com outras doenças, o que a torna ainda mais perigosa. Como ela faz a pessoa perder bastante líquido, por isso é necessário beber bastante água, suco, água de coco e isotônicos. Deve-se evitar o consumo de bebidas alcoólicas e gaseificadas, como refrigerante.
Não tomar medicamentos sem o conhecimento do médico, também é uma forma de não torná-la mais grave. Em especial, evitar aqueles medicamentos que tem ácido acetil salicílico e anti-inflamatórios não hormonais, pois podem favorecer sangramentos, assim como injeções intramusculares devem ser evitadas.
O primeiro diagnóstico é feito clinicamente, baseado na história do paciente, exame físico e com base em exclusão de outras doenças. A comprovação do diagnóstico pode ser feita através de sorologia, que geralmente começa a dar positiva a partir do sexto dia de infecção.
Vacina
Ainda não existe vacina para o controle da doença, porém ela esta em estágio avançado, na chamada fase três, última fase de testes antes de ser desenvolvida clinicamente. A principal dificuldade para desenvolver a vacina é encontrar uma fórmula que proteja as pessoas dos sorotipos da doença, para evitar que uma pessoa vacinada contra um sorotipo acabe desenvolvendo outra forma da doença.
Dicas
A grande capacidade de adaptação do mosquito acaba dificultando a erradicação do mesmo. Como ainda não temos uma vacina contra a doença, à melhor maneira de evitá-la é não deixar que o mosquito transmissor procrie.
Por isso, é fundamental que não se deixe água parada dentro de suas residências. Devemos ter atenção especial com pneus, vasos de plantas, latas e cisternas. Com flores, em especial bromélias que acumulam água na parte central, pois também podem servir como criadouros.
