O consumo de álcool, também denominado de etilismo na medicina, é um dos principais fatores para várias doenças do fígado, dos rins e do sangue. Também é um comportamento de risco para se desenvolver alguns tipos de câncer, dos quais o de boca é o mais reconhecidamente afetado pela prática. Agora, um novo estudo, publicado no periódico Journal of the National Cancer Institute, aponta que o consumo de bebidas alcoólicas é um fator bem estabelecido também para dois tipos específicos do câncer de mama: o carcinoma lobular e o tumor receptor hormonal positivo.
Ricardo Chagas, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), explica que o carcinoma lobular é um tipo de câncer que acomete os ácinos mamários, região das mamas onde o leite é formado, ao contrário do carcinoma ductal, que acomete os ductos por onde o leite percorre até chegar à papila do seio. “O carcinoma lobular é menos frequente do que o carcinoma ductal, representando de 5 a 10 % dos carcinomas mamários invasivos”, afirma. Já os tumores receptores hormonais positivos “são aqueles que têm o crescimento estimulado pelos principais hormônios femininos — estrogênio e progesterona — e respondem ao tratamento com medicamentos que inibem tais hormônios. Em geral têm melhores prognósticos”, informa o médico, que acrescenta que esse tipo de tumor é bem frequente, em especial após a menopausa.
Os pesquisadores responsáveis pelo estudo avaliaram dados de 87 mil mulheres com idades entre 50 e 79 anos, das quais três mil desenvolveram câncer de mama invasivo. Baseado nesses dados, puderam constatar que o consumo de bebidas alcoólicas, independente do tipo, estava diretamente relacionado a esses tipos de tumor mamário. “O consumo de 10 gramas de álcool por dia foi relacionado a um aumento de 9% no risco de desenvolver o câncer de mama. E com consumo superior a 30 gramas por dia, o risco poderia aumentar em até 43%”, esclarece Chagas. O médico acredita que, com essa comprovação, deve se evitar o consumo abusivo de álcool.
