O câncer de pele é um dos tipos de tumor mais frequente no Brasil, país com clima tropical e alta incidência solar. Além das recomendações básicas de se evitar tomar sol entre as 10h da manhã e as 4h da tarde, usar sempre protetor solar, chapéus, óculos escuros e guardassóis, o Inca (Instituto Nacional do Câncer) recomenda fazer o autoexame de pele. Esse exame consiste em procurar pelo corpo pintas e sinais suspeitos para que a busca da assistência médica se dê ao menor sinal de alteração na superfície da pele.
Existem basicamente dois tipos de câncer de pele: O melanoma e o não-melanoma. Entre os não-melanoma, a Dra. Cristina Abdalla, dermatologista do hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, explica que a forma mais comum é o carcinoma basocelular, um tipo de tumor que aparece geralmente nas áreas expostas ao sol. “Começa como uma pequena lesão, bolinha ou espinha que não cicatriza, sangra e cresce lentamente. É uma lesão que raramente causa metástase, mas é importante o diagnóstico precoce, pois ela pode ser invasiva e destrutiva localmente”, explica Cristina. Ainda segundo ela, o segundo tipo mais frequente dos não-melanomas é o carcinoma espinocelular, que tem a forma de uma placa, nódulo ou verruga, que cresce e é um pouco mais grave, pois tem mais chances de formar metástases.
Finalmente, o segundo tipo de câncer de pele é o melanoma, que, embora seja menos frequente, é mais famoso por sua periculosidade. “O diagnóstico dessa lesão tem que ser precoce. As maiores e mais profundas podem causar metástase nos gânglios, cérebro, fígado, pulmão e outros órgãos.”, relata a dermatologista.
A dra. Fabiane Mulinari, chefe do Serviço de Dermatologia do Hospital de Clínicas da UFPR (Universidade Federal do Paraná), explica como são as pintas que podem ser melanomas em um estágio primário: “Pintas escuras com mais de uma cor (marrom, preto, cinza, vermelho), bordas irregulares (como uma flor) e assimetria são sinais suspeitos”. A dra. Cristina acrescenta a importância do tamanho: pintas com diâmetros maiores do que seis milímetros também devem ser investigadas imediatamente.
Incidência
Os dois tipos câncer também tendem a aparecer em locais diferetes. De acordo com a Dra. Fabiane, o melanoma surge com mais frequencia nas costas dos homens e nas pernas das mulheres. Já os carcinomas (não-melanomas) se desenvolvem nas áreas expostas ao sol, em especial na face, no colo (ou decote) e nas costas das mãos. Lesões nas orelhas e no nariz são muito frequentes também. Ela diz que a maior preocupação é com o melanoma, que tem mais chances de levar o paciente à morte: “Procure um dermatologista, quanto antes melhor, pois as lesões aumentam com o tempo e a cirurgia para retirada pode ser mais complicada e a retirada mais agressiva, removendo mais pele e deixando uma cicatriz”. Por fim, ela afirma que a incidência de pintas comuns que evoluem para doenças de pele é muito baixa e que os sinais suspeitos já começam na forma de tumores.
Algumas predisposições podem aumentar o risco de se desenvolverem melanomas e carcinomas. A dra. Cristina Abdalla lista algumas dessas características:
- Histórico de melanoma na família
- Mais de 50 pintas no corpo
- Pele clara e olhos claros
- Cabelos loiros ou ruivos
- Exposição crônica ao sol
- Exposição intermitente ao sol com queimaduras solares
- Pessoas que fizeram bronzeamento artificial
Saiba mais sobre o autoexame de pele no site do Inca:
