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08/10/2010

Compostos químicos de esponjas marinhas podem combater o câncer

As esponjas marinhas, do filo Porífera, são as formas animais mais primitivas da face da terra. Desprovidas de movimentos, sistema nervoso e de estrutura extremamente simples, vivem em sua maioria no fundo dos oceanos e sobrevivem filtrando a água do mar. Entretanto, possuem uma grande diversidade de compostos bioquímicos em sua composição, o que garante uma grande visibilidade desse tipo de organismo por parte de algumas comunidades de cientistas que veem grande potencial na obtenção de novos produtos bioativos para a produção de medicamentos.

Entre eles está o pesquisador, Raymond Andersen, professor do Departamento de Química e Ciências da Terra e do Oceano da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, que se dedica à prospecção, isolamento, análise estrutural e síntese de compostos extraídos de organismos marinhos.

Andersen apresentou, durante o Workshop sobre biodiversidade marinha: avanços recentes em bioprospecção, biogeografia e filogeografia, realizado pelo programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (Biota-FAPESP), em setembro de 2010, os estudos feitos por sua equipe sobre compostos bioquímicos isolados de esponjas coletadas na costa canadense e na Papua-Nova Guiné. “As moléculas que procuramos devem cumprir os seguintes critérios: ter interesse teórico devido à novidade de sua biogênese – como moléculas que possuem novos esqueletos de carbono —, devem mostrar atividade biológica in vitro, o que faz delas potenciais alvos para o desenvolvimento de agentes farmacêuticos e, por último, devem mostrar atividades biológicas que lhes permitam ter um papel central na biologia do organismo que as produz”, esclareceu o cientista.

Após isolar diversos compostos, a equipe de Andersen descobriu alguns com ação antimitótica, capazes de impedir o processo de divisão celular. Isso pode permitir que esses compostos sejam utilizados no desenvolvimento de drogas contra o câncer, por exemplo.  Agora, um dos maiores desafios da equipe é sintetizar os compostos artificialmente, para que seja viável sua produção em larga escala, uma vez produzido um medicamento eficaz que os use como base. “Quando se trata de esponjas, não podemos ir à natureza coletá-las e usá-las como fonte para o desenvolvimento de drogas. Nenhuma indústria farmacêutica investiria em um composto que fosse desenvolvido exclusivamente a partir de um recurso natural desse tipo. É preciso ter uma fonte renovável”, ressaltou Andersen.

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